Helena e o novo amigo

11/02/2010 | Categoria: Blog

Conviver diariamente com crianças significa ser confrontado, todos os dias, com frases surpreendentes e raciocínios inesperados, sempre cheios de lógica

Por: Rodrigo Carreiro

Conviver diariamente com crianças na faixa de idade de Nina (cinco anos) e Helena (três), minhas filhas, significa ser confrontado, todos os dias, com frases surpreendentes e raciocínios inesperados, quase sempre cheios de lógica e inteligência em estado bruto.

Na semana passada, levei as duas para uma tarde no Parque da Jaqueira. Estávamos apenas os três. Nina carregou junto a bicicleta. Helena ainda é muito nova para conseguir pedalar com desenvoltura, de modo que preferi levar um velocípede para ela.

Pensando no conforto dela (e sobretudo no meu), incluí no passeio um cabo de vassoura. O objetivo do dito-cujo era me permitir empurrá-la no velocípede em pé, sem precisar ficar agachado, o que certamente arrebentaria minhas costas. Eu antevia que ela não ia ter força pra pedalar sozinha por muito tempo.

Dito e feito. Após algumas pedaladas, Helena se declarou cansada. Para poder continuar acompanhando Nina, que pedalava a toda velocidade, me armei com o cabo de vassoura e me pus a correr junto com Helena. Ficando atrás do velocípede e empurrando-o com o pedaço de madeira, eu conseguia minimizar o esforço dela para pedalar.

Tudo correu bem durante aproximadamente 40 minutos. Duas voltas completas no parque, ou dois quilômetros depois, Nina se sentou, ofegante. Disse que estava cansada demais para pedalar até o local onde tínhamos estacionado o carro, do outro lado do parque.

Como não podia empurrar as duas crianças ao mesmo tempo, passei a empurrar a bicicleta com a mão direita (sendo “auxiliado” por Nina) e a carregar o velocípede na esquerda. Helena se encarregou de levar o cabo de vassoura.

Logo a pequena ficou um pouco para trás. Caminhava como uma miniatura de Moisés, carregando o cabo como um cajado. Observando de soslaio, comecei a perceber que ela entabulava uma espécie de diálogo com o pedaço de madeira, em voz baixa. Falava e “ouvia”. Parecia muito concentrada.

De repente, ela percebeu meus olhares curiosos para a rotina que havia estabelecido. Prontamente, olhou para a frente e me apresentou o novo “amigo” com uma frase lapidar:

– Ele é meu amigo. O nome dele é Pau.

Claro. Faz todo sentido do mundo. Esse tipo de raciocínio direto e lógico você não encontra em outro lugar que não o mundo das crianças. É por isso que eu adoro passar o maior tempo possível com as duas.

Naquele momento, porém, não consegui segurar a gargalhada. Ri tanto que tropecei e derrubei velocípede, bicicleta e até o novo amigo da família.

Detalhe: Helena odeia que riam de algo que ela fez ou disse. Quem faz isso tem a garantia de que ela abrirá o berreiro, se sentindo insultada porque não a levaram a sério. Tive um sério problema a resolver, portanto. Mas de bom humor a gente sempre resolve essas coisas.

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