Casamento Grego

01/01/2004 | Categoria: Críticas

Comédia de produção independente vira fenômeno de marketing, mesmo sem ter lá muita graça

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

Apesar deste ser um texto sobre cinema, os próximos parágrafos vão tratar de marketing. Atualmente, fazer um bom filme não garante bilheteria. Não é à toa que os estúdios costumam reservar um terço do orçamento dos filmes para as campanhas publicitárias. Marketing é tudo. Por isso, os executivos acompanharam, estupefatos, o sucesso avassalador da comédia “Casamento Grego” (My Big Fat Greek Weeding, EUA, 2002) nos EUA, no ano em que foi produzida.

O filme entrou em cartaz em abril, em míseras 108 salas, e teve uma renda mixuruca, abaixo dos US$ 600 mil em três dias. Ao invés das grandes produções, porém, que abocanham em média 40% das bilheterias no primeiro fim de semana e depois seguem ladeira abaixo, “Casamento Grego” fez uma trajetória oposta. Foi crescendo aos poucos e sete meses depois tinha lugar cativo entre no Top 10 dos EUA, com renda superior aos US$ 150 milhões. O filme fechou o caixa com US$ 240 milhões, um recorde impressionante.

A explicação para o sucesso inesperado, porém, também está no marketing. A estratégia dos produtores do filme (o astro Tom Hanks e a mulher dele, Rita Wilson) foi mandar o elenco fazer uma longa turnê, parando em cada cidade norta-americana com colônias gregas e divulgando o filme pessoalmente. Como se vê, a tática deu resultado. “Casamento Grego” pode, inclusive, virar uma sitcom semanal, em 2003, com a roteirista e protagonista Nia Vardalos comandando o mesmo elenco.

Quanto ao filme em si, a badalação é injustificada. “Casamento Grego” narra a história de Toula (Vardalos), uma garota grega que se apaixona por um descedente de irlandeses (John Corbett), para choque da família, que nunca viu nenhum membro casar com pessoas de outra nacionalidade. O filme é curto e agradável, perfeito para o fim de noite de um casal apaixonado, mas repete clichês de comédias românticas à exaustão. O destaque é a perfomance impagável de Michael Constantine, como o pai turrão de Toula. Já o problema está justo no que muita gente vê como o grande charme do filme: o retrato caricato (e até um pouco preconceituoso) que é feito da cultura grega. O DVD tem documentário e trailers.

Casamento Grego (My Big Fat Greek Weeding, EUA, 2002)
Direção: Joel Zwick
Elenco: Nia Vardalos, John Corbett, Michael Constantine
Duração: 97 minutos

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