Dois é Bom, Três é Demais

05/12/2006 | Categoria: Críticas

Comédia de costumes burocrática tenta aproveitar o carisma e a popularidade de Owen Wilson

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

Depois de participar de uma dúzia de comédias desde 1998, todas bem sucedidas do ponto de vista financeiro, e protagonizar um dos longas-metragens mais milionários de 2005, o engraçado “Penetras Bons de Bico”, Owen Wilson finalmente se tocou que é um dos astros com mais carisma do cinema norte-americano. Wilson é uma grife com enorme apelo popular diante do público jovem masculino, aquele que lota os cinemas. Desta forma, não foi surpresa que ele se aventurasse como produtor na burocrática comédia de costumes “Dois é Bom, Três é Demais” (You, Me and Dupree, EUA, 2006).

O filme, dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo, parece ter saído da mesma linha de montagem que produziu o já citado “Penetras…”, “Starsky & Hutch” (2004), “Entrando numa Fria” (2000) e mais um punhado de outros. Ou seja, é um filme simples e barato, que possui um enredo previsível e pouco original, e tem como público-alvo bastante evidente uma platéia de homens jovem. O longa-metragem busca amparo quase exclusivo no carisma, na popularidade e nos cabelos loiros desgrenhados do ator texano. Os marmanjos ainda ganham uma atração extra: a atriz Kate Hudson, transpirando sensualidade ao vestir camiseta e calcinha branca, numa das melhores cenas.

O pior é que o ponto de partida da história é mesmo interessante, e espelha uma situação muito comum na vida de qualquer sujeito com mais de 20 anos: o sentimento meio infantil de ciúmes que nos toma de assalto quando nosso melhor amigo se casa. É exatamente o que ocorre com o desastrado Dupree (Wilson), quando ele percebe que a união do chapa Carl (Matt Dillon) por Molly (Hudson) pode afastar o colega de infância do convívio diário que os dois mantinham até então. Para sorte dele e azar dos recém-casados, contudo, logo depois do casamento Dupree é demitido e, sem ter para onde ir, acaba acolhido pelo casal.

O filme se divide em dois blocos bem distintos. No primeiro, Dupree é apresentado como um sujeito atrapalhado e sem noção, do tipo que dorme pelado na sala de estar e invade o quarto do casal sem bater na porta, pedindo para usar o banheiro. A partir da metade, o longa-metragem passa a se concentrar mais na crise conjugal provocada pelo stress de Carl, que além da presença incômoda do amigo ainda tem que agüentar a pressão do sogro Thompson (Michael Douglas, se divertindo em interpretação cheia de caras e bocas), tanto profissional quanto pessoalmente.

Infelizmente, o maior problema está no roteiro mal-ajambrado de Mike LeSieur, que parece ter ficado indeciso quanto à definição do personagem principal, dotando-o de dupla personalidade. No princípio, Dupree está tomado de ciúmes e é um trapalhão capaz de entupir a privada simplesmente por usá-la. Perto do fim, ele se tornou um cara sensível que faz de tudo para manter o casal unido, e já não comete desatinos involuntários. O texto perde um monte de chances de desenvolver melhor a dinâmica entre os três personagens principais, enveredando por uma trilha de clichês que incluem a amizade crescente entre Dupree e Molly, o que acaba resultando em ciúmes do inseguro Carl (algo que jamais aconteceria na vida real, caso a amizade entre os dois homens fosse tão firme quanto o filme garante ser).

A melhor cena de “Dois é Bom, Três é Demais”, aquele momento em que o longa-metragem finalmente encontra o que estava buscando – uma situação verdadeira, que poderia existir de verdade num casamento recente –, é o instante em que Molly descobre a coleção de fitas pornô de Carl, escondidas na garagem de casa. Toda a seqüência que advém da descoberta é hilariante, porque se torna reconhecível por qualquer sujeito casado. Pena que o filme logo esquece a situação e prefere mergulhar de vez nos chicles da comédia romântica. Tudo bem, há público de sobra para isto.

O DVD da Universal mantém o formato original da imagem (widescreen anamórfico), tem som OK (Dolby Digital 5.1) e uma pena da extras, incluindo making of, final alternativo, erros de gravação e um featurette sobre o ator principal.

– Dois é Bom, Três é Demais (You, Me and Dupree, EUA, 2006)
Direção: Anthony e Joe Russo
Elenco: Owen Wilson, Kate Hudson, Matt Dillon, Michael Douglas
Duração: 108 minutos

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