Na lista negra do YouTube

15/07/2009 | Categoria: Blog

Você sabia que usar trechos de filmes em videocasts infringe a legislação norte-americana de produtos audiovisuais?

Por: Rodrigo Carreiro

Um fato estranho que eu gostaria de compartilhar com vocês.

Como os leitores mais fiéis devem saber, publiquei o videocast sobre som offcreen no último sábado pela manhã. O vídeo foi gravado e editado na sexta-feira à noite. Mais ou menos à 1h da manhã, quando finalizei tudo, coloquei o vídeo para fazer upload para o YouTube e fui dormir, deixando o computador ligado.

Ao acordar, pouco depois das 7h, fui checar se a operação tinha corrido bem. Sim, sem nenhum problema; o que me deixou intrigado foi uma mensagem do YouTube que já estava em minha caixa postal.

Esta mensagem avisava que meu videocast recém-postado continha cenas de propriedade da MGM, e portanto o vídeo estava sujeito a ser retirado do ar, sem aviso, pelos administradores do serviço, caso a MGM o solicitasse.

Confesso que fiquei perplexo com a agilidade do YouTube. Num espaço de mais ou menos cinco horas, algum funcionário da empresa tinha assistido ao meu vídeo, identificado nele um trecho de filme da MGM, e me enviado um e-mail com o alerta.

De fato, duas das três cenas de filmes de Sergio Leone que constam do videocast (“Por um Punhado de Dólares a Mais” e “Três Homens em Conflito”) foram lançados em DVD pela MGM. “Era uma Vez no Oeste” pertence à Paramount, o que me leva a crer que esse estúdio também pode tirar meu videocast do ar a qualquer momento.

Fiquei pensando um bocado sobre o fato. Como alguns de vocês devem lembrar, há alguns meses tive o dissabor de ter um videocast retirado do YouTube, a mando a Universal, porque o vídeo continha um trecho de “Tubarão”. Cheguei à conclusão de que minha conta no YouTube deve estar fazendo parte de uma espécie de lista negra, e toda a movimentação feita nela – ou seja, toda inclusão de vídeos – está sendo monitorada pela equipe do site.

Não sei o que é mais chato: a sensação de estar sendo “vigiado” pela equipe do YouTube, ou o fato de ser intimado a não utilizar mais trechos de filmes nos meus comentários sobre os mesmos.

Sim, a mensagem do YouTube deixava claro que eu estava infringindo a lei norte-americana (a sua contraparte brasileira autoriza o uso de trechos audiovisuais curtos, de até 30 segundos, e eu sei disso porque trabalhei na Globo por cinco anos). Não é isso que me irrita, mas a aplicação incondicional e impassível de uma legislação que acaba por se revelar burra, já que duvido que qualquer um dos videocasts leve um espectador a decidir não ver determinado filme – o mais provável é que ocorra o contrário!

Antes que perguntem, eu já uso outro serviço de armazenamento on-line de vídeos (essencialmente, para fazer back up). Mas nenhum dos muitos sites semelhantes espalhados pela Internet tem a velocidade, a estabilidade e a abrangência do YouTube.

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