Cubo

11/05/2005 | Categoria: Críticas

Estréia de Vicenzo Natali realiza experiência de laboratório bizarra com seres humanos

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Experiências de laboratório são uma rotina estressante para pesquisadores. Eles precisam ficar observando atentamente o comportamento das cobaias, geralmente animais de pequeno porte, durante horas, dias, semanas. Imagina, contudo, se os ratos ou macacos fossem substituídos por seres humanos. Serão uma experiência tão cruel quanto fascinante, não? Pois é exatamente essa a premissa do intrigante thriller “Cubo” (Cube, Canadá, 1997), produção canadense de baixo orçamento, feita de forma independente como estréia do diretor Vicenzo Natali.

A bizarra experiência consiste em trancar seis pessoas, que aparentam não ter nada em comum e sequer se conhecem, em uma espécie de prisão futurista com salas em forma de cubo. As salas são milimetricamente idênticas, sem móveis, diferenciadas apenas pela cor das paredes. Cada sala possui uma abertura em cada uma das seis faces do “cubo”. Como as cobaias vão perceber, no entanto, somente uma das saídas pode ser utilizadas de maneira segura. Caso tentem sair pelo lugar errado, as cobaias viram vítimas – e morrem de maneiras incrivelmente originais e dolorosas.

Inicialmente, as seis vítimas estão espalhadas na gigantesca prisão de forma aparentemente aleatória; uma não tem conhecimento da outra. Aos poucos, eles vão se encontrando: Leaven (Nicole de Boer), Holloway (Nicky Guadagni), Worth (David Hewlett), Kazan (Andrew Miller), Rennes (Wayne Robson) e Quentin (Maucie Dean Witt) não sabem o que estão fazendo ali, e não possuem nenhuma memória que indiquem como foram para lá. Simplesmente acordaram no local. Espectadores atentos vão perceber que todos têm nomes de prisões localizadas nos EUA.

Aos poucos, enquanto se movimentam pelo lugar, eles aprendem sozinhos as “regras” do jogo; descobrem, também, que a escolha das seis cobaias não foi tão aleatória assim, pois as profissões de cada um – matemático, médico, policial – permite que cada um ache, utilizando suas habilidades pessoais, a saída correta de determinadas salas. Falta, somente, descobrir se a prisão sofisticada realmente tem saída, para então descobrir o responsável pela terrível brincadeira.

Este é um excelente argumento para um filme de baixo orçamento. Utilizando atores desconhecidos e cenários requintados, mas extremamente baratos, Vicenzo Natali consegue criar com rapidez uma atmosfera realmente assustadora. Como a platéia se encontra na mesma situação da platéia – não há pistas sobre o que ocorre fora da gigantesca prisão em forma de cubo gigante – o espectador se vê na incômoda posição de voyeur a contragosto de algo que não compreende. “Cubo” funciona um filme de terror extremamente perturbador.

O maior problema do longa-metragem é que, uma vez estabelecidas as “regras” do jogo e a atmosfera de pesadelo da experiência, Natali parece não saber muito bem o que fazer com o material que tem em mãos. Ao invés de explorar mais o clima de desconfiança, desespero e irritação que descontrola paulatinamente os nervos das cobaias, Natali investe energia de verdade na criação de cenas de morte violenta, o que torna a segunda metade da película meio enfadonha e repetitiva. De qualquer forma, o final inconclusivo amarra muito bem uma experiência cinematográfica bem interessante.

A Imagem Filmes lançou o longa-metragem de Vicenzo Natali em uma curiosa caixa de dois DVDs em que a atração principal é a continuação (muito inferior). Ou seja, “Cubo” está no disco 2 da tal caixa, e é na verdade o bônus de “Cubo 2”. Esquisito, não? No disco, há como extras um comentário em áudio do diretor, dois slideshows com imagens da produção e um jogo virtual de perguntas em que, se acertar, o espectador ganha a chance de ver três cenas inéditas excluídas da montagem final.

– Cubo (Cube, Canadá, 1997)
Direção: Vicenzo Natali
Elenco: Nicole de Boer, Nicky Guadagni, David Hewlett, Andrew Miller
Duração: 90 minutos

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