“Tubarão” e os tubarões

13/06/2009 | Categoria: Blog

Universal manda tirar do ar videocast sobre o filme de Spielberg (e dá uma boa idéia do desespero da indústria do cinema diante da guerra contra a pirataria)

Por: Rodrigo Carreiro

Como se não bastasse minha falta de tempo para produzir mais videocasts, descobri esta semana um fato lamentável que dificulta ainda mais a publicação dessas pequenas vídeo-aulas.

Graças ao aviso meio despretensioso de um leitor, descobri que a Universal Pictures solicitou ao You Tube a retirada de um dos videocasts publicados no Cine Repórter.

(Cabe um parêntese aqui: os videocasts do Cine Repórter são sempre hospedados no You Tube, e portanto os vídeos que se pode ver aqui no site são apenas links cujo conteúdo estão fora dele).

O vídeo em questão traz um comentário meu sobre uma cena específica do filme “Tubarão”. Ele tem pouco menos de oito minutos de duração e consiste em um depoimento meu (dado em vídeo) sobre o filme, contendo no bojo um comentário em áudio gravado sobre um trecho de três minutos do filme.

Detalhe importante: esse trecho do filme, que motivou a alegação de “pirataria”, mantém o áudio original em velume baixíssimo, para que a minha voz possa se sobressair ao comentar componentes da encenação (enquadramentos, composições visuais, cores, movimentação dos personagens, etc.).

Pelas regras do You Tube, minha atividade não infringe nenhuma lei de direitos autorais. Aliás, não creio sequer que a Universal tenha se dado ao trabalho de analisar o videocast, cujo comentário não apenas elogiava a eloquência da direção de Steven Spielberg, mas até mesmo incentivava o espectador/leitor a comprar o DVD duplo do filme!

Provavelmente, os tubarões da Universal (sem trocadilho) se limitaram a ver a imagem-ícone que identificava o vídeo (era um frame do filme, selecionado aleatoriamente pelo próprio You Tube) e agiram como o animal da obra de ficção: atacaram sem pensar, usando apenas o instinto.

Até entendo o desespero do estúdio. Milhares de pessoas devem estar baixando o filme completo nesse mesmo momento, em redes P2P. Mas daí à Universal perder tempo retirando do ar um clipe de oito minutos, contendo um comentário didático sobre o processo de construção da narrativa realizado pelo diretor da obra, vai enorme distância.

Tenho impressão de que isso dá uma boa idéia do quanto os grandes estúdios de cinema estão perdidos, nessa guerra inútil que travam contra a pirataria.

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