Dama e o Vagabundo, A

23/12/2008 | Categoria: Críticas

Filme é um dos mais dinâmicos desenhos da Disney e improvável clássico romântico que, ao longo das décadas, cavou espaço fiel no coração de namorados de todas as idades

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

Na história do cinema, algumas cenas antológicas se tornaram tão famosas que transcenderam os filmes a que pertencem. Um monte de gente jamais assistiu à versão original de “Psicose” (1960), mas é quase impossível encontrar alguém que nunca viu o lembradíssimo assassinato no chuveiro. No campo das animações infantis, talvez a mais famosa de todas as cenas seja o beijo acidental que dois cachorros dividem sobre um prato de espaguete. Este é o momento crucial de “A Dama e o Vagabundo” (Lady and the Tramp, EUA, 1955), um dos mais dinâmicos desenhos animados da Disney e improvável clássico romântico que, ao longo das décadas, cavou espaço fiel no coração de namorados de todas as idades.

A produção de 1955 carrega o mérito de ser o primeiro longa-metragem animado do estúdio do Mickey com história totalmente original. Na época, a empresa começava uma tentativa meio desastrada de abandonar aos poucos a fonte básica das histórias que filmava – os contos de fada europeus – e abrir mais espaço para histórias originais (esta decisão, como mostra a história, acabaria se mostrando um erro de estratégia de proporções colossais). O resultado foi um sucesso estrondoso de bilheteria (US$ 96 milhões arrecadados em quatro lançamentos ao longo dos anos), que veio acompanhado de resmungos mau-humorados por parte dos críticos. Depois, esses últimos também acabariam se rendendo ao charme do romance animal.

“A Dama e o Vagabundo” conta a improvável história da paixão entre dois cães de classes sociais diferentes. Ela, uma cocker spaniel com pedigree, pertence a um casal de classe alta e mora numa mansão imponente. Ele não passa de um vira-latas esperto e boa praça que passeia pelas ruas encharcadas da cidade, de namorico com diversas cachorras, sempre fugindo da carrocinha e em busca de um osso para roer. Em circunstâncias normais, os dois jamais se encontrariam. Só que a chegada de um bebê na casa da bela cadelinha faz a família a pôr para escanteio. Enciumada, o animal acaba fugindo. Não duraria muito tempo na rua, se não fosse pelo vagabundo simpático que dá um jeito de livrá-la da morte certa na temida carrocinha.

O filme é uma das animações mais interessantes da fase clássica da Disney. Possui um ritmo muito mais ágil e dinâmico do que outros clássicos do estúdio, já que tem um número significantemente menor de trechos musicais, uma mania da época. Há também canções bem incomuns, como aquela apresentada na chegada dos gatos siameses à residência, que mostra influências orientais e uma partitura com harmonias exóticas. Além disso, algumas das cenas são realmente impecáveis, como o já citado momento romântico – um triunfo perene de humor e emoção – e a brilhante seqüência que se passa dentro da prisão para cães. E a perseguição final, com a inteligente participação de um cão perdigueiro, amarra a história com perfeição.

O DVD nacional é duplo e contém um segundo disco repleto de extras para crianças e adultos. Há cenas cortadas (3 minutos), um documentário (52 minutos), dois números musicais, oito featurettes enfocando diferentes aspectos da produção, storyboards completos e alguns jogos interativos para os baixinhos – ou seja, é um dos melhores discos de extras de animações da Disney. No disco 1, o filme aparece com enquadramento preservado e imagens restauradas (widescreen anamórfico), além de trilha de áudio realçada para seis canais (Dolby Digital 5.1).

– A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp, EUA, 1955)
Direção: Clyde Geronimi, Wilfred Jackson, Hamilton Luske
Animação
Duração: 75 minutos

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