Dança dos Vampiros, A

04/10/2006 | Categoria: Críticas

Mistura elegante de comédia de humor negro e terror escrachado, filme é uma delícia e tem visual fantástico

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

Uma temporada de férias de um cineasta que se preparava para vôos mais altos, em plena neve dos Alpes. Foi dessa maneira que o espectador europeu assistiu ao excêntrico e belíssimo “A Dança dos Vampiros” (The Fearless Vampire Killer, Inglaterra, 1967), um filme que parecia surgir na filmografia do cineasta polonês Roman Polanski como uma mancha – de sangue! – em uma carreira imaculada e brilhante. O tempo faria justiça, contudo, à desconfiança com que a platéia mais cerebral recebeu a divertida viagem de Polanski ao mundo imaginário dos vampiros.

Para começar, não havia nada de férias no projeto para Polanski. Muito pelo contrário. Depois de realizar o independente “Repulsa ao Sexo” e virar um nome respeitado no cenário internacional, o cineasta conseguiu financiamento norte-americano para o novo longa e viu, nele, a chance de firmar de vez seu nome no cinema internacional. Por isso, cercou-se de grandes nomes, como o renomado fotógrafo Douglas Slocombe, para realizar um estranho coquetel de horror, comédia e aventura nonsense.

“A Dança dos Vampiros” é um grande filme, um longa-metragem tipicamente europeu, que busca distância dos rótulos fáceis e situa-se numa fronteira de gêneros muito difícil de ser trabalhada com naturalidade. A trama mostra um velho estudioso de ocultismo, o professor Abronsius (Jack McGowan, em interpretação hilariante), viajando até a Transilvânia para tentar comprovar a teoria de que os vampiros existem. Não há referências a Drácula, mas nem precisava.

Quando Abronsius, acompanhado do atrapalhado ajudante Alfred (Polanski, mostrando que também é um ótimo ator, com timing perfeito para a comédia), chegam ao destino, encontram duas coisas: uma estalagem onde vive a belíssima jovem Sarah Chagall (Sharon Tate, deslumbrante antes de casar com o diretor) e um castelo habitado por uma excêntrica família de vampiros, que inclui inclusive um jovem e louro chupa-sangue afeminado.

O filme equilibra com maestria os momentos de horror e comédia, amparado por uma fotografia espetacular, que valoriza em detalhes as lindas paisagens geladas dos Alpes, o rosto angelical de Sharon Tate e a bela arquitetura secular da região. O baile dos vampiros que responde pelo clímax do filme, particularmente, é uma seqüência capaz de provocar sorrisos no amante do cinema de humor negro, pela beleza e elegância com que foi realizado. Para quem tem dúvida de que Polanski é gênio, “A Dança dos Vampiros” é um ótimo antídoto.

Há duas versões em DVD lançadas no Brasil. A primeira, rara, tem péssima legendagem, com muitos erros de português e vários diálogos curiosamente “esquecidos” pelo tradutor. A imagem (widescreen) possui cores esmaecidas, e a duração é menor (98 minutos). Em compensação, como material extra, há um documentário sobre a vida de Sharon Tate e a animação que abriu o filme nos EUA. Já a edição oficial da Warner tem somente o filme, mas com imagem (widescreen anamórfica) e som (Dolby Digital 2.0) perfeitos.

– A Dança dos Vampiros (The Fearless Vampire Killer, Inglaterra, 1967)
Direção: Roman Polanksi
Elenco: Jack McGowan, Roman Polanski, Sharon Tate, Alfa Bass
Duração: 98 minutos

| Mais


Assine os feeds dos comentários deste texto


Um comentário
Comente! »