Decifrando o Código Da Vinci

30/05/2006 | Categoria: Críticas

Documentário de Simon Cox é sóbrio, mas se ressente de apuração jornalística e

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

De todos os documentários disponíveis no mercado brasileiro a respeito do fenômeno literário “O Código Da Vinci”, o programa escrito e dirigido por Simon Cox é o mais sóbrio. Isto não significa, no entanto, que “Decifrando o Código Da Vinci” (Cracking the Da Vinci Code, EUA, 2004) seja realmente bom. Como os demais produtos destinados a faturar em cima das polêmicas criadas por Dan Brown, o documentário de 90 minutos se ressente de um enfoque jornalístico mais apurado, que enfatize o caráter especulativo das teorias que apresenta.

Vale lembrar que o material audiovisual surgiu como um apêndice do livro de mesmo nome, escrito por Cox. Um dos primeiros autores a examinar as teorias conspiratórias registradas no romance norte-americano, Simon Cox percebeu o generoso filão que estava se abrindo e correu para transformar o que havia escrito em imagens. O caminho percorrido por “Decifrando o Código Da Vinci” é simples: acompanha a cronologia do romance, levando o leitor aos locais indicados no livro e parando em cada um para pequenas explicações sobre os fatos históricos por trás da ficção.

Além da narrativa um pouco mais firme, outro trunfo de “Decifrando o Código Da Vinci” é a palavra de Dan Brown, já que o autor do romance famoso é avesso a entrevistas e não aparece em nenhum outro documentário do gênero. Simon Cox conseguiu um trecho em vídeo de um minuto, mais o áudio de uma palestra do escritor, e utiliza esse material para abrir e encerrar o documentário. Nada do que Dan Brown diz sai do lugar-comum, mas pelo menos a presença do escritor demonstra um nível de esforço um degrau acima dos documentários similares.

Esse esforço começa a ruir, contudo, quando se observa a quantidade e a qualidade dos especialistas convocados para falar sobre Leonardo Da Vinci, Cavaleiros Templários, a capela Rosslyn e a Temple Church, as lendas do Santo Graal e Maria Madalena. Eles não passam de meia dúzia de escritores, quase todos parecendo estudiosos esotéricos sem qualquer autoridade acadêmica – malucos hippies com cabelão e mulheres vestidas de preto com pintura negra ao redor dos olhos, desfiando bobagens como a suposta influência que grupos esotéricos tinham sobre Leonardo Da Vinci como se fossem verdades absolutas.

Além disso, a abordagem de “Decifrando o Código Da Vinci” não questiona jornalisticamente o material escrito por Dan Brown, limitando-se a explicá-las, o que torna o todo superficial e insuficiente. Enquanto isso, a montagem do documentário apela para música melodramática em longos clipes musicais, algo que toma o espaço do que poderiam ser outras entrevistas. A qualidade técnica das imagens e do áudio das entrevistas também é pobre, dando a impressão de um trabalho feito por amadores.

O DVD nacional não tem extras (o importado traz um documentário suplementar de 30 minutos), é um disco simples, com enquadramento de TV (4:3, tela cheia) e som razoável (Dolby Digital 1.0).

– Decifrando o Código Da Vinci (Cracking the Da Vinci Code, EUA, 2004)
Direção: Simon Cox
Documentário
Duração: 90 minutos

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