24 Horas – 1ª Temporada

08/08/2006 | Categoria: Críticas

Vistos em seqüência ininterrupta, episódios soam irregulares, mas ainda ousados e eficientes

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

Embora não seja novo, o conceito de tempo real é incomum no cinema. Na televisão, então, nem pensar. Normalmente, uma narrativa sem cortes no tempo tem um monte de partes chatas em que nada acontece, pois os personagens precisam dormir, comer, tomar banho e ir ao banheiro. Na TV, onde tempo é dinheiro, não dá para manter o público ligado sem ação, muita ação. É aí que está o mérito do seriado norte-americano “24 Horas”: usar o conceito do tempo real e ainda assim manter ação ininterrupta e muita tensão. Com esses ingredientes, o programa conquistou não apenas um público grande e fiel, mas também críticos e cinéfilos, geralmente não muito afeitos aos produtos oriundos da televisão.

O nome seco e direto representa a essência da série. São 24 episódios de uma hora cada (contando com os intervalos comerciais) que narram um dia na vida de um agente da CIA. O investigador Jack Bauer (Kiefer Sutherland) trabalha numa unidade de elite especializada em contra-terrorismo. Na primeira temporada da série, exibida entre 2001 e 2002 nos Estados Unidos, Bauer descobre que um atentado será cometido contra um candidato a presidente dos EUA, David Palmer (Dennis Haysbert), e precisa descobrir onde e quando o crime acontecerá, e quem está por trás dele. Ao mesmo tempo, ainda tem que lidar com o desaparecimento da filha Kimberly (Elisha Cuthbert).

A primeira temporada de “24 Horas” é ótima, mas irregular. A idéia da utilização do conceito de tempo real, quando posta em prática, apresenta alguns problemas menores. É verdade, contudo, que assistir à série em DVD deixa esses defeitos muito mais evidentes. A TV norte-americana exibe um capítulo da série por semana, e o grande espaço de tempo entre os episódios esconde os buracos no roteiro e os defeitos na caracterização dos personagens. Mas se o espectador vê os capítulos em uma seqüência ininterrupta, em poucos dias, esses problemas saltam aos olhos.

Não dá para apontar as falhas uma a uma sem estragar a surpresa daqueles que nunca viram a série. Fique, portanto, com apenas um exemplo de problema nítido: onde vai parar o falso fotógrafo que tem a missão de matar David Palmer, após as 8 horas da manhã? Resposta: ninguém sabe. O sujeito, assassino profissional de elite, simplesmente desaparece da história, sem que ninguém, nem mesmo a CIA, tente rastreá-lo. Detalhe: a mesma coisa ocorre com outros personagens. Também é possível perceber mudanças drásticas na atitude de algumas pessoas da série, em especial a esposa de Palmer, Sherry (Penny Johnson), que começa o dia de um jeito e termina de outro, bem diferente.

A primeira temporada é claramente dividida em dois blocos, sendo o inicial – quando a ação vai da meia-noite até o meio-dia – mais frenético, mais inteligente e, portanto, bem mais interessante. Depois disso, há um período em que tudo fica mais calmo, e a ação demora alguns capítulos para engrenar outra vez; quando isso ocorre, a temporada avança por uma linha inesperada, mas relativamente previsível, e fica fácil antecipar o que vai ocorrer até o final do dia (que é também o fim do programa).

Por outro lado, há muitas virtudes. Uma delas é o desenvolvimento de ações paralelas, feito com muita competência. Em certos momentos há até seis ações ocorrendo ao mesmo tempo, e o seriado dá conta de todas. Há até mesmo o uso do recurso de “split screen” (tela dividida em diversas imagens, cada uma mostrando uma ação), uma novidade em termos de televisão, já que o tamanho da tela é muito pequeno e dificulta a vida do espectador. O elenco, enorme, também é bacana.

Outra grande sacada é a trama secundária que envolve os bastidores da campanha e a vida pessoal de David Palmer. O modo franco e intenso como o seriado enfoca a parte privada de um homem público é uma das melhores coisas da série. O programa mostra como figuras públicas são obrigadas, de tempos em tempos, a se confrontar com escolhas morais que são controversas, complexas e muito humanas, além de ter que conviver com muita bajulação, mentira e estresse. É por isso que Sherry se mostra a personagem mais interessante da série, cheia de nuances e sutilezas, sublinhadas pela boa performance da atriz Penny Johnson.

A caixa da Fox é composta de seis discos, cada um contendo quatro episódios. A qualidade é ótima, mais de imagem (widescreen 1.78:1 anamórfico) do que de som (Dolby Digital 2.0). O único extra, no disco 6, é um final alternativo.

– 24 Horas – 1ª Temporada
Direção: Joel Surnow (produtor executivo)
Elenco: Kiefer Sutherland, Leslie Hope, Sarah Clarke, Dennis Haysbert
Duração: 24 episódios de 42 minutos cada

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