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Reflexões

03/09/2008 | Por | Categoria: Blog

A pesquisa Datafolha sobre a freqüência dos brasileiros no cinema deu pano pra manga. Muitos comentários pertinentes dos leitores. De fato, são números que oferecem oportunidades para muitas reflexões.

No meu caso, o aspecto que fica martelando na minha cabeça é a comparação com os incríveis anos 1970, quando os brasileiros lotavam aos cinemas. Naquela época, qualquer filme dos Trapalhões levava mais de 5 milhões de pessoas aos cinemas. “A Dama da Lotação” passou dos 12 milhões, assim como “Tubarão”.

Apenas para efeito de comparação, desde o início da Retomada (1992), apenas dois filmes nacionais superaram a barreira dos 5 milhões: “Carandiru” e “Dois Filhos de Francisco”. Hoje em dia, uma produção local pode ser considerada um sucesso de público se bater na barreira do milhão.

“Batman 2”, maior bilheteria do ano no Brasil, ainda não chegou aos quatro milhões de espectadores. E o filme caminha célere para se tornar a segunda maior bilheteria de todos os tempos, atrás apenas de “Titanic” (esse último, alias, fez 17 milhões de espectadores brasileiros, um número maior do que o total de pessoas que hoje vai aos cinemas por aqui!).

Dois aspectos principais devem ser levados em consideração, para efeito de comparação:

1) nos anos 1970, as classes C e D podiam ir ao cinema. As salas de projeção ficavam espalhadas pelas cidades, muitas das quais em bairros populares, e com ingressos muito mais baratos.

2) naquela época, não havia DVD e download pela Internet para competir com os cinemas. Não havia nem mesmo videogame. Cinema era – mesmo! – a maior diversão.

Ou seja, a situação é conseqüência de uma complexa conjunção de fatores econômicos, sociais (incluindo a falta de segurança das cidades grandes) e tecnológicos.

Lamento, mas penso que estamos além de qualquer possibilidade de retorno aos bons tempos. Apesar de ser defensor ferrenho das salas de projeção, acho que o futuro dos filmes passa mesmo pelo mercado de home video.



Pesquisa Datafolha

02/09/2008 | Por | Categoria: Blog

Você sabe quantos brasileiros vão ao cinema?

Se não sabia, agora sabe. O Instituto Datafolha acaba de divulgar uma pesquisa, feita em dezembro último, para medir o interesse dos brasileiros por cinema. E os resultados não são animadores. Ao todo, apenas 16,8 milhões de pessoas vão ao cinema no Brasil, sendo que cerca de 25% delas só o faz uma única vez por ano.

Pois é. Menos de 10% da população do país freqüenta salas de exibição. E a situação do Recife, dentro desse quadro, não é muito confortável. Somos a sétima capital cuja população mais vai ao cinema.

A boa notícia é que existe, sim, algum espaço para crescimento deste mercado. A pesquisa avalia que 3,7 milhões de brasileiros têm vontade de ir ao cinema, mas não o faz, por diferentes motivos. Ingressos muito caros e falta de tempo estão entre as razões mais citadas como justificativa.

Um dado particularmente revelador mostra que o público não liga muito para a forma como vê filmes. Um total de 44% prefere o DVD, 25% espera que os filmes passem na TV e só 23% encaram uma sala de projeção.

Os distribuidores também ficaram impressionados com um dados em particular: nada menos do que 72% dos espectadores que vão ao cinema atualmente já saem de casa sabendo que filme desejam ver.

Curioso perceber que a pesquisa não fez qualquer referência, em nenhum momento, ao uso de computadores pessoais para assistir/baixar filmes. Tenho impressão de que os distribuidores perderam uma boa oportunidade de medir a real penetração dessa modalidade ilegal de projeção cinematográfica na comunidade nacional de cinéfilos.

De qualquer forma, não vejo os números como positivos. O espaço para crescimento existe, mas não é grande – e saber que mais de 90% das pessoas do meu país não vai nunca ao cinema me deixa meio deprimido.



Filmes mais pirateados de 2008

23/04/2008 | Por | Categoria: Blog

Se engana quem pensa que a pirataria na Internet é impossível de rastrear.

A Motion Pictures Association (MPA), que representa seis grandes estúdios de cinema dos Estados Unidos, divulgou na sexta-feira a lista dos 10 filmes mais baixados pelos brasileiros durante o ano de 2008.

Não se sabe bem como, ou com que eficiência, mas a MPA já monitora principalmente os grandes arquivos com filmes baixados de discos virtuais presentes na Web, e também já tem meios de medir o tráfego dos arquivos de filmes via tecnologia P2P, que “quebra” o arquivo em pedacinhos e os faz trafegar entre os usuários que usam a mesma rede.

Segundo Márcio Gonçalves, diretor antipirataria para América Latina da MPA, na lista abaixo estão os 10 filmes mais baixados pelos internautas brasileiros em 2008.

1. O gângster
2. A hora do rush 3
3. Duro de matar 4
4. 13 homens e um novo segredo
5. Transformers
6. Shrek 3
7. Beowulf
8. Hitman – Assassino 47
9. Bee movie
10. Tá dando onda

Comentário meu: que mau gosto, hein, turma do download?



Velho gagá

21/03/2008 | Por | Categoria: Blog

De Ridley Scott, pinçado de uma (excelente) entrevista concedida à Folha Ilustrada:

“Eu vejo as pessoas com seus iPods minúsculos vendo filmes que foram feitos para ser vistos no cinema e acho o fim do mundo. Não é possível que as pessoas não tenham nada melhor para fazer do que assistir um filme numa tela de 3 cm por 4 cm. Me falaram que é muito útil e tal, e eu sei que devo parecer um velho gagá falando isso, mas nada me convence que um aparelho tão pequeno possa servir como tela de cinema”.

Eu também não entendo essa prática da juventude de hoje. Esse ano comprei um iPod, botei uns três filmes dentro, tentei, mas nunca consegui ver nem cinco minutos.

É um conflito de gerações, o que estamos vendo. E acho que estou mais para velho gagá do que para garotão.



Hitchcock e a Pietà

21/02/2008 | Por | Categoria: Blog
Alfred Hitchcock tinha uma personalidade que não se encaixaria na Hollywood contemporânea. Ele odiava badalações. Foi casado a vida inteira com a mesma mulher, Alma – a única garota com quem ele namorou na vida.

Boa parte deste comportamento era fruto de sua formação católica. Hitch também adorava História da Arte. Junte as duas coisas e você tem uma explicação convincente para o uso constante de iconografia religiosa nos filmes.

Quem um exemplo? Dê uma olhadinha nesta página aqui.

O autor contabilizou diversas reproduções intencionais da famosa pose da “Pietà”, momento histórico de intimidade entre Jesus e Maria que foi imortalizado por Michelangelo (e utilizado por vários pintores italianos).



Filmes raros

17/08/2004 | Por | Categoria: Blog

Quem acompanha o Cine Repórter com regularidade já deve ter percebido um detalhe curioso a respeito das atualizações diárias que ocorrem no site: as críticas de DVDs, que tenho escrito com mais abundância, nem sempre são de lançamentos. Com freqüência, tenho atualizado a seção postando resenhas de filmes mais antigos. Alguns deles (cito como exemplos “A Tortura do Medo”, de Michael Powell, e “Sob o Domínio do Medo”, de Sam Peckinpah) nem foram lançados no Brasil.

Por que faço isso? Minha razão é simples. Grande parte dos lançamentos de DVD ocorridos no Brasil segue a seguinte “janela”: de quatro a seis meses depois de passarem nos cinemas, os filmes começam a chegar ao mercado de home video. Como normalmente eu já assisti e escrevi sobre esses filmes quando da passagem pelos cinemas, faço uma revisão do texto e o troco de seção (ele passa de “Críticas” para “DVD”). Algumas vezes até altero a nota ou faço revisões mais longas nos textos; reservo-me o direito de revisar os textos sempre que achar necessário, embora ainda não tenha ocorrido nenhum caso de filme que eu tenha realmente mudado de opinião.

Já escrevi antes, nesta mesma seção, que nunca foi minha intenção fazer uma crítica profunda dos aspectos técnicos dos DVDs. Há bons sites que fazem isso, nacionais e estrangeiros. Eles analisam a qualidade da transferência da imagem para o formato doméstico, a qualidade de graves e agudos das trilhas de áudio, avaliam os documentários. Não faço isso. Não é minha especialidade. A rigor, esse tipo de crítica não me interessa. Prefiro avaliar os filmes com mais profundidade e me limitar a descrever, fazendo às vezes pequenas resenhas críticas, esses aspectos técnicos dos discos.

Dessa forma, quando os filmes saem em DVD, suas respectivas críticas muitas vezes já estão publicadas no Cine Repórter. Para manter a média de publicações semanais de críticas – são pelo menos quatro a cada sete dias – recorro a DVDs de filmes mais antigos. Gosto de acreditar que o leitor pode encontrar, no Cine Repórter, um banco de dados amplo e diversificado, para consultar quando tiver que ir à locadora ou à loja de DVDs.

Outra intenção é compartilhar com o leitor minhas pequenas descobertas. Filmes desconhecidos, importados ou inéditos no Brasil estão, atualmente, disponíveis através das boas lojas de vendas online. É fácil encontrar essas obras, muitas vezes por preços acessíveis. Já descobri muitos filmes legais dessa forma (“eXistenZ”) e acho importante que o leitor do Cine Repórter também possa ter, no site, uma fonte confiável de avaliação de filmes importados. Conheço muita gente que compra esses filmes, às vezes no escuro, sem saber direito o que vai encontrar.

Não tem mistério, então: essa vai continuar sendo minha estratégia de atualização do Cine Repórter. Aqui, você vai encontrar em média três novas críticas de DVDs por semana. Quanto aos filmes em cartaz no cinema, normalmente você confere pelo menos uma crítica com antecipação.

É isso. Bola para a frente. Se alguém achar que meus critérios estão errados, basta me escrever. Vou ter o maior prazer em discuti-los com vocês.



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