Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3D, As

12/01/2006 | Categoria: Críticas

Robert Rodriguez dirige segunda experiência em três dimensões corrigindo defeitos da primeira

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

A maioria dos cineastas que se dedica a filmar aventuras para crianças trabalha tentando imaginar que tipo de enredo os pequenos gostariam de ver na tela. Robert Rodriguez não. O cineasta texano mais independente do planeta preferiu uma maneira mais simples de fazer um filme infantil: pediu ao filho de 7 anos, Racer Max, que escrevesse uma história. Em cima desse argumento, criou um roteiro e o filmou, com orçamento minúsculo. O resultado é o esperto “As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D” (The Adventures of Sharkboy and Lavagirl in 3-D, EUA, 2005), um filme eficiente que usa, pela segunda vez na carreira do diretor, a tecnologia de três dimensões.

Concebido como projeto paralelo ao ambicioso “Sin City”, o longa-metragem infantil foi escrito durante as filmagens do noir estilizado, e filmado enquanto a parceria com Frank Miller seguia para a pós-produção. Rodriguez o fez para descansar a cuca da complicada produção do filme anterior, que precisava alinhavar as agendas de quase 20 astros do cinema norte-americano. “As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D”, ao contrário, não tem atores famosos. Foi filmado com poucos cenários reais, muita computação gráfica e em ritmo veloz, quase a toque de caixa. O resultado consegue passar para a tela toda a despretensão e a diversão genuína do diretor com o projeto. O resultado é muito interessante.

O filme narra uma aventura de dois personagens criados pelo filho de Rodriguez. Sharkboy (Taylor Lautner) é um menino criado por tubarões. Lavagirl (Taylor Dooley), uma garota incandescente que solta lava pelas mãos. Os dois são habitantes de um planeta imaginário inventado por Max (Caden Boyd). Um dia, ambos aparecem em carne e osso para o espantado garoto, pedindo que ele volte a sonhar com o universo de fantasia, ou do contrário o vilão mecânico Dr. Elétrico (George Lopez) vai acabar com o mundo imaginário.

Não seria exagero descrever “As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D” como uma espécie de Peter Pan do século XXI. A proposta de Robert Rodriguez é criar um pequeno épico infantil sobre a importância de manter a habilidade de sonhar para escapar das tensões do cotidiano. Para as crianças, funciona que é uma maravilha: o ritmo é agitado, os diálogos são simples sem cair na pieguice e o visual, repleto de cores fortes e primárias, é deslumbrante. A fartura de cores primárias é explicada pelo uso da tecnologia de 3-D, já que os óculos azuis e vermelhos necessários para visualizar o filme com essa tecnologia atrapalham a boa definição de cores na tela.

É preciso ressaltar que, dessa vez, o uso dos efeitos em 3-D está ainda mais caprichado, e em praticamente todas as cenas é possível se entreter com objetos que descolam da tela e passeiam pela sala do cinema. Todo o prólogo do longa-metragem, especialmente quando Sharkboy está na tela, é uma festa para os olhos, e os tubarões praticamente nadam em volta da platéia.

A estrutura narrativa de “As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D” é muito parecida com a produção anterior em três dimensões de Rodriguez, “Pequenos Espiões 3-D”. O cineasta, contudo, corrigiu pequenos defeitos, como a excessiva duração do filme de 2003 (“As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D” tem apenas 93 minutos, sendo 22 minutos mais curto). Além disso, a introdução e o epílogo foram filmados em duas dimensões mesmo (legendas na tela informam quando pôr e quando tirar os óculos especiais), o que dá à platéia a chance de aproveitar melhor o criativo uso de cores do diretor, que também fotografou, compôs parte da trilha sonora e editou a película.

“As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D” tem um único porém: não é o tipo de filme que um adulto vai realmente gostar de ver ao lado das crianças. Trata-se de um filme infantil clássico, sobre valores universais, mas que pode ser uma experiência fisicamente cansativa – não são muitas as pessoas que aguentar passar mais de 60 minutos com óculos de papelão atraplhando a visão. Há quem se queixe de dor de cabeça após uma sessão. Mas isso não tira os méritos do trabalho de Rodriguez e nem diminui a diversão da garotada.

O DVD da Buena Vista contém o filme (imagem wide anamórfica, som Dolby Digital 5.1 em inglês e português), comentário em áudio de Robert Rodriguez, trailer e entrevista com o pirralho Racer Max, autor do argumento.

– As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D (The Adventures of Sharkboy and Lavagirl in 3-D, EUA, 2005)
Direção: Robert Rodriguez
Elenco: Taylor Lautner, Taylor Dooley, Caden Boyd, George Lopez
Duração: 93 minutos

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