Amor à Segunda Vista

17/01/2005 | Categoria: Críticas

Sandra Bullock e Hugh Grant em romance bobinho, clichê mas muito agradável para ver a dois

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Comédia românticas são uma aposta segura para produtores que desejam faturar uma boa grana sem ter intenções de bater recordes de bilheterias ou fazer produtos artisticamente arrojados. “Amor à Segunda Vista” (Two Weeks Notice, EUA, 2002) é um filme que se encaixa perfeitamente na definição. É agradável, bobinho, leve, um pouquinho conservador – em resumo, um passatempo divertido, que revisita todos os clichês do gênero sem o menor traço de pudor ou pretensão.

O segredo de “Amor à Segunda Vista” parece ser o elenco, em especial a dupla de protagonistas. E, para explicar a química perfeita entre Sandra Bullock e Hugh Grant, é preciso voltar um pouquinho no tempo. O projeto deste filme nasceu quando o roteirista Marc Lawrence, responsável pelo texto de “Miss Simpatia” (grande sucesso com Bullock), mostrou à estrela o roteiro em que estava trabalhando. Já escaldada pelo sucesso do longa anterior, a atriz ficou interessada em produzir e estrelar o longa.

Daí para a frente foi fácil. Lawrence pediu uma chance para estrear na direção, e os dois juntos escalaram Hugh Grant para o outro papel principal. Essa foi a decisão mais importante do cineasta, e a solução encontrada foi correta. Ambos, Grant e Bullock, emprestam a seus personagens as características que já foram previamente testadas e aprovadas pelo público, em filmes anteriores. As equações são simples. Hugh Grant = milionário sedutor, imaturo e meio canalha (pense em “Um Grande Garoto”); Sandra Bullock = patinho feio e desajeitado que vira bela mulher quando apaixonada (pense em “Miss Simpatia”).

Assim foi feito. Grant é George Wade, presidente de uma enorme construtora que enfileira belas mulheres como casos e prefere jogos de tênis beneficentes a analisar planilhas de custos de megaempresas. Bullock representa Lucy Kelson, uma advogada esquerdista que luta para salvar o centro comunitário de um pequeno bairro residencial em Nova York. Os caminhos de ambos se cruzam na hora certa: Wade está à procura de um advogado para a firma, e Kelson deseja poder ajudar necessitados.

Como se pode imaginar, eles não simpatizam muito, mas tornam-se profundamente dependentes das ações um do outro. É mais uma variação da comédia romântica clássica, em que dois amigos se apaixonam sem perceberem. A tensão desse tipo de filme está em deixar a platéia angustiada por pensar que o adiamento do início do romance pode jogar tudo por água abaixo.

No caso, o filme repete os clichês do gênero (a briga séria, os namorados rivais, o affair abandonado na metade) e ainda utiliza cenários manjados para comédias do gênero, que são as pontes e parques de Nova York, certamente uma das cidades mais românticas que o cinema já mostrou. Mas, surpresa, tudo funciona a contento. Estamos diante de uma típica Sessão da Tarde, ótima para degustar jogado no sofá, sem pensar, de preferência com alguém que se gosta do lado.

“Amor à Segunda Vista” recebeu um DVD simples, sem muito material extra, mas o suficiente para um filme sem maiores pretensões. As imagens do filme estão no formato original widescreen e o som é Dolby Digital 5.1. Há um pequeno segmento com erros de gravação (essencialmente, Grant e Bullock errando as falas e caindo no gargalhada), uma série de cenas deletadas e um documentário (12 minutos) trivial de bastidores, contando um pouco do enredo.

– Amor à Segunda Vista (Two Weeks Notice, EUA, 2002)
Direção: Marc Lawrence
Elenco: Sandra Bullock, Hugh Grant, Alicia Witt
Duração: 100 minutos

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