Amor Não Tira Férias, O

22/09/2007 | Categoria: Críticas

Simpática e bobinha comédia romântica de Natal é bom programa para tardes com companhia

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

Uma olhadinha básica na filmografia da roteirista e diretora Nancy Meyers deixa evidente: ela quer ser a nova Nora Ephron. Em outras palavras, deseja se estabelecer como um porto seguro de cinema para onde as mulheres, especialmente as fanáticas por comédias românticas em que as garotas conseguem encontrar seus príncipes encantados, correm quando se sentem tristes. A julgar por “O Amor Não Tira Férias” (The Holiday, EUA, 2006), ela consegue o objetivo. O filme, uma comédia romântica natalina bem bobinha e simpática, é o programa perfeito para uma tarde de leseira com a pessoa amada.

Tudo bem, não existe nada de minimamente original no longa-metragem. Você já viu essa história antes, e dezenas de vezes. A sinopse é assim: garota sofre desilusão amorosa e, enquanto tenta se isolar do mundo para chorar as pitangas, encontra sem querer um cara legal e se encanta por ele, tudo isso se passando em um cenário chique onde as pessoas parecem não ter a mínima preocupação com dinheiro ou trabalho. A diferença é que em “O Amor Não Tira Férias” tudo acontece em dobro. Ou seja, são duas histórias entrecruzadas de amor, bem parecidas, que exploram a idéia do choque de culturas, já que uma delas se passa em Londres e a outra, em Los Angeles.

Meyers, que dirigiu as comédias femininas “Do Que as Mulheres Gostam” (2000) e “Alguém Tem que Ceder” (2003), teve a idéia do longa quando esbarrou em um site na Internet onde pessoas anunciavam a intenção de trocar de casas com outros interessados, para temporadas de férias. Então, ela bolou uma história em que duas garotas, uma na capital inglesa e outra na terra do cinema, recorrem ao artifício para esquecer a solidão, durante as festas de fim de ano. Uma delas é Amanda (Cameron Diaz), uma rica executiva que produz trailers de filmes e não consegue chorar. A outra é a chorona Iris (Kate Winslet), uma editora londrina de livros. A primeira mora numa mansão com piscina na Sunset Boulevard, a principal avenida de Hollywood. A outra vive em um chalé minúsculo e charmoso em Surrey, nos arredores de Londres.

Vivendo decepções amorosas quase ao mesmo tempo, elas se encontram pela Web e trocam de casa no dia seguinte. Mas uma comédia romântica não estaria completa se não houvessem rapazes, um para cada uma. Então, Iris encontra Miles (Jack Black), um compositor de trilhas sonoras, e Amanda esbarra em Graham (Jude Law), o irmão farrista e bonitão da inglesa. Curiosamente, o melhor e mais simpático personagem está fora do quadrilátero amoroso – é o velhinho Arthur (Eli Wallach), um veterano roteirista de Hollywood que o mundo esqueceu. Como se vê, o filme está cheio de figuras periféricas da indústria do cinema, e por isso um monte de cenas fazem referências a clássicos como “Jejum de Amor” (1940). Trata-se de um ingrediente extra para atrair cinéfilos.

No geral, o filme faz a típica celebração natalina das delícias do “estar junto”, tradição imbatível desde os anos 1940. Um problema é quer o fator empatia é bem diferente nas duas histórias, já que Iris é uma mulher muito mais interessante do que a fútil Amanda – e no entanto, como o rosto da loira Diaz é mais vendável, o caso de amor mais trivial tem mais tempo de tela. Além disso, as referências sexuais no romance entre Iris e Miles, dois sujeitos com estampa mais normal e sem pose de sex symbols (ei, mas o sorriso de Kate Winslet continua arrasador), praticamente não existem. É como se apenas os dois lindos fizessem sexo, e os namoros entre gente normal fossem curiosamente assexuados. Coisas de Hollywood.

Todo o elenco está ótimo, interpretando com naturalidade e sem afetação. Se há um destaque, ele vai para Eli Wallach, o eterno Tuco de “Três Homens em Conflito” (1966). Com 91 anos, o velhinho continua falastrão e dá um show de simpatia. Enquanto isso, Jude Law e Jack Black desfilam o que deles se espera – cenas sedutoras no primeiro caso, e cômicas no segundo – e as garotas não precisam fazer muito mais do que se deixarem seduzir. “O Amor Não Tira Férias” é o tipo de longa-metragem que deixa as pessoas na platéia com um sorriso no rosto, não importa o quão conhecida seja a história que ele conta. Pelo menos neste caso temos um produto redondo, cujo único defeito sério é ser longo demais para uma peça de diversão descompromissada.

O DVD, lançado pela Universal, tem boa qualidade de imagem (widescreen 1.85:1 anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1). Não há extras.

– O Amor Não Tira Férias (The Holiday, EUA, 2006)
Direção: Nancy Meyers
Elenco: Cameron Diaz, Kate Winslet, Jude Law, Jack Black, Eli Wallach
Duração: 138 minutos

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