Dança dos Mortos

25/04/2006 | Categoria: Críticas

Tobe Hooper enterra de vez a carreira com videoclipe em fast forward sobre futuro distópico

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★☆☆☆☆

Você dá uma olhada nos nomes envolvidos em “Dança dos Mortos” (Dance of the Dead, EUA, 2005), e é impossível não considerá-lo promissor. Tobe Hooper (“O Massacre da Serra Elétrica” e “Poltergeist”) é o diretor. Richard Matheson (“Encurralado” e vários episódios geniais da série “Além da Imaginação”) é o autor do conto que inspirou o filme. O ator Robert Englund (o eterno Freddie Kruger) está no elenco. É possível que “Dança dos Mortos” seja, dos treze médias-metragens que formam a primeira temporada da série “Mestres do Terror”, aquele que aparenta ter mais potencial. Infelizmente, é só aparência, pois o filme é uma decepção.

A história até que poderia render algo interessante, mas o estilo adotado por Tobe Hooper destrói qualquer possibilidade de tensão, transformando a experiência de assistir a “Dança dos Mortos” em uma luta permanente para compreender o que acontece em frente aos nossos olhos. Hooper, aparentemente querendo mostrar que pode ser um cineasta moderno, adota a fórmula MTV de edição estroboscópica elevada à enésima potência, transformando quase todas as seqüências em espécies de videoclipes em Fast Forward, servindo como suporte visual para um bombardeio de barulho no estilo Limp Bizkit. Um troço lastimável.

O conto original de Richard Matheson imagina um futuro pós-apocalíptico para a humanidade, uma distopia causada por guerra nuclear e temperada com zumbis. As grande cidades agora são habitadas por gangues juvenis de rapazes tatuados, violentos e viciados em drogas, e as famílias normais têm que viver em subúrbios decrépitos, sob constante ameaça. Peggy (Jessica Lowndes) pertence a uma dessas famílias normais. Foi poupada da convivência com as gangues pela mãe castradora, mas se sente aprisionada num mundo que não é seu, e parece efetivamente disposta a desbravá-lo depois de conhecer Jak (Jonathan Tucker), um membro de gangue um pouco menos maluco do que o habitual.

Pouca coisa pode ser chamada de decente no filme. As atuações são canastríssimas, sem exceção, com falas declamadas, olhos arregalados e lentes de contato coloridas para esconder a falta de capacidade de externar emoções. É verdade que o roteiro, adaptado pelo filho do autor do conto, Richard Christian Matheson, não ajuda. Os diálogos são fraquíssimos – basta observar os discursos vazios do personagem de Robert Englund, o mestre de cerimônias do clube noturno onde as gangues se reúnem para ver o espetáculo descrito no título do filme. Vindo de um diretor cujos melhores trabalhos foram feitos há mais de 20 anos, “Dança dos Mortos” deixa um rastro irrefreável de pessimismo para aqueles que ainda vinham alguma esperança de ressurreição para a carreira de Tobe Hooper.

O DVD brasileiro ganha lançamento pelas mãos da Paris Filmes. A qualidade geral é fraca. O disco é simples e traz o filme com o enquadramento original de imagem (letterbox 4:3, que preserva o formato 1.77:1), com áudio em dois canais (Dolby Digital 2.0). Como extra, um making of. A decepção é maior quando sabemos que a Anchor Bay preparou uma edição bem mais recheada para os Estados Unidos, trazendo o vídeo em formato wide anamórfico (que também preserva o enquadramento original e tem resolução melhor da imagem), som em seis canais (Dolby Digital 5.1) e uma série de extras, incluindo comentário em áudio do diretor, perfil do autor do filme, entrevistas com os atores e cenas cortadas.

– Dança dos Mortos (Dance of the Dead, EUA, 2005)
Direção: Tobe Hooper
Elenco: Jessica Lowndes, Jonathan Tucker, Robert Englund
Duração: 58 minutos

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