Documento Holcroft, O

14/08/2005 | Categoria: Críticas

Thriller de espionagem com Michael Caine tem muita tensão, mas alguns problemas de roteiro

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

“O Documento Holcroft” (The Holcroft Covenant, Inglaterra, 1985) faz parte de um filão bastante popular na década de 1990: o thriller de espionagem ambientado fora dos Estados Unidos, com tramas complicadas e cheias de reviravoltas. Esta produção leva a assinatura do bom e subestimado diretor John Frankenheimer, e conta com o igualmente bom e subestimado ator Michael Caine no papel principal. O filme é baseado em romance de Robert Ludlum e tem uma trama envolvente, apesar do roteiro vacilante e de algumas situações francamente inverossímeis.

A história remonta à II Guerra Mundial, começando com um pequeno prólogo em preto-e-branco, na devastada Berlim de abril de 1945. Na ocasião, um dos mais importantes generais de Hitler assina um pacto com outros dois oficiais, e os três em seguida cometem suicídio. Sem pausa para respirar, a ação pula para Nova York, em 1985, onde o arquiteto Noel Holcroft (Caine) atende um telefonema que o exorta a pegar um avião para Genebra imediatamente.

Na cidade européia, Holcroft se encontra com um banqueiro suíço, que lhe informa sobre a existência do pacto nazista. O homem lhe avisa que os três oficiais nazistas, decepcionados com o rumo do governo de Hitler, haviam desviado a fabulosa quantia de US$ 4,5 bilhões, destinando-a aos três filhos mais velhos de cada um. Eles só poderiam saber do pacto, entretanto, 40 anos mais tarde. O pai de Holcroft era exatamente o general mentor do pacto.

Em tese, se assinar o documento, o arquiteto se torna guardião da fortuna, tendo contudo a obrigação de usá-la para reparar os crimes nazistas. Para isso, precisará descobrir o paradeiro dos filhos dos outros dois nazistas e convencê-los a também assinar o pacto. Embora animado com a idéia, Holcroft logo descobre que outras pessoas, ou organizações, estão a par do segredo, e alguns deles não o querem vivo.

Tenso, o longa-metragem capricha no suspense desde o primeiro minuto, utilizando um expediente que o velho Alfred Hitchcock adorava: o espectador está sempre à frente de Noel Holcroft, sendo informado de detalhes da conspiração que o arquiteto desconhece. Assim, durante o primeiro encontro com o banqueiro em Genebra, a platéia percebe que pelo menos três pessoas, de duas facções rivais, estão de olho em Holcroft; um grupo deseja matá-lo, e o outro quer mantê-lo vivo. Dois assassinatos acontecem a centímetros do arquiteto, que percebe a movimentação estranha, mas não a associa a fantástica notícia que acaba de receber.

É interessante notar que os thrillers de espionagem no estilo de “O Documento Holcroft” já antecipavam, duas décadas antes, os mesmos elementos de enredos como o livro de sucesso “O Código Da Vinci”: fatos históricos, pistas falsas, mulheres sensuais, personagens ambíguos, um vilão de identidade desconhecida (por algum tempo, claro) e viagens por cidades européias. Em “O Documento Holcroft”, a ação passa por Nova York, Genebra, Berlim (há uma curiosa cena no Portão de Brandemburgo, que em 1985 era uma terra de ninguém dividindo as duas Alemanhas) e Londres. As locações são reais, e o estilo seco e firme de John Frankenheimer as aproveita bem.

O grande problema de “O Documento Holcroft” é que a trama tem muitos elementos inverossímeis, mal trabalhados pelo roteiro. Tome a abertura como exemplo: se você estivesse no lugar de Noel Holcroft, viajaria de Nova York a Genebra depois de ter recebido um simples telefonema de um desconhecido? E se um homem desconhecido deixasse um recado na sua secretária eletrônica, mandando que você viajasse a Londres, e aparecesse morto dentro do seu prédio, no mesmo dia, você obedeceria à ordem? Esse tipo de vacilo enfraquece a trama de “O Documento Holcroft”, transformando-o em um filme interessante, mas não realmente bom.

O lançamento do filme em DVD no Brasil é da Aurora DVD. O disco não contém material extra, além das tradicionais biografias e sinopse, mas o forma original de imagem (widescreen, 1.85:1) foi respeitado. A trilha de áudio é Dolby Digital 2.0.

– O Documento Holcroft (The Holcroft Covenant, Inglaterra, 1985)
Direção: John Frankenheimer
Elenco: Michael Caine, Anthony Andrews, Victoria Tennant, Lilli Palmer
Duração: 112 minutos

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