Arrasta-me Para o Inferno
01/12/2009 | Categoria: CríticasSam Raimi volta às origens e mistura horror gosmento com humor em filme divertido, mas que peca pelo uso excessivo de CGI
Por: Rodrigo Carreiro
NOTA DO EDITOR: 




A maneira como o público recebe cada novo lançamento de um filme de gênero tem muito a ver com as safras recentes deste mesmo gênero. Essa característica precisa ser levada em consideração, especialmente, quando um novo exemplar cai nas graças simultâneas de público e crítica, como aconteceu com “Arrasta-me Para o Inferno” (Drag me to Hell, EUA, 2009). De modo geral, o longa-metragem foi saudado como o tão esperado retorno de Sam Raimi ao gênero híbrido de horror gosmento e comédia que o consagrou no início da carreira. O fato é que, embora tenha momentos ocasionais assustadores e divertidos (ou simultaneamente ambos, em pelo menos um par de cenas), o título está longe, longe, longe de merecer o rótulo de obra-prima que boa parte da crítica norte-americana lhe grudou.
“Arrasta-me Para o Inferno” soa, de fato, como uma espécie de passeio no parque para um cineasta que passou uma década inteira enfiado até o nariz numa franquia (“Homem-Aranha”) que lhe transformou em cineasta rico e poderoso, ao mesmo tempo em que lhe restringia severamente os movimentos criativos. O fato de o roteiro deste filme estar pronto desde 1992 (foi escrito mais ou menos na época em que Raimi encerrou a trilogia “Evil Dead”, com a qual guarda semelhanças inquestionáveis) mostra-se bastante significativo, tanto quanto a quantidade maciça de efeitos digitais computadorizados que Raimi utiliza para construir visualmente as seqüências de exorcismo e aparições fantasmagóricas que pontuam a ação.
A chave para compreender as virtudes e (principalmente) os problemas de “Arrasta-me Para o Inferno” talvez esteja nos logotipos da produtora Ghost House (propriedade do próprio Raimi) e do estúdio Universal, apresentados logo no início da projeção. O primeiro é uma legítima caveira 2D canastríssima, bem na linha dos trabalhos de horror B que William Castle fazia nos anos 1950-60; o segundo consiste no logo original que a Universal utilizava no início dos anos 1980, quando Raimi começou no cinema, fazendo autênticos festivais de sangue e tripas à base de truques de maquiagem, próteses de borracha e efeitos em stop motion. Indo direto ao ponto, um espectador atento percebe, antes mesmo de o filme começar, que “Arrasta-me Para o Inferno” tenta emular a experiência dos filmes B baratos, de horror e ficção científica, que se via nos drive-ins de antigamente.
Em espírito, trata-se da mesma operação realizada por Robert Rodriguez em “Planeta Terror” (2007). E Sam Raimi cometeu o mesmo engano fatal, ao decidir declinar do uso de efeitos mecânicos e/ou práticos à moda antiga para mergulhar de cabeça no CGI. O resultado é um pastiche nitidamente falso da sensibilidade gore que o diretor desejava capturar; um horror B com gosto de plástico, que se torna cada vez mais histérico e sem graça à medida que o filme se aproxima do final. O pior de tudo é que algumas das cenas supostamente de maior impacto – como aquela que mostra um homem cuspindo um gato inteiro pela boca, e o manjadíssimo “final-surpresa” – são diluídas por efeitos digitais de qualidade no mínimo duvidosa.
Os problemas não param nos efeitos digitais. Há problemas, por exemplo, na construção de personagens coadjuvantes, como Clay (Justin Long), o noivo da protagonista Christine (Alison Lohman). A função do rapaz é absolutamente nula, em termos de narrativa; ele simplesmente poderia ser eliminado do filme, sem qualquer prejuízo para a trama. Está ali, aparentemente, para permitir que Raimi insira alguns diálogos explicativos entre ele e a noiva (o que denota falta de confiança no próprio roteiro, escrito pelo diretor com o irmão Ivan) e, talvez, para angariar dinheiro à produção, já que o personagem é freqüentemente mostrado usando notebooks e acessórios da Apple (vale lembrar que o ator é garoto-propaganda da marca na vida real, o que deixa o merchandising ainda mais explícito).
Para piorar tudo, Clay é uma nulidade também como personagem, um bananão sem interesse. Isso prejudica seriamente a empatia do público com Christine, ambiciosa funcionária de um banco que recusa o prolongamento de um empréstimo a uma velha cigana (Lorna Raver) para conseguir uma promoção no trabalho. O que se segue é o lançamento de uma maldição que põe um poderoso espírito do mal no encalço da moça. Infelizmente, a personagem mais interessante – a velha cigana, filmada em deliciosos e exagerados planos-detalhes que enfatizam o grotesco da criatura – passa pouco tempo em cena.
Se “Arrasta-me Para o Inferno” não chega a ser uma decepção, é graças ao primeiro ato da história, filmado com perfeito controle de câmera – entendemos através dos cortes e composições visuais o drama pessoal que leva Christine a agir como uma imbecil – e uso generoso do desenho de som hiper-real, que alterna silêncio e ruídos naturais amplificados em doses cavalares para criar momentos de pura tensão, como o aterrorizante dia que Christine passa sozinha em casa, acompanhada apenas por sombras furtivas.
Além disso, a cena do ataque da velha no estacionamento e a seqüência do jantar na casa dos sogros da moça são duas jóias do horror cômico para ninguém botar defeito, daquelas que você toma susto e ri ao mesmo tempo. Com mais ousadia no terceiro ato, menos CGI e personagens mais irreverentes, “Arrasta-me Para o Inferno” poderia ser um filmaço; do jeito que está, é apenas um trabalho OK de um diretor mais capaz do que isso.
O DVD da Universal é simples e traz o filme com qualidade OK de imagem (widescreen anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1). O extra mais importante é um documentário (35 minutos) sobre a produção.
- Arrasta-me Para o Inferno (Drag me to Hell, EUA, 2009)
Direção: Sam Raimi
Elenco: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, Dileep Rao
Duração: 99 minutos


(26 votos. Média de 3,62 em 5)


concordo com relacão aos efeitos. Mais acho a função do sempre competente Justin Long válida. Faria algo diferente no final. Para os mais destraídos, pode impactar a “surpresa” manjada do final. Além do humor característico de Sam Raimi, o filme tem um par de cenas brilhantes. Não preciso dizer quai são.
Eu recomendo muito.
Gostei muito do filme, mas achei o final um pouco covarde. Sam Raimi optou por um desfecho moralista, que tira um pouco da interpretação do espectador. Caso Cristine tivesse mandado o Stu para o inferno para conseguir subir na carreira, da mesma forma que negou o empréstimo a cigana, o filme ganharia em termos de crítica a individualidade da sociedade. E ainda teria uma brincadeira com o título: afinal, depois de ter passado por cima de duas pessoas para conseguir vencer na vida, a protagonista já não estaria no inferno?
o direitor compreende que os sustos não vêm de efeitos digitais bem realizados e CGI mas de climas bem estabelecidos de tensão, algo no que ele é mestre, com a computação gráfica sendo apenas mais uma ferramenta, não o astro, mostrando isso principalmente por sua predileção por efeitos práticos.
Provando sua competência no gênero que o consagrou, Sam Raimi explora com sabedoria a construção dos personagens e da trama que os cercam, amarrando a narrativa, tornando-a coerente e explorando os muitos finais possíveis para esse novo clássico do gênero.
NA MINHA OPINIÃO, EXTREMAMENTE RECOMENDADO
Para quem já assistiu, O exorcista, Espiritos, Os estranhos, O Ilumindado, dentre outros, não pode considerar no mínimo razoavel esse filme, ele é terrivel, as cenas que teriam a inteção de provcar susto não surtiram efeito, foi de muito prache, a história ridicularmente previsivel do começo ao fim, as cenas terrivelmente mal feitas, em pleno século XXI não há necessidade de se fazer um filme com cenas tão mal elaboradas, a cena em que os olhos da velha pulam foi ridicula, quem assistiu ao Albergue sabe o que é um olho de verdade…
A atriz é pessima, nos momentos em que ela deveria mostrar talento, ela falhou, sem segurança nas cenas, o exorcismo foi um dos piores que eu ja vi, não vejo pontos positivos sinceramente…
Se ainda assim quiserem ver o filme, fiquem em suas casas e vejam pelo computador, não paguem ingesso de cinema, não vale a pena… Ainda bem que hoje eu vi “Se beber não case” pelo menos isso valeu a pena…
e gostei da ideia do leandro p o final, realmente ficaria melhor, achei mto o fim mto redentor…
SPOILER
na hora pensei (mesmo com o namorado mostrando o botão na minha cara) que ela foi levada para o inferno mesmo tendo conseguido passar a maldição pra cigana. ou seja, não teve jeito, o dito cujo queria ela mesmo. só em casa eu fui perceber que não, que ela não conseguiu passar adiante. e que talvez ela tivesse conseguido se salvar.
você achou o final redentor? como assim?
E isso é um elogio