Nina e o peixinho

20/07/2009 | Categoria: Blog

Como você reage quando sua filha te faz uma daquelas perguntas que exigem um pequeno tratado filosófico para responder sem mentir?

Por: Rodrigo Carreiro

Há uma semana, a “família” lá em casa ganhou o acréscimo de sete peixinhos e um aquário enorme. Neste domingo, depois de uma semana em que tudo correu conforme o figurino, a primeira baixa. Para acostumar as crianças com a idéia da morte (um conceito super-complicado de explicar a meninos pequenos), não escondemos nada das duas. Fizemos até uma quase-cerimônia de despedida. Elas puderam dar adeus ao peixinho morto, rezaram para ele entrar no “céu dos peixinhos” e jogaram descarga abaixo, com a maior pompa.

Algumas horas depois, minha filha mais velha teve insônia. Nina tem 4 anos. Pegou no sono às 18h, dormiu até as 23h e acordou querendo ver as Videocassetadas. Jantou e não dormiu mais. Fiquei com ela procurando umas cacetadas antigas no YouTube, depois jogamos um pouco de memória, e nada de ela querer voltar para a cama.

Lá pelas 2h, já babando de sono, fiz um acordo com ela. Coloquei o DVD de “Os Incríveis”, deixei a porta do quarto aberta e pedi para ela me chamar se quisesse alguma coisa. E completei:

– Papai está morto de sono!

Nina olhou para mim, espantada.

– E você vai morrer agora?!?!

Um daqueles momentos em que a gente não sabe como responder. Ainda mais quando está quase caindo pelas tabelas.

– Não, filha. A gente diz que está “morto de sono” quanto está quase dormindo, sem agüentar mais ficar acordado. É um jeito de falar. Eu não vou morrer. Só vou dormir.

– Ah, sim. Porque hoje já morreu o meu peixinho.

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