Caçador de Assassinos

05/09/2006 | Categoria: Críticas

Primeira aparição do inesquecível Hannibal Lecter nos cinemas é um thriller inteligente

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

O único crédito digno de nota do cineasta Michael Mann em meados dos anos 1980 era a produção executiva da telessérie “Miami Vice”. Na época, o futuro diretor de “Fogo Contra Fogo” e “Colateral” teve a grande sacada de enxergar, na obra do romancista Thomas Harris, material potencialmente cinematográfico. Foi pioneiro neste aspecto, ao escrever o roteiro e dirigir a primeira aparição nas telas do assustador psicopata Hannibal Lecter, um dos personagens mais inesquecíveis nos anos 1990. Não é pouca coisa, embora em “Caçador de Assassinos” (Manhunter, EUA, 1986) o psiquiatra canibal se chame Lecktor, apareça em apenas duas cenas e não seja interpretado pelo inglês Anthony Hopkins.

Na verdade, o romance que originou o longa-metragem foi o primeiro a apresentar o personagem, na cronologia do homem que o criou. O livro que questão se chama “Dragão Vermelho”; com este mesmo título, a trama chegou novamente aos cinemas em 2002, dirigida por Brett Ratner, desta vez com a presença de Hopkins. Basicamente, as duas produções são muito parecidas e contam a mesma história. As poucas diferenças se resumem à ampliação da participação de Lecter na história. De resto, “Caçador de Assassinos” é um thriller inteligente, prato cheio para os amantes de boas histórias policiais.

O protagonista é o detetive aposentado Will Graham (William Petersen, fazendo uma espécie de ensaio para o personagem que veio a interpretar depois, na série de TV “C.S.I.”). Responsável pela captura de Lecktor, o agente federal foi aposentado depois de ter sido seriamente ferido pelo assassino. No entanto, o antigo chefe (Dennis Farina) o convoca para ajudar a capturar um novo lunático, que chacina família durante as luas cheias. Eles têm três semanas para conseguir localizar o criminoso, partindo do zero.

Graham é um detetive moderno, que usa mais o poder privilegiado de observação e o raciocínio lógico e menos a força bruta. Tem um talento natural para descobrir pistas onde olhos comuns nada vêem, e este detalhe é algo que sempre funciona com eficiência em thrillers sobre assassinos seriais. O elenco está bem, em particular Tom Noonan, que interpreta com autoridade o autodenominado matador Dragão Vermelho. O escocês Brian Cox faz um excelente Lecktor, já exibindo o mesmo ar insolente e as idéias geniais que o personagem teria nas mãos de Anthony Hopkins.

No entanto, está claramente em Lecktor o único problema de “Caçador de Assassinos”, pois não é preciso que ele apareça em mais do que duas cenas curtas para que fique evidente: como personagem, Lecktor é muito mais fascinante do que o criminoso que Will Graham persegue neste filme. Ou seja, como espectador, a sensação ao terminar a projeção é de que seria mais interessante se Michael Mann tivesse se dedicado a contar a história da caçada e da prisão de Lecktor, ao invés de acompanhar o agente que o prendeu tentando rastrear um criminoso claramente inferior. Isso posto, “Caçador de Assassinos” vale a pena e tem público certo.

O DVD da Aurora contém apenas o filme, com o formato de imagem original mutilado nas laterais (fullscreen 1.33:1) e som apenas razoável (Dolby Digital 2.0). Há diversas edições norte-americana, todas bem melhores, com enquadramento preservado (2.35:1, bem mais largo), áudio em cinco canais (DD 5.1), comentário em áudio de Michael Mann, cenas excluídas, featurettes enfocando a equipe técnica e até uma versão do diretor, com cinco minutos a mais.

– Caçador de Assassinos (Manhunter, EUA, 1986)
Direção: Michael Mann
Elenco: William Petersen, Brian Cox, Joan Allen, Denis Farina
Duração: 119 minutos

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