Criatura Maligna

14/08/2006 | Categoria: Críticas

Lucky McKee junta violência gráfica, humor e mulher pelada em divertido episódio de telessérie

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

Quem diabos é Lucky McKee? A pergunta é a primeira coisa que vem à mente após uma primeira olhada nos créditos de “Criatura Maligna” (Sick Girl, EUA, 2005), um dos últimos episódios da primeira temporada da telessérie “Mestres do Terror”. Uma pesquisa rápida indica que McKee é um novato, contando com apenas um longa-metragem no currículo antes de embarcar na premiada série. Dito assim, parece uma heresia que um diretor iniciante seja colocado ao lado de veteranos consagrados, como John Carpenter e Dario Argento. Isso posto, é preciso ressaltar que “Criatura Maligna” é divertido e tem todos os atributos para virar um dos episódios favoritos da série, pelo menos para os fanáticos por filmes de horror de baixo orçamento.

Como se sabe, dentro da produção deste gênero maldito, há alguns elementos que se repetem constantemente, como cenas de violência gráfica, mulher pelada, perversão sexual e/ou lesbianismo, imagens bizarras e humor histérico, bem campy. O público habitual destes filmes, em geral formado por homens jovens, se contenta em ver esses elementos recombinados ad infinitum, em inúmeras variações do mesmo conto. Sabendo disso, Lucky McKee entrega o tipo de película que essa turma adora, devidamente apimentado pela presença de uma “scream queen” (literalmente, “rainha do grito”, que são atrizes especializadas no gênero e com grande fama entre os aficionados): a gatinha Misty Mundae, que aparece aqui usando o nome verdadeiro, Erin Brown.

A história é surrupiada do clássico “A Mosca da Cabeça Branca” (1958), com pitadas generosas de humor e lesbianismo. A personagem principal é Ida Teeter (Angela Betis), uma solitária balzaquiana lésbica que tem uma verdadeiro obsessão por insetos e, por causa disso, trabalha como entomologista. Ela conhece e se apaixona por uma garota bem mais jovem, Misty Falls (Erin Brown), filha de um antigo professor e também adoradora dos pequenos animais, ao mesmo tempo em que recebe uma caixa contendo um perigoso inseto brasileiro. As duas passam a viver um tórrido romance e não dão muita bola quando o bicho escapa.

Na verdade, “Criatura Maligna” deve ser visto como um triângulo amoroso bizarro entre as duas mulheres e um inseto, algo que poderia soar um tanto ridículo num filme que se levasse a sério, o que não é o caso. Basta prestar atenção nas interpretações, que são uniformemente exageradas, cheias de caras e bocas. A fita ainda inclui efeitos especiais bem toscos e cenas que capricham no potencial gore, bem nojentas, feitas sem muita preocupação de parecerem reais. Para completar, o final é uma pérola de humor negro. Coisa fina, mas que só vai agradar mesmo aos apreciadores do gênero.

O DVD brasileiro ganha lançamento pelas mãos da Paris Filmes. A qualidade geral é fraca. O disco é simples e traz o filme com o enquadramento original de imagem (letterbox 4:3, que preserva o formato 1.77:1), com áudio em dois canais (Dolby Digital 2.0). Como extra, um making of. A Anchor Bay preparou uma edição mais recheada para os Estados Unidos, trazendo o vídeo em formato wide anamórfico (que também preserva o enquadramento original e tem resolução melhor da imagem), som em seis canais (Dolby Digital 5.1) e uma série de extras, incluindo comentário em áudio do diretor, perfil do autor do filme, entrevistas com os atores e cenas cortadas.

– Criatura Maligna (Sick Girl, EUA, 2005)
Direção: Lucky McKee
Elenco: Angela Bettis, Erin Brown, Marcia Bennett, Jesse Hlubik
Duração: 58 minutos

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