Corrida Mortal

12/02/2009 | Categoria: Críticas

Músculo, porrada e testosterona: longa-metragem cumpre exatamente aquilo que o título promete. Nem mais, nem menos.

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

Um clichê muito utilizado por críticos de todo o mundo para se referir ao ator britânico Jason Statham é o rótulo de “Arnold Schwarzenegger do século XXI”. Isso acontece não apenas por causa do porte físico avantajado, mas sobretudo graças às escolhas dramáticas do rapaz. Quando se trata de assinar contrato para mais uma produção, Statham não dá a mínima bola para detalhes como composição de personagem e sofisticação da narrativa. O negócio dele é força bruta: músculo, porrada e testosterona. Levando isso em consideração, “Corrida Mortal” (Death Race, EUA, 2008) cumpre exatamente aquilo que o título promete. Nem mais, nem menos.

Apenas dois elementos na equação causam alguma surpresa ao espectador. O primeiro é a presença do veterano Roger Corman na lista de produtores. Na verdade, Corman (especialista em obras de baixo orçamento que começou nos anos 1950 e promoveu as estréias de muita gente importante, como Jack Nicholson) não esteve envolvido diretamente com o filme. Ele apenas assinou o roteiro e a produção do longa-metragem de 1975 em que “Corrida Mortal” foi baseado. O outro elemento, este bem mais surpreendente, é a presença da prestigiada atriz Joan Allen (“O Ultimato Bourne”) no papel de vilã máxima da produção. Experiente, Allen tem longa tradição em dramas políticos, mas nunca tinha aparecido antes um filme de entretenimento tipicamente adolescente e masculino, como “Corrida Mortal”.

A história, reescrita pelo diretor Paul S.W. Anderson (responsável pelo irregular “O Enigma do Horizonte”), tem espantosa semelhança com a aventura futurista “O Sobrevivente” (1987), estrelada justamente pelo ex-halterofilista austríaco que virou governador da Califórnia (EUA). A ação ocorre em 2012. O cenário, explicado através de letreiros no início do longa, é de tom distópico e pessimista. Uma onda de criminalidade varreu os EUA, culminando com a criação de uma prisão de segurança máxima chamada Terminal Island. Lá dentro, entre montanhas de ferro retorcido e concreto, acontece toda semana uma corrida com automóveis turbinados por armas pesadas. Os pilotos, equivalentes high-tech dos gladiadores romanos, são trucidados quando perdem. Se algum deles conseguir vencer cinco corridas seguidas, ganha a liberdade.

O espetáculo, visto on-line por milhões de internautas, é conduzido com mão de ferro pela diretora da penitenciária (Allen). Quando o piloto mais carismático sofre um acidente fatal, a apenas uma corrida de ser solto, ela arma uma cilada para o ex-motorista Jensen Ames (Statham), matando a mulher dele e montando a cena do crime de forma a culpá-lo. O objetivo, ao prendê-lo, é obrigar o cara a tomar o lugar do falecido – algo simples, considerando que o morto corria atrás de uma máscara. Jensen desconfia da armação e decide participar da corrida seguinte, só que com mais interesse em conseguir a vingança do que obter de volta a liberdade. A história repete todos os clichês possíveis: personagens estereotipados (todos os corredores são durões, cheios de tatuagens e cicatrizes), trilha sonora com colagens de trechos de metal e rap, montagem hiper-rápida e uma surpresinha bem antecipável no início do terceiro ato.

Paul. S.W. Anderson apimenta ainda mais as acusações de sexismo ao incluir no jogo um grupo de personagens femininas – garotas duronas de shorts jeans e camisetas brancas curtinhas – que atuam como “navegadoras” dos pilotos, ajudando-os durante as corridas. As meninas são filmadas sempre da mesma maneira, com câmera lenta e closes generosos de bundas, pernas e peitos. O roteiro é construindo seguindo-se a lógica de um videogame, em que o protagonista precisa avançar de fase em fase, com o nível de dificuldade subindo aos poucos, para obter um prêmio no final. Todos esses elementos compõem um filme brucutu, sem nenhuma sutileza. A favor de Paul W.S. Anderson, deve ser dito que ele entrega exatamente aquilo que se espera. Se você gosta de pancadaria e velocidade e não se importa com coisas como personagens consistentes e construção de narrativa, pode embarcar sem medo.

O DVD nacional leva o selo da Universal. O filme preserva o aspecto de imagem original (widescreen anamórfico) e traz áudio em seis canais (Dolby Digital 5.1).

– Corrida Mortal (Death Race, EUA, 2008)
Direção: Paul W.S. Anderson
Elenco: Jason Statham, Joan Allen, Tyrese Gibson, Natalie Martinez
Duração: 105 minutos

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