Coma

23/09/2006 | Categoria: Críticas

Trama de mistério bem engendrada cumpre direitinho a função de divertir o espectador

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Embora tenha ficado conhecido principalmente como um milionário escritor de romances de aventura que viraram filmes de sucesso (“Jurassic Park”, “Twister”), Michael Crichton também se aventura atua como produtor e, eventualmente, dirige longas-metragens. O thriller “Coma” (EUA, 1978) foi seu segundo trabalho para o cinema, e também o mais conhecido. Amparado em uma trama de mistério bem engendrada, o filme conta com uma atmosfera correta de mistério e cumpre a função de divertir o espectador, apesar de não conseguir surpreender realmente o espectador em nenhum momento.

Curiosamente, Crichton não se debruçou sobre o próprio material que escrevia para se aventurar no cinema, preferindo adaptar para a telona um romance de sucesso nos EUA, em meados da década de 1970. O livro, escrito por Robin Cook, lançou uma onda de desconfiança sobre hospitais e serviços médicos em geral, e gerou uma série de outros livros similares escritos por Cook, todos de grande repercussão. “Coma” foi produzido com a intenção de ser um dos filmes mais populares de 1978, mas não fez tanto sucesso assim, e com o tempo acabou sendo esquecido.

A história é sobre a médica Susan Wheeler (Geneviève Bujold, então uma atriz promissora, mas que nunca decolou). Ela passa pela traumática experiência de ver a melhor amiga entrar em coma durante uma operação de rotina, no hospital em que trabalha. Ao investigar o caso, a médica descobre que a incidência de situações semelhantes – pessoas com morte cerebral após cirurgias bobas – vem crescendo muito no local. Assim, passa a desconfiar que algum tipo de experiência macabra esteja sendo conduzida lá, e decide investigar melhor o caso.

Crichton conduz corretamente a primeira metade do filme, quando dá enfoque ao estresse emocional a que Susan está submetida. Para piorar as coisas, ela vem trabalhando em excesso e está passando por uma crise conjugal com o namorado (Michael Douglas). Ele, aliás, acredita que as desconfianças de Susan não passam de paranóia provocada pelo estresse. Uma das boas sacadas da trama é que o filme não entrega o doce na boca do espectador cedo demais. Ou seja, no fundo a gente sabe que a teoria da médica está correta, mas não há como comprovar isso, e o filme lança pistas, aqui e acolá, de que ela pode estar errada.

De certa forma, é possível perceber em “Coma” uma influência nítida do trabalho de Roman Polanski, um dos cineastas de maior prestígio na época em que o longa-metragem foi produzido. O diretor polonês sempre foi um mestre em filmar tramas que nublavam os limites entre sonho e realidade, de forma que o público não sabia direito se as experiências vividas pelos protagonistas, em filmes como “O Bebê de Rosemary” e “O Inquilino”, estavam acontecendo de verdade ou só ocorriam na mente dos personagens. Como diretor, Michael Crichton está a léguas da excelência de Polanski, mas o filme tem atmosfera correta de tensão, uma direção de arte interessante – toda baseada em cores frias, azuladas – e o tradicional final intenso.

O DVD brasileiro, lançado pela Warner, é bem fraco. Tem apenas o filme, sem extras, e com cortes laterais que mutilam a fotografia original (o formato é 1.33:1, ou tela cheia). O som é só razoável (Dolby Digital 2.0).

– Coma (EUA, 1978)
Direção: Michael Crichton
Elenco: Geneviève Bujold, Michael Douglas, Elisabeth Ashley, Rip Torn
Duração: 113 minutos

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