Primeiras impressões do 3D

13/10/2008 | Categoria: Blog

Sensação de imersão dentro do filme ainda não é total, mas provoca um impacto bastante forte

Por: Rodrigo Carreiro

Durante algumas semanas, o assunto mais comentado pelos cinéfilos de Pernambuco será a sala 5 do Box Guararapes. A razão é óbvia. Trata-se do primeiro cinema do Estado equipado com um projetor digital 3D, tecnologia que vem sendo apontada pela indústria cinematográfica como a salvação da Sétima Arte, diante da crise gerada pela pirataria e pelo Divx.

Mas será que uma projeção digital em 3D é tão impressionante assim? Depois de assistir a “U2 3D”, neste domingo, já dá para responder: sim, é poderosamente impressionante. A sensação de imersão dentro do filme, tão perseguida pelo pioneiros tecnológicos em diversos momentos históricos do cinema, é realmente impactante.

Digo mais. Sou do time que encara com reservas essas tecnologias inovadoras que propõem a imersão total no filme, porque vejo problemas fisiológicos sérios com todas elas. A tela gigante do IMAX é ótima, mas deixa a platéia fisicamente esgotada. Óculos 3D são desconfortáveis, e assistir a um filme inteiro com eles dão dor de cabeça e cansaço visual. Ou seja, paga-se um preço caro pela experiência.

A nova tecnologia, porém, elimina parte desses problemas. Os óculos especiais que se usa no Box Guararapes são eletrônicos, caem bem no rosto, e criam um efeito de profundidade na imagem que chega a ser chocante, em alguns momentos, sem deixar o espectador tonto e com a cabeça explodindo no final.

Ainda acho que não consigo agüentar um filme longo (mais de duas horas) com um par de óculos cinzentos sobre os óculos normais que já uso, mas tenho que admitir: para filmes de ação e fantasia, com duração inferior a 100 minutos, a tecnologia 3D digital é absolutamente perfeita. Coisa para deixar a platéia molhada de suor.

Muita coisa, porém, ainda vai precisar ser ajustada. Se a projeção em 3D se tornar regra, parece-me claro que a montagem passará por mudanças drásticas. Para que o efeito 3D funcione com eficiência, as tomadas precisam ser mais longas, de pelo menos uns 10 ou 15 segundos, enquanto a média de um plano nos filmes atuais situa-se abaixo de três segundos.

O planejamento rigoroso de cada tomada também favorece a nova tecnologia de projeção. Diretores com senso visual apurado e que planejam o filme inteiro com antecedência devem sair em vantagem. Artistas que gostam de improvisar (e incluo na lista gente como Fernando Meirelles e Paul Greengrass) só conseguirão tirar o máximo do potencial do 3D se ajustarem seu modo de trabalhar à nova tecnologia.

Claro que essas observações são meras conjecturas, e você pode formar sua própria opinião sobre o assunto (aliás, eu gostaria de ouvir outras opiniões). De qualquer forma, se você é cinéfilo, tem mais é que entrar nesse debate. O quanto antes.

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