De Volta Para o Futuro 2

29/11/2006 | Categoria: Críticas

Segundo título da trilogia é ótimo exemplo de como expandir uma idéia para uma série inteira

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

Apesar de terminar com uma cena que sugere uma continuação, o primeiro “De Volta para o Futuro” não foi produzido com a intenção de virar franquia. No entanto, o sucesso avassalador em escala mundial tornou inevitável a produção de uma seqüência. Desta forma, quatro anos depois da estréia do primeiro exemplar da trilogia, “De Volta Para o Futuro 2” (Back to the Future 2, 1989, EUA) viu a luz do dia. Embora não atinja o status de clássico adolescente como o primeiro, o filme é um ótimo exemplo de que é possível, sim, expandir para uma série completa uma boa idéia inicialmente pensada para apenas um filme, desde que isto seja feito com criatividade e esforço.

Observando-se os percalços percorridos durante a fase de pré-produção, é interessante verificar como o diretor Robert Zemeckis e o roteirista Bob Gale conseguiram driblar com destreza as dificuldades, chegando mesmo a usá-las em benefício próprio. Um bom exemplo foi a impossibilidade de contar com o ator Crispin Glover (o pai do protagonista Marty McFly), que pediu salário alto demais para participar do filme. Para resolver a situação, os dois chegaram à conclusão de que precisariam matar o personagem. E se isto parecia uma solução dramática demais para uma mera aventura juvenil, tudo bem: era só matá-lo em uma realidade paralela, fazendo desta situação o motor que impulsiona Marty para uma nova série de viagens no tempo.

Na trama, o adolescente (Michael J. Fox) e o professor Emmett “Doc” Brown (Christopher Lloyd) viajam para 2015, a fim de resolver um problema que ameaça destruir a família de Marty. O pulinho no futuro, porém, acaba despertando a atenção do vilão Biff (Thomas F. Wilson), que acaba arrumando um jeito de alterar o passado, criando uma realidade paralela em que a cidade de Hill Valley virou terra de desordeiros. Para corrigir a distorção, Marty precisa voltar a 1955 e desfazer a lambança organizada por Biff. Isto permite que o espectador, deliciado, possa reviver a inesquecível noite do baile em que Marty “inventara” o rock’n’roll, no primeiro filme, só que agora a partir de uma nova perspectiva.

Como se pode perceber, a história desta segunda parte é ainda mais intrincada do que a aventura de estréia. Embora as soluções boladas por Zemeckis e Gale para superar o problema sejam criativas, a complexidade do enredo cobra seu preço: há cenas com longos diálogos explicativos, que emperram a ação de tempos em tempos. O panorama do futuro montado por Zemeckis também é um tanto hesitante (algo que o próprio diretor admite) – trata-se de um futuro hipercolorido que não nega sua origem nos anos 1980. Por isto, a primeira hora da projeção é bem inferior à segunda parte, quando retornamos à Hill Valley de 1955 e o longa-metragem decola.

Uma observação interessante diz respeito ao uso de efeitos especiais. Com a ação situando-se em três momentos bem distintos no tempo, Zemeckis pediu e recebeu da Universal uma câmera capaz de capturar, na mesma tomada, diversas interpretações de um mesmo ator, de forma que eles pudessem contracenar com eles mesmos sem que estas imagens parececem artificiais. O efeito geral é muito bom, e o equipamento deixou que Michael J. Fox se divertisse a valer – ele tem uma seqüência hilariante de jantar em que contracena com quatro versões diferentes de si mesmo. Enfim, uma ótima aventura que abre a porta inteligentemente para a terceira e última parte da trilogia.

Em DVD, o filme pode ser encontrado de três maneiras: em disco simples vendido separadamente e como parte integrante de duas caixas, uma com três e outra com quatro CDs. Nos três casos, o disco contendo o longa-metragem é exatamente o mesmo: imagens límpidas no formato original (widescreen 1.85 anamórfico), áudio nos formatos Dolby Digital 5.1 e DTS, e muitos extras. Há featurettes da época do lançamento original, cenas cortadas, comentário em áudio de Robert Zemeckis (diretor) e Bob Gale (roteirista), mais trailer, além da segunda parte de um documentário atual (15 minutos) sobre a trilogia.

A caixinha de três discos apenas reúne os três discos individuais num pacote único. Já a caixa de quatro discos, em embalagem digipack de luxo, vem com um disco a mais, apenas de material extra. O melhor deles referente ao segundo filme da trilogia é um bate-papo com Zemeckis e Gale (55 minutos), apenas em áudio e com legendas em português, onde eles detalham em profundidade a concepção do longa.

– De Volta Para o Futuro 2 (Back to the Future – Part 2, 1989, EUA)
Direção: Robert Zemeckis
Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Thomas F. Wilson, Lea Thompson
Duração: 108 minutos

| Mais


Assine os feeds dos comentários deste texto


Um comentário
Comente! »