Blu-Ray x DVD

20/11/2008 | Categoria: Blog

Porque minha coleção no novo formato digital deve começar em dezembro, antes mesmo de comprar um aparelho que rode discos no formato

Por: Rodrigo Carreiro

Os leitores mais atentos já devem ter aferido que eu não tenho ainda um Blu-Ray player. Esse é o principal motivo de o Cine Repórter ainda manter a denominação “DVDs” para a seção dedicada às críticas de filmes lançados para o mercado caseiro. Em breve, possivelmente em 2009, terei que mudar o título da seção para algo como “Home Video”. Mas essa já é outra história.

Tenho vários motivos para não aderir ao Blu-Ray de imediato. O maior deles é pessoal. Graças ao dia-a-dia atarefado e aos horários malucos, tenho visto mais filmes no notebook do que no meu home theater. Ao contemplar a possibilidade de comprar um Playstation 3 e uma TV de alta definição, agora em dezembro, decidi que seria muito dinheiro gasto para pouco benefício, já que vejo mais filmes fora de casa – em salas de cinema ou na biblioteca da faculdade onde dou aula – do que lá.

Se meu notebook tivesse um leitor de Blu-Ray, provavelmente eu compraria também um player de mesa. Mas imagine a situação posterior: gastar R$ 90 (ou mais!) para comprar um filme no formato e não ter tempo para vê-lo, por não parar em casa? Fora de cogitação.

Além do mais, ainda tenho sérias dúvidas sobre o futuro do formato. A distribuição de cópias digitais de filmes em alta definição, de forma legalizada, avança a passos largos. Daqui a dois ou três anos, a gente vai poder baixar o conteúdo completo de um disco BD, sem sair de casa, e a um preço bem mais baixo do que custa o disco físico.

Mesmo assim, estou seriamente inclinado a iniciar minha coleção pessoal de filmes em Blu-Ray agora em dezembro. Sim, antes mesmo de comprar um player. Foi assim também com o DVD, já que comecei a comprar filmes no formato, em 1999, alguns meses antes de adquirir o aparelho (um Pioneer maravilhoso que continua na minha sala, nove anos depois).

A título de curiosidade, meu primeiro DVD foi “Matrix” (ganho em um amigo secreto). No dia em que comprei o aparelho, também passei numa loja aqui no Recife, chamada Aky Vídeo, e levei para casa “O Exorcista”. Esses dois filmes deram partida a uma coleção que já ultrapassou os dois mil títulos.

Mas voltemos ao assunto principal. Meu sonho de consumo imediato atende pelo nome de “Wall-E”. Todo mundo que lê o site deve ter percebido que o filme de Andrew Stanton encabeça a relação dos melhores lançamentos de 2008, na minha humilde opinião.

Pois bem: a Buena Vista vai cometer o crime de não lançar no Brasil a versão em DVD triplo disponível nos EUA. Aqui, o disquinho será simples. Ou seja, sem os documentários que esmiúçam o processo de criação do incrível desenho de som, por Ben Burtt. Documentários sobre a fotografia maravilhosa? Nenhum.

No auge do desespero, decidi comprar o DVD importado (como fiz com “Zodíaco”, de cujos documentários sensacionais a Warner também nos privou). Enquanto pesquisava os preços na Internet, dei de cara com um artigo escrito pelo ótimo crítico norte-americano James Berardinelli (www.reelviews.com).

Ele, que é um sujeito muito sensato e acumula conhecimento enciclopédico na área, já havia escrito alguns textos ressaltando como o Blu-Ray não lhe parecia um avanço tão significativo em relação ao DVD (apaixonado por “Patton”, Berardinelli comprou um PS3 apenas para ver o clássico com George C. Scott, e não viu nenhuma diferença para o filme projetado em DVD). Pois bem: o cara garante que “Wall-E” é o primeiro filme internacional cujo conjunto imagem/som parece realmente muito mais avançado no novo formato, deixando o antigo no chinelo.

O Blu-Ray brasileiro sai com todos os extras (ao inacreditável preço de RS$ 130). Um roubo. Mas sabe do que mais? Acho que vou comprar. Talvez compre junto a versão restaurada de “O Poderoso Chefão”. Seria um duplo incentivo para migrar, finalmente, para o mundo da alta definição. Como a TV digital chega ao Recife em 2009, apenas estaria me adiantando em alguns meses a uma mudança mais ou menos obrigatória.

Ainda não perdôo a Buena Vista pela lambança (repetida, pois fizeram o mesmo com o também genial “Ratatouille”). E não custa lembrar que a mesma empresa se recusa, até hoje, a lançar a belíssima edição especial de “Pulp Fiction” em DVD duplo no Brasil. Tomara que torrem no inferno dos VHS podres, aqueles executivos gananciosos. Pelo histórico, do ponto de vista do consumidor, a Buena Vista é a pior das grandes empresas distribuidoras de filmes no mercado nacional de vídeo doméstico.

Sei que deveria fazer algum tipo de boicote e não comprar o filme. Seria uma atitude sensata. Mas eu não sou sensato. E não quero me punir ao ficar sem os extras do longa-metragem que amo. Que seja bem vindo o Blu-Ray, pois.

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