Bambi

27/10/2006 | Categoria: Críticas

Clássica animação de 1942 está disponível em DVD duplo recheado de extras

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★½

O megasucesso do primeiro longa-metragem de animação da história, “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937), deixou o visionário Walt Disney de olho gordo. Impressionado com a resposta entusiástica da platéia e dos críticos norte-americanos ao filme, o empresário não demorou a montar uma linha de produção gigantesca, a fim de lançar regulamente animações semelhantes. Entre os sucessores já engatilhados após a produção do primeiro filme, era “Bambi” (EUA, 1942) a grande aposta do criador do Mickey. Mas o longa, cuja produção durou nada menos do que seis anos ao custo recorde (para a época) de US$ 2 milhões, redundou em fracasso. Simplesmente não empolgou a grande massa.

Razões para isso não são fáceis de encontrar. Uma das possibilidades é que as audiências, inundadas de animações de ótima qualidade após o sucesso de “Branca de Neve” (o próprio estúdio Disney lançou, entre outros, “Pinóquio” e “Fantasia”, ambos revolucionários, em 1940), tenham deixado de ver esse tipo de filme como novidade. De qualquer forma, “Bambi” estava destinado a se tornar um clássico para todas as idades, e isso acabou não demorando a ocorrer. Em 1947, somente cinco anos após a estréia original, o longa recebeu novo lançamento nos EUA e, miraculosamente, a estratégia deu certo. Mais do que um sucesso, o filme virou um clássico infantil.

De fato, “Bambi” é um típico produto Disney, e representou um avanço tecnológico e tanto para a época em que foi feito. A história do cervo que é o príncipe da floresta segue os padrões narrativos estabelecidos pelo estúdio desde “Branca de Neve”: muitas e belas paisagens da natureza, poucos diálogos, trilha sonora sincronizada com os movimentos dos personagens (efeito que cria gags cômicas muito eficientes), humor ingênuo e infantil. A narrativa acompanha toda a vida de Bambi, do nascimento à fase adulta, incluindo momentos de sorriso (o animal desengonçado aprendendo a andar, a primeira paixão) e lágrimas (a morte da mãe, numa seqüência clássica que se tornou a mais famosa do filme).

Além disso, a qualidade técnica é deslumbrante, e significou uma clara evolução para a companhia do Pato Donald. Em “Branca de Neve” as paisagens de fundo eram pintadas com aquarela, em estilo bem diferente dos traços simples e quase caricaturais com que os personagens principais eram desenhados; já em “Bambi” esta diferença não existe, o que fica comprovado pelos movimentos fluidos de câmera, como na bela tomada de abertura, com um longo travelling lateral que vai descortinando paulatinamente toda a magnitude da floresta. Para os padrões atuais, “Bambi” pode parecer um tanto lento, mas experimente exibir o filme para uma criança e verá o brilho nos olhos que elas reservam para os programas mais divertidos.

A edição especial brasileira, da Buena Vista, vem em DVD duplo com uma batelada de extras. Para começar, o filme foi inteiramente restaurado, com 110.00 pinturas retocadas manualmente por uma equipe de digitadores, e trilha de áudio remasterizada com certificado THX. O resultado é uma qualidade de imagem (fullscreen 1.33:1) e som (Dolby Digital 5.1, em inglês e português) impecável. Um documentário sobre o processo de produção (70 minutos) completa o disco 1.

O disco 2 é dividido em três seções. A principal contém diversos featurettes (seis ao todo, que cobrem desde a criação dos desenhos até o processo de restauração, em aproximadamente 90 minutos) e um curta-metragem de 1937, além de duas cenas cortadas da edição final. A segunda seção traz jogos interativos para crianças. A última contém outros featurettes com brincadeiras infantis, como perfis dos personagens do filme e reportagens sobre os hábitos dos animais verdadeiros. Todo o material extra vem legendado em português.

– Bambi (EUA, 1942)
Direção: David Hand
Animação
Duração: 70 minutos

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