Busca Implacável
04/10/2008 | Categoria: Críticas |
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Curta e direta, tentativa francesa de criar um espião a la Jason Bourne derrapa na montagem estroboscópica e no preconceito xenófobo
Por: Rodrigo Carreiro
NOTA DO EDITOR: 




Até a década de 1980, mais ou menos, um espectador podia ter uma idéia razoável do filme que iria ver apenas olhando o país que o financiava. Produções francesas tinham certas características que as diferenciavam de italianas, que eram distintas das brasileiras, das argentinas, e assim por diante. Claro que o domínio dos Estados Unidos sobre o imaginário cinematográfico sempre foi grande. Em pleno século XXI, contudo, tornou-se esmagador. Na seara dos filmes de ação, apenas o idioma falado pelos personagens é capaz de indicar, para a platéia, a origem da obra em questão – e olhe lá. “Busca Implacável” (Taken, França, 2008) exemplifica bem esta tese. Tudo no longa-metragem – roteiro, atores, montagem e até mesmo o idioma – cheira a Hollywood, mas a produção carrega a bandeira da França.
Na verdade, o homem por trás de “Busca Implacável” é o mais norte-americanos dos produtores/cineastas franceses. Luc Besson, outrora diretor competente e estiloso (“Subway”), vem há alguns anos investindo muito dinheiro em um estilo de cinema mais comercial. Os filmes que levam as impressões digitais de Besson combinam alguns elementos do cinema europeu – uma trama mais solta, muitos diálogos, personagens um pouco mais desenvolvidos – com narrativas aceleradas. Com “Busca Implacável”, cujo roteiro foi co-escrito por ele, Besson desiste de manter o molho alternativo-europeu e mergulha de cabeça nos filmes de espionagem acelerados. “Busca Implacável” tenta produzir um herói aos moldes de Jason Bourne, o ex-agente secreto que protagonizou os melhores exemplares do gênero desde a grande fase de James Bond, nos idos dos anos 1970.
Bryan (o irlandês Liam Neeson) é o herói, um espião aposentado que destruiu um casamento por causa da excessiva dedicação à profissão. Na tentativa de reparar os erros do passado, ele agora se dedica a fazer pequenos trabalhos temporários como segurança, enquanto busca a reaproximação com a ex-mulher (a holandesa Famke Janssen) e com a filha adolescente (Maggie Grace, de “Lost”). Embora relute, ele permite que a menina embarque para a capital francesa, em uma viagem de férias com uma amiga da mesma idade. Durante a viagem, a moça acaba sendo seqüestrada por uma quadrilha de albaneses que se dedica ao tráfico de mulheres. A partir daí, Bryan precisa reativar as velhas habilidades investigativas para rastrear o paradeiro dos bandidos e impedir a filha de virar escrava sexual de algum milionário.
“Busca Implacável” tem o DNA dos thrillers de ação acelerados que os grandes estúdios norte-americanos produzem aos borbotões. Indo direto ao ponto sem perder tempo, o enredo evita aprofundar os personagens em demasia, fornecendo informações suficientes apenas para que a platéia saiba que Bryan sofre de remorso atávico por ter perdido a infância da filha para o trabalho. A missão de salvamento, para ele, representa uma oportunidade para restabelecer os laços afetivos com a garota. Embora possam parecer lógicas, os roteiristas fogem de diálogos que incluam qualquer coisa parecida com as duas frases anteriores, um subtexto talvez denso demais para uma platéia mais interessada em perseguições de carro, troca de sopapos e golpes impossíveis de artes marciais.
A investigação empreendida por Bryan é cheia de furos de lógica, mas a alta velocidade da narrativa faz que ninguém perceba direito o que está acontecendo na tela. Quer um exemplo? A partir da metade do filme, todos os personagens passam a falar entre si em inglês, embora estejam em Paris. Até mesmo os franceses. Em certa cena, que se passa numa sala cheia de albaneses, eles conversam entre si usando o idioma bretão (a não ser, convenientemente, num momento em que uma expressão em albanês torna-se importante para o avanço da narrativa). Noutro momento, Bryan aparece numa elegante festa da alta sociedade parisiense, onde os franceses conversam entre si em inglês.
O longa-metragem tem pancadaria e correria em fartas doses, e abusa do estilo de edição estroboscópico, tipo “piscou-perdeu”, com só que levado a cabo sem a brutalidade, o realismo e o senso de geografia que fazem a edição dos filmes da série “Bourne” ser o maior referencial para o gênero ação na atualidade. Um ponto positivo é a presença cênica de Liam Neeson, que usa o aprendizado adquirido em papéis coadjuvantes de outros filmes de ação (“Star Wars – A Ameaça Fantasma” e “Batman Begins”) para criar um personagem relativamente verossímil. A escalação de Maggie Grace, por outro lado, bate na trave, pois a atriz é velha demais para o papel, e não convence nem a pau como menina virgem. Ainda assim, a ação curta e direta, a simplicidade do enredo e as emoções envolvidas – acompanhar um pai tentando salvar uma filha é um ato com que todo mundo pode se identificar – garante que a platéia acompanhe tudo com interesse até o final, por mais previsível que ele pareça.
O maior problema de “Busca Implacável”, na verdade, nem está na parte técnica. O longa reforça o retrato preconceituoso e xenófobo que muitas produções contemporâneas fazem das comunidades oriundas do Leste europeu e encravadas nas capitais do Velho Continente. O argumento criado por Luc Besson, por exemplo, bebe da mesma fonte que gerou porcarias como “O Albergue”, de Eli Roth, nas quais transparece a idéia de que qualquer norte-americano que pise fora do país de nascimento sofre perigo potencial de virar saco de pancadas para algum integrante da elite de um povo “inferior”. O produtor e roteirista francês provavelmente nem pensou nisso. Subtexto, afinal de contas, é o tipo de sutileza narrativa para a qual os homens de negócio envolvidos com cinema não dão a menor bola.
- Busca Implacável (Taken, França, 2008)
Direção: Pierre Morel
Elenco: Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen, Leland Orser
Duração: 93 minutos


(7 voto(s), média de 3,29 em 5)


Se for analisado só como entretenimento, atinge o objetivo com louvor.
pensando por outro lado
será que o tráfico de mulheres não deve ser considerado?
será que não existe exatamente como eles mostraram?
podeiramos procurar outras qualidades nesse filme.. poderiamos pensar que é masi para abrir os olhos da população.. ( claro que não devemos agora ficar trancados em casa) mas pelomenos ódio da pra ter
está certo que é meio mentiroso em sua ação
mas faz com que você pense duas vezes nesse assunto
isso realmente existe e realmente poderia te sido com a filha de qualquer um
fiquei de cara com o filme
Preconceito? Existe em todo lugar… é uma merda mas.. todos sentem.
Liam Neeson Rulez
hahaha
Esse cara que fez essa análise tá analisando a porra do filme como se fosse um documentário, e não é assim que deve ser feito, o preconceito existe em todo lugar, como já disseram, o cara ta pensando em fazer um filme pra ganhar dinheiro fera, o resto que se foda, o filme tinha que ter um vilão né?
Vi o filme, achei sensacional, visto como um entreterimento.
Um gentleman, esse rapaz aí em cima…
A mim pareceu destacar o arquétipo do herói (pai) na pele do protagonista, representado pelo Liam que acho um ator muito expressivo.
Gostei muito da lente apurada do Rodrigo, sobretudo para mim que curto muito cinema, mas não consigo discernir bem os aspectos mais técnicos, tipo: direção, produção, montagem, edição etc.
RECOMENDO.
E quanto ao fato do preconceito, acho que o Fausto falou algo certo: O filme tinha que ter um vilão.
Podia ser francês, brasileiro, ou até mesmo americano, de qualquer jeito seria um preconceito, então acho que o melhor a fazer é ver o filme como uma forma de divertimento e não tentar fazer ligações a triste realidade que nós vivemos
Serve apenas como entretenimento.
Me espantou a capacidade do personagem do Liam Neeson, que tem ótima participação, andar sempre desarmado.
Ele correndo atrás do carro tb foi um tanto patético. Sem necessidade.
Enfim, um filme despretencioso.