Caçadores da Arca Perdida

20/05/2008 | Categoria: Críticas

Primeira aventura do arqueólogo atrapalhado define perfeitamente os elementos que fazem o fascínio da série

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★★

“Caçadores da Arca Perdida” (Raiders of the Lost Ark, EUA, 1981) marcou um dos passos mais importantes na consolidação do nome de Steven Spielberg como o maior cineasta de Hollywood, na década de 1980. A película apareceu num dos momentos mais criativos do futuro diretor de “A Lista de Schindler”. Ele já havia feito um tremendo sucesso com “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) e inventado a expressão blockbuster, depois do sucesso esmagador de “Tubarão” (1975). Quando partiu para dirigir o projeto original de George Lucas, Spielberg só queria se divertir. Conseguiu – e de quebra proporcionou diversão idêntica para alguns milhões de espectadores, criando um dos maiores ícones do cinema nos últimos 20 anos.

O primeiro filme da trilogia já contém todos os elementos que fariam a fama de Indiana Jones. A seqüência de abertura, contendo uma aventura de tirar o fôlego; a primeira cena, que sempre apresenta uma montanha se fundindo com o logotipo da Paramount; o medo de cobras e a personalidade teimosa do protagonista; o jeito meio trapalhão porém corajoso de se meter em aventuras que ninguém mais teria coragem de encarar; o charme que exibe com as mulheres. Tudo isso está no filme. O longa-metragem permanece como o favorito dos fãs, mas há algumas observações que devem ser feitas. Ele possui um ritmo levemente mais lento do que os dois sucessores, o que é interessante de perceber. Na época, afinal, Hollywood estava em pleno processo de aceleração das tramas desse tipo de aventura.

O enredo é muito simples, pondo Indiana (Harrison Ford) no rastro de uma arca de ouro que supostamente contém as tábuas originais contendo os dez mandamentos, cunhadas por Moisés. O professor fica sabendo que os nazistas (o filme se passa em 1936) descobriram indícios do tesouro arqueológico, e estão escavando uma cidade egípcia para desenterrá-lo. Indy e os vilões travam uma corrida contra o tempo, a fim de encontrá-lo. No caminho, nosso herói ainda encontra tempo para se envolver com a bela e cachaceira Marion Ravenwood (Karen Allen), a primeira das muitas beldades que lhe perseguiriam nos filmes seguintes. Também enfrenta os nazistas em várias seqüências de tirar o fôlego do espectador. Os últimos 45 minutos, em que fica preso dentro de uma pirâmide, pula de um avião, persegue um caminhão a cavalo e pula de um navio para ir atrás de um submarino são literalmente antológicos.

Feito como homenagem as aventuras da matinês de sábado dos anos 1930, “Caçadores da Arca Perdida” vai mais longe, estabelecendo um parâmetro para filmes de ação que ainda não foram igualados (no máximo pelos demais filmes da série, cujos links estão logo abaixo). No DVD de 2003, o filme está com imagem (widescreen 2.35:1 anamórfica) e som (Dolby Digital 5.1) restaurados. A edição de 2008 é idêntica, acrescida de introdução com o diretor e George Lucas (7 minutos) e um par de featurettes sobre aspectos dos bastidores.

– Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, EUA, 1981)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Harrison Ford, Karen Allen, John Rhys-Davies
Duração: 115 minutos

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