Casa do Lago, A

10/12/2006 | Categoria: Críticas

Drama romântico abraça com força os clichês e funciona apenas para casais enamorados

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★½☆☆☆

Um dos elementos mais elogiados da aventura “Velocidade Máxima”, de 1994, foi a química demonstrada pelos dois protagonistas, então astros em ascensão, Keanu Reeves e Sandra Bullock. Doze anos depois, um dos objetivos de “A Casa do Lago” (The Lake House, EUA, 2006), romance açucarado com um toque de realismo fantástico, parece ser justamente reacender a faísca mágica que os fez conquistarem uma legião de fãs. Infelizmente, a fagulha não funciona desta vez, e o filme jamais consegue ser mais do que pretexto burocrático para casais apaixonados trocarem beijos durante um par de horas.

Para começar, a história – surpreendentemente escrita por David Auburn, dramaturgo vencedor do prêmio Pulitzer, um dos mais importantes do mundo – é derivativa demais e nem um pouco original. A casa do título, uma mansão de vidro localizada à beira de um lago, possui uma pequena caixa de correio que funciona como uma espécie de portal entre duas realidades temporais. O artefato mágico põe em contato um homem e uma mulher que residem na mansão isolada em momentos diferentes do tempo. O arquiteto Alex Wyler (Keanu Reeves) e a médica Kate Forster (Sandra Bullock) vivem ou viveram lá, respectivamente, em 2004 e 2006.

Eles trocam algumas cartas e se apaixonam. Descobrem que têm gostos parecidos. De fato, formam um clássico casal de dramas românticos: são solitários, leais e amorosos, e levam vidas infelizes – ou seja, são almas gêmeas que por infelicidade do destino não tiveram a chance de se conhecer. Alex, um arquiteto eclipsado pelo pai egocêntrico e genial, é quase um jovem ermitão enfastiado da humanidade. Kate, por sua vez, é uma médica que trabalha muito e não tem tempo para conhecer novas pessoas. As cartas de um se tornam refúgios de felicidade para o outro.

Para realmente apreciar um filme com personagens assim, é preciso estar apaixonado, ou pelo menos no clima certo de romance e fantasia. Um espectador em início de namoro tem boas chances de se identificar e se emocionar com cenas de romantismo incurável. Uma delas, talvez a melhor, ocorre quando depois que Alex ouve a amada dizer que sente saudades das árvores que circundam a casa no lago – de pronto, ele retira de lá uma muda e a planta na entrada do prédio onde sabe que, no futuro, Kate vai morar. Há outros acertos: canções de Nick Drake na trilha sonora e referências à escritora Jane Austen sublinham o clima melancólico que percorre a produção.

No entanto, o filme desaba por abraçar com força cada um dos clichês desse tipo de drama romântico. Observe, por exemplo, a inserção de cenas curtas dos personagens remoendo as dores de amor ao som de baladas, algo que praticamente todos os romances fazem sem pudor. Além disso, existe a indefectível iminência de tragédia que ameaça sepultar de vez as mínimas chances de que Kate e Alex se encontrem no futuro. Os diálogos travados, inclusive entre os dois amantes, não são nada inspirados. Às vezes fica até difícil de acreditar que uma pessoa normal pode se apaixonar por alguém apenas lendo palavras tão banais, tão bobas, que esse mesmo alguém lhe escreveu.

Ainda por cima, por azar, “A Casa no Lago” apresenta semelhanças enormes com outro romance de safra recente, a comédia “E Se Fosse Verdade”, que é bem superior. O longa-metragem de 2005 também usava o realismo fantástico para unir um casal separado no tempo, e a personagem principal também era uma médica sem tempo para as coisas simples da vida. Só que, naquele caso, havia química palpável entre os atores Mark Ruffalo e Reese Whiterspoon, e os diálogos tinham uma qualidade cômica que faziam do filme uma experiência bem mais agradável.

O DVD da Warner não tem extras, mas conta com boa qualidade de imagem (widescreen anamórfica) e som (Dolby Digital 5.1).

– A Casa do Lago (The Lake House, EUA, 2006)
Direção: Alejandro Agresti
Elenco: Keanu Reeves, Sandra Bullock, Shohreh Aghdashloo, Christopher Plummer
Duração: 105 minutos

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