Curtindo a Vida Adoidado

18/04/2006 | Categoria: Críticas

Clássico adolescente dos anos 1980 ainda empolga com narrativa rápida e boas piadas

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

O filme de adolescente é uma verdadeira instituição dos anos 1980. Na época, os estúdios de Hollywood perceberam que os jovens com menos de 18 anos formavam a fatia mais larga do público de cinema, e puseram-se a produzir comédias que retratavam o cotidiano desse público. Entre as dezenas de lançamentos do período, um se destaca: “Curtindo a Vida Adoidado” (Ferris Bueller’s Day Off, EUA, 1986). Trata-se do mais bem resolvido título dirigido por John Hughes, cineasta que se especializaria em filmes jovens. O longa-metragem apresenta um personagem que se tornaria um ícone adolescente: Ferris Bueller.

Ao lado de Marty McFly (“De Volta para o Futuro”), Ferris Bueller é o protótipo perfeito do rapaz que os adolescentes queriam ser. Um cara charmoso, cheio de energia, com um talento irresistível para driblar a vigilância sempre incômoda dos pais, verve afiada e esperteza acima do comum. “Curtindo a Vida Adoidado” narra um dia na vida dele, um dia muito especial: o dia em que ele, fingindo estar gripado, gazeou aula na escola e saiu vivendo um monte de aventuras pela cidade, junto com o melhor amigo (Alan Ruck) e a namorada (Mia Sara), dirigindo uma Ferrari.

De certa forma, “Curtindo a Vida Adoidado” pode ser lido como uma espécie de atualização de filmes como “Juventude Transviada” para os anos 1980. Os casacos de couro negro e topetes com gomalina foram substituídos por calças jeans e tênis multicoloridos; a farra e a diversão continuam iguais. Como cinema, “Curtindo a Vida Adoidado” é um filme superior porque se beneficia da direção ágil de Hughes, que utiliza um recurso perigoso mas muito bem vindo: o protagonista fala diretamente para a câmera, em uma técnica de metalinguagem que injeta vigor à narrativa e a torna ainda mais engraçada.

O filme inteiro corre como uma bala, enquanto Ferris embarca numa curtição desenfreada, inventando planos mirabolantes o tempo todo para poder driblar a perseguição do caça-gazeteiros da escola (Jeffrey Jones, surpreendentemente magro para quem o viu como o rei de “Amadeus”), a inveja da irmã (Jennifer Grey, estrela de outra superprodução jovem do período, “Dirty Dancing”), a desconfiança dos pais e o medo do amigo Cameron (Ruck) de ser apanhado com as calças na mão. Em resumo, é diversão descerebrada da melhor qualidade, que conta ainda com a vantagem de ter apresentado a versão dos Beatles para a imortal “Twist and Shout” para uma geração que, infelizmente, não costuma se dignar a escutar os rapazes de Liverpool. Coisa fina.

Há duas versões do DVD no mercado nacional, ambos da Paramount. O disco simples preserva o enquadramento original (2.35:1, wide anamórfico) e tem ótimo som (Dolby Digital 5.1). O único extra é um comentário em áudio com o diretor John Hughes, não legendado. O DVD duplo tem o filme no disco 1 (sem comentários em áudio), mais dois documentários (um sobre as filmagens, outro com os atores 20 anos depois, reunidos) e dois featurettes. Para quem é fã, um prato cheio.

– Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, EUA, 1986)
Direção: John Hughes
Elenco: Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jeffrey Jones
Duração: 109 minutos

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