Anatomia

28/09/2003 | Categoria: Críticas

Suspense alemão copia fórmula americana de fazer terror com cenas violentas e gritos femininos

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

O cinema alemão, seguindo o exemplo de todo continente europeu, andava mal das pernas até 1999. Foi quando surgiu o inesperado “Corra Lola, Corra”, do novato Tom Tykwer, que fez uma bela carreira em território germânico, chamou a atenção dos americanos e andou atraindo bom público até aos cinemas brasileiros, normalmente arredios a produções do circuito alternativo. O filme acabou gerando dois bons frutos: a retomada da produção cinematográfica local e uma sex symbol pouco convencional, Franka Potente. Ela é a principal atração e razão de ser no mais novo filme alemão a aparecer nas videolocadoras. “Anatomia” é um thriller de suspense feito no ano passado.

A obra foi dirigida por Stefan Ruzowitzky, um dos mais experientes cineastas da nova geração alemã e autor de quatro longas, e claramente realizado às pressas para aproveitar o sucesso da bela covinha no queixo de Franka. A garota tem personalidade e talento. Não parece em nada com as divas de Hollywood, mas já migrou para lá e reafirmou a qualidade do seu trabalho com o ótimo policial “Identidade Bourne”, ao lado de Matt Damon. Seu futuro é promissor.

De qualquer forma, “Anatomia” não acrescenta muito ao currículo cela. A Columbia o vendeu por aqui como um thriller inspirado no melhor de Alfred Hitchcock, mas “Anatomia” está bem mais próximo da enxurrada de obras estilo terror teen do que nos inesquecíveis filmes do velho mestre do suspense (bom, pelo menos a capa do disco foi evidentemente inspirada em “Psicose”). Lembra particularmente o mediano “Lenda Urbana”. E tem um grave defeito: se leva a sério demais. Não custa nada lembrar que os melhores exemplos do estilo ganham tom de galhofa ou tiração de sarro explícita. Esse artifício garante bom humor e transforma em vantagem a fragilidade do elenco. Não é o que ocorre aqui, infelizmente.

O enredo é bem básico: estudante de Medicina (Franka Potente, estranhamente fraca e sem garra) suspeita que uma sociedade secreta esteja cometendo assassinatos ao realizar autópsias em pacientes vivos, de forma clandestina, numa prestigiada universidade alemã. A abertura do filme, com uma seqüência em que um jovem dopado acaba lentamente retalhado por dois mascarados enquanto olha tudo, aterrorizado, é a melhor da obra. Depois, tudo vira lugar comum. O roteiro é previsível; as atuações, fracas; a fotografia, escura e sem brilho. Há as tradicionais cenas de sexo e as óbvias mortes violentas. Para quem gosta do estilo, pode valer a pena. O DVD está recheado com comentário em áudio do diretor, duas cenas cortadas e dois making of, tudo com legendas… em inglês.

– Anatomia (Anatomy, Alemanha, 2000)
Direção: Stefan Ruzowitzky
Elenco: Franka Potente, Benno Fürmann, Anna Loos, Traugott Buhre, Rudiger Vogler
Duração: 95 minutos

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