Animal

11/06/2005 | Categoria: Críticas

Rob Schneider apresenta humor grosseiro em comédia previsível e com elenco fraco

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★½☆☆☆

Uma maneira infalível de fazer dinheiro nos Estados Unidos, para os comediantes, é investir em produções de baixo orçamento com humor grosseiro. Só isso explica a existência de pérolas do mau gosto como “Animal” (EUA, 2001), filme que tem como único atrativo o nome do protagonista, o comediante Rob Schneider. Rei da baixaria oriundo do famoso programa “Saturday Night Live”, Schneider engrenou uma carreira lucrativa nos cinemas fazendo filmes como esse: apelativos, previsíveis e de humor duvidoso.

A rigor, não existe trama em “Animal”. Ou melhor, a trama é insípida e convencional. Schneider interpreta Marvin Mage, um aspirante a policial que nunca conseguiu passar do papel de escrivão por falta de aptidão física. Apesar do desejo ardente de ser um policial, o sujeito é tão fraco que sempre urina nas calças quando tenta realizar o teste físico necessário para iniciar a carreira como detetive. O que muda a vida dele é um grave acidente automobilístico que exige o transplante de diversos órgãos de animais para salvar a sua vida.

Dessa forma, Marvin se torna uma espécie de super-homem com cara de cachorro pidão e corpinho de ex-atleta. Ele ganha o faro de um cão de caça, o fôlego de um cavalo de corrida, a visão acurada de um gato, a força física de um touro. Dessa maneira, começa a se destacar no trabalho policial (consegue, por exemplo, farejar papelotes de cocaína escondidos no… bem, dentro da cueca de um respeitável engravatado que se prepara para embarcar em um avião).

Para completar, Marvin também consegue um interesse romântico que é reforçado pelas qualidades recém-adquiridas. Ela é Rianna (Colleen Haskell), uma ativista pró-direito dos animais, garota naturalista e um tanto avoada que compartilha com Marvin um suposto amor pelos bichanos. Há também um antagonista: o sargento Sisk (John C. McGinley), brutamontes musculoso que é a estrela da força policial da cidade e vê o reinado ameaçado pelo novato esquisitão.

Schneider repete a fórmula do sucesso anterior, “Gigolô Por Acidente”, de 1999, e faz um filme amparado em humor físico e piadas rasteiras. Em uma das seqüências, por exemplo, Marvin e Sisk vão interrogar um fazendeiro e o policial se engraça com uma cabra no cio, terminando por levar um tremendo coice quando tenta passar uma cantada na bichinha. Tem quem goste desse tipo de humor, mas ele só parece adequado, no máximo, a uma sessão da tarde largado diante da TV, sem preocupação com o que se está vendo.

Além disso, o diretor Luke Greenfield deixa a desejar, especialmente na hora de dar instruções aos atores. McGinley está claramente atuando de forma exagerada, sem contudo parecer engraçado, enquanto a novata Colleen Haskell (que nem é atriz, mas destacou-se como participante de um reality show nos EUA e foi escalada para aproveitar a popularidade) não muda a expressão facial nunca, como um Ricardo Macchi de saias. Se há algum destaque no elenco é o próprio Schneider, que tem bom timing cômico.

É interessante notar que o DVD nacional de “Animal” tem uma boa quantidade de extras, mas todos estão sem legendas em português. O filme marca presença com o corte original (widescreen) e tem som Dolby Digital 5.1 em inglês e português. Há dois comentários em áudio (um com Schneider e produtores, outro com o diretor), dois documentários de bastidores (22 e 8 minutos), uma galeria de cenas cortadas (quatro, no total, mas nenhuma com mais de um minuto), um jogo interativo, quatro trailers e um extra chamado “entrega especial”, que apresenta pequenos featurettes que podem ser acessados, via controle remoto, durante a exibição do filme.

– Animal (EUA, 2001)
Direção: Luke Greenfield
Elenco: Rob Schneider, Colleen Haskell, John C. McGinley, Edward Asner
Duração: 90 minutos

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