C.S.I. 1ª Temporada – Vol. 1

14/03/2004 | Categoria: Críticas

Oito primeiros episódios comprovam excelente qualidade do roteiro do seriado policial

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

O seriado “Crime Scene Investigation”, que caminha para a quarta temporada nos Estados Unidos, tem um público pequeno mas extremamente fiel no Brasil. Esse séquito de admiradores tem um bom motivo para comemorar o lançamento do pacote “C.S.I. 1ª Temporada – Volume 1”. A caixa da distribuidora PlayArte reúne os oito primeiros episódios da série.

Admiradores de técnicas de investigação policial científicas possuem forte motivo para colocar o seriado num pedestal. Em resumo, “C.S.I.” narra o cotidiano de uma equipe de detetives composta de seis peritos técnicos. Cada episódio, de 45 minutos, flagra os integrantes da equipe investigando um ou mais casos complicados. Para desvendar os crimes, os investigadores utilizam as mais avançadas técnicas científicas, fazem minuciosos estudos de cenas do crime, dissecam corpos e usam, principalmente, o intelecto.

O fato de que “C.S.I.” evita totalmente os confrontos físicos afasta o seriado do padrão comum da TV norte-americana. À maneira dos velhos e bons detetives da literatura policial, os peritos de “C.S.I.” contam apenas com o raciocínio – e uma boa dose de tecnologia de ponta – para desvendar casos aparentemente insolúveis. Aliado a isso, o produtor Jerry Bruckheimer prefere sempre deixar de lado os detalhes das vidas pessoais dos detetives, enfocando cada episódio exclusivamente na investigação, o que torna as tramas muito mais ágeis.

Apesar disso, o seriado jamais cai no maniqueísmo típico dos filmes policiais, em que tiras são super-heróis infalíveis e bandidos, vilões desalmados. Em “C.S.I.”, os detetives também cometem erros, e até têm crises de consciência por serem obrigados a prender sujeitos que cometeram crimes por acaso, e não mereciam mofar na prisão. Isso tudo é muito bom.

Para quem não conhece, a equipe é liderada por Gil Grissom (William Petersen) e tem como maior destaque a investigadora Catherine Willows (Marg Helgenberger), a única cuja vida privada é tocada de relance em alguns episódios – Willows é ex-dançarina de strip tease e cria uma filha pequena com quem quase nunca tem tempo de passear. Em comum, os seis investigadores possuem apenas o talento nato para ver detalhes que os mortais comuns deixariam passar sem um piscar de olhos.

Se tecnicamente a série não se destaca do padrão norte-americano de fazer TV (excesso de planos americanos, interpretações geladas, música pop de segunda divisão), no plano do roteiro não existe quase nada, em termos de televisão, sendo montado com tanta qualidade nos dias de hoje quanto “C.S.I.”. Os oito primeiros episódios do pacote brasileiro trazem o piloto e as sete primeiras exibições de “C.S.I.”. A qualidade dos enredos, que é muito boa já no primeiro programa, vai crescendo e atinge o ápice nos dois últimos, quando aparece um caso realmente complicado (uma chacina familiar) e um arquiinimido para Grissom. São ingredientes fundamentais para prender o espectador à série – e funcionam.

De ruim, apenas a inexplicável decisão da distribuidora nacional, a PlayArte. Ela foi responsável por dividir a primeira temporada da série (lançada numa única caixa nos EUA) em três volumes vendidos, cada um, pelo preço de uma série completa. Além disso, a qualidade técnica do produto, com som Dolby Digital 2.0, também não é muito boa. Como extras, você confere somente duas galerias de entrevistas com os atores principais e um pequeno documentário, basicamente material de divulgação. “C.S.I.” só vale a pena pela qualidade dos episódios.

– C.S.I. 1ª Temporada – Volume 1 (- C.S.I. First Season)
Elenco: William L. Petersen, Marg Helgenberger, Gary Dourdan, George Eads, Jorja Fox
Duração: 370 minutos

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