Cara Quase Perfeito, Um

25/02/2007 | Categoria: Críticas

Comédia yuppie-existencialista de Mike Binder tem bons momentos cômicos e um roteiro bobão

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Jack Giamoro (Ben Affleck) é um dos jovens agentes mais promissores de Hollywood. Embora ainda não represente nenhum grande ator ou diretor, a firma que dirige está indo tão bem que isso não deve demorar a acontecer. O cara é casado com uma linda modelo (Rebecca Romijn), tem uma casa sensacional e um carro do ano. Na aparência externa, portanto, Giamoro vai de vento em popa. No íntimo, porém, ele não se sente nada bem. Desconfia que está sendo traído pela mulher e percebe que bons clientes são cada vez mais raros. Logo, chantagem e assaltos bizarros vão se juntar à lista crescente de tragédias que assolam a vida pessoal e profissional do rapaz. Esta é a história de “Um Cara Quase Perfeito” (Man About Town, EUA, 2006), filme pop-engraçadinho de Mike Binder que poderia ser rotulado como uma comédia yuppie-existencialista.

Na realidade, “Um Cara Quase Perfeito” se encaixa bem no subgênero de filmes norte-americanos que buscam desvendar os bastidores da indústria cinematográfica. A inspiração maior vem de “O Jogador” (1992), de Robert Altman, cujo protagonista parece ter sido clonado pelos roteiristas no personagem principal deste longa. Jack Giamoro também é um executivo de médio escalão que enfrenta problema atrás de problemas, o que acaba tornando-o paranóico, desconfiado e, em última instância, infeliz. Binder, porém, é esperto o suficiente para compor o personagem com pitadas de “Jerry Maguire” (1996). No fundo, a jornada de Jack Giamoro é uma variação simpática da história do executivo que precisa reaprender os valores básicos do “american way” (família e amor na frente do dinheiro), perdidos no processo de crescimento profissional.

É um filme tremendamente irregular. Há ótimas cenas cômicas (a melhor delas, digna de grandes gargalhadas, acontece após uma visita inesperada de Giamoro ao dentista), mas freqüentemente o filme descamba para o exagero, como ocorre na seqüência da fuga do restaurante chinês e principalmente no clímax, que inclui uma série de coincidências inaceitáveis dentro da agência de Giamoro. Além disso, Binder é um diretor que adora utilizar truques de edição para criar transições criativas (câmera hiperacelerada para “percorrer” o caminho entre dois pontos de Los Angeles), mas certamente exageradas e que acabam por estetizar excessivamente o resultado final.

De qualquer forma, “Um Cara Quase Perfeito” não é uma típica comédia descerebrada norte-americana, já que a jornada emocional do protagonista é cheia de lances dramáticos, que dão mais oportunidades aos atores do que o habitual. O elenco, porém, não corresponde muito bem. Affleck é apenas esforçado e se sai melhor nos momentos cômicos do que nos dramáticos, mas quem realmente rouba a cena é Rebecca Romijn, cada vez mais segura (e mais linda!). Trata-se, portanto, um filme mais adequado aos admiradores de dramas cômicos de baixo orçamento, como “Transamérica” (2005) ou mesmo “Pequena Miss Sunshine” (2006), elogiada comédia agridoce independente da mesma safra.

O DVD nacional é um lançamento da Imagem Filmes. O disco é simples e traz como extra apenas um segmento de entrevistas. A cópia, com imagem widescreen anamórfica e áudio Dolby Digital 5.1, está boa.

– Um Cara Quase Perfeito (Man About Town, EUA, 2006)
Direção: Mike Binder
Elenco: Ben Affleck, Rebecca Romijn, Bai Ling, Gina Gershon
Duração: 96 minutos

| Mais


Deixar comentário