Como Cães e Gatos

22/09/2003 | Categoria: Críticas

Paródia de filmes de James Bond põe cães e gatos como agentes secretos que lutam kung fu e falam como gente grande

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

O serviço secreto de uma nação poderosa está protegendo protege um cientista que trabalha num fórmula importantíssima. Essa vigilância é tão secreta que nem o próprio sujeito desconfia disso. O problema é que um país rival anda tentando se apoderar da fórmula. Esse é o enredo de “Como Cães e Gatos” (Cats & Dogs, EUA, 2001). Parece um thriller adulto de tirar o fôlego, mas não é nada disso. O elenco é formado por cachorros e gatos.

Bem, então como os atores se comunicam com o público, se falam entre si através de latidos e miados? Fácil: é que você, leitor incauto, não sabe que os bichanos são muito mais inteligentes do que você. Eles falam sim; falam melhor do que eu ou você, só que mantêm esse fato no mais absoluto segredo. O detalhe é que, se em “Babe – O Porquinho Atrapalhado” uma fazenda inteira se comunicava, nesse filme, os bichos vão muito além. Eles pilotam aviões, usam computadores e armas incrementadas, lutam kung fu melhor do que Keanu Reeves em “Matrix” e realizam assembléias secretas internacionais.

Já dá para perceber, então, a idéia básica do roteiro: transportar para o mundo dos animais domésticos, notadamente os arquiinimigos (e populares) gatos e cachorros, o universo dos filmes mais bacanas de suspense de espionagem. Há cinco anos, uma obra desse tipo seria tecnologicamente inviável, mas hoje não existe mais nada impossível em matéria de cinema. Com técnicas de computação gráfica e complicados macetes de sincronização labial dos bichos, tudo se resolve com perfeição. O resultado faz jús aos US$ 60 mihlões gastos na produção.

Claro que nada apareceu na moleza. A equipe técnica levou um ano selecionando os animais certos e passou os seis primeiros meses de 2000 treinando os bichos, com 50 especialistas. Enquanto isso, um time de técnicos em CGI (computação gráfica) criava bonecos eletrônicos e digitais dos protagonistas, além de inventar novas maneiras de realçar, no computador, as expressões faciais dos animais. A combinação das técnicas tornou o filme possível. O resultado foi aprovado pelo público americano e rendeu, em treze semanas, US$ 94 milhões nas bilheterias.

O único problema de “Como Cães e Gatos” está no roteiro. À primeira vista, parece que os produtores estavam preocupados demais com a verossimilhança dos efeitos especiais para se dar conta de que o texto tinha que se muito bom. Não que a trama seja ruim, longe disso, mas dói de tão previsível. Se as aventuras simplórias não chamam muito a atenção dos pais, contudo, funciona que é uma maravilha para os baixinhos. E os pais sempre podem encher os olhos com as maravilhas da tecnologia.

Por fim, o elenco humano é a maior das piadas, a única realmente engraçada para sujeitos com mais de 18 anos: Jeff Goldblum (“Parque dos Dinossauros”) está literalmente ridículo e Elizabeth Perkins (“Os Flintstones”) consegue igualá-lo em canastrice. Na dúvida, prefira os sempre ótimos filmes da Pixar.

– Como Cães e Gatos (Cats & Dogs, EUA, 2001)
Direção: Lawrence Guterman. Com Jeff Goldblum, Elizabeth Perkins, Alexander Pollock Duração: 80 minutos

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