Diário de Bridget Jones, O

12/08/2004 | Categoria: Críticas

Filme é comédia romântica clássica com diálogos divertidos e ótima trilha sonora

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

Os livros estrelados pela fictícia jornalista inglesa Bridget Jones se tornaram um sucesso avassalador entre as mulheres, a partir de 1999. Muito justo, considerando que eles são leves, pop e engraçados de verdade. Por alguma razão misteriosa, porém, Bridget Jones começou a ser cultuada como uma espécie de diva pós-feminista. Essa é a razão errada para gostar de “O Diário de Bridget Jones” (Bridget Jones Diary, Inglaterra, 2001), o primeiro filme a transpor as aventuras da heroína para o celulóide. O longa-metragem de Sharon Maguire é uma ótima transposição de livro para o cinema, e uma comédia romântica charmosa e jovial.

Na verdade, “O Diário de Bridget Jones” é um raríssimo projeto de grande porte realizado entre colegas de farra. A diretora, Sharon Maguire, é amiga pessoal da romancista Helen Fielding, que escreve a série de livros de Bridget baseando-se em si mesma. Uma das amigas da jornalista que vive saindo com ela filme, Shazer (Sally Phillips, a jornalista que fala “fuck” o tempo todo), foi originalmente baseada na própria diretora. Além disso, os dois astros que completam o triângulo amoroso com a protagonista, Colin Firth (que faz o advogado Mark Darcy) e Hugh Grant (intérprete do editor Daniel Cleaver), são citados nominalmente no livro original como objetos de desejo de Bridget Jones.

Você pode pensar que é fácil fazer um filme assim, tendo como base um romance engraçado e cheio de passagens altamente cinematográficas. Esse é o maior mérito de Sharon Maguire, que também escreveu o roteiro em parceria com a amiga Fielding: fazer o longa-metragem descer rápido e fácil pela garganta, como um bom uísque. “O Diário de Bridget Jones” é um exemplo raro de eficiência e discrição, uma película que caminha sozinha, sem que seja possível sentir a mão do diretor. Esse é um dos maiores elogios que um cineasta pode almejar receber.

O irônico é que, sob as aparências, “O Diário de Bridget Jones” é uma comédia romântica clássica, atualizada para o século XXI. Para quem ainda não conhece, o filme narra um ano na vida de Bridget, baseada nas anotações que a garota escreveu no diário. Bridget é uma garota inglesa desbocada, alguns quilos acima do peso, que vive se apaixonando pelo homem errado (e afogando as mágoas em litros de vodka e algumas dezenas de cigarros). O papel é defendido com uma daquelas atuações inesquecíveis de Renée Zellweger. Quase 20 quilos mais gorda, Renée não interpreta Bridget; ela vira a própria, com sotaque perfeito e timing de comédia impecável.

Bridget trabalha como assessora de imprensa em uma editora londrina. É assediada pelo editor, Daniel Cleaver, um desses caras de bom papo que tem pavor da palavra “namoro”. Tem um trio de amigos fiéis, que estão sempre por perto na hora do sufoco. Seus pais ainda a tratam como a uma adolescente ligeiramente fora do prumo, que ainda não encontrou o caminho. E o sisudo advogado e amiguinho de infância Mark Darcy, que ela reencontra na festa de Natal que abre o longa-metragem, também pensa a mesma coisa.

Bridget Jones não é feminista e nem descolada. Passa longe disso. Pelo contrário: é a versão século XXI da garota clássica da cidade grande: capaz de guiar a própria vida, mas sempre se ressentindo de companhia masculina. O enredo do filme não tem nada de novo, mas os diálogos espertos, as piadas generosas e engraçadas e a trilha sonora perfeita (Aretha Franklin, Pretender, Chaka Khan, Van Morrison, Diana Ross) garantem diversão de primeira qualidade. “O Diário de Bridget Jones” é a contraparte feminina de “Alta Fidelidade”, tão engraçado quanto, e merece um lugar de honra na cabeceira de qualquer um, homem ou mulher, que curte comédias românticas.

O DVD do filme no Brasil contém material trivial. O filme possui som Dolby Digital 5.1 e imagem com corte original widescreen. Há um comentário em áudio (sem legendas) da diretora Sharon Maguire e dois videoclipes, além de um trailer e um pequeno documentário (10 minutos, sem legendas) a respeito da produção.

– O Diário de Bridget Jones (Bridget Jones Diary, Inglaterra, 2001)
Direção: Sharon Maguire
Elenco: Renée Zellweger, Colin Firth, Hugh Grant, Jim Broadbent
Elenco: 97 minutos

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