Dumbo

15/06/2010 | Categoria: Críticas

Quarta produção dos estúdios Disney pôs o estúdio do caminho das gordas bilheterias e é puro cinema arquetípico

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★½

O sucesso esmagador de “Branca de Neve” (1937) mostrou a Walt Disney que longas-metragens animados podiam ser muito, muito lucrativos. Os dois filmes seguintes concebidos pelo gênio da animação, contudo, lhe deixaram em situação financeira difícil. Apesar de terem passado à história como produções inovadoras, que levaram a animação a patamares mais altos, “Pinóquio” e “Fantasia” (ambos lançados em 1940) foram ignorados pelo público e deram muito prejuízo à empresa. Endividado, Disney decidiu fazer um desenho animado mais simples, bem comercial, capaz de ser produzido em alguns meses e com pouco dinheiro. Era a gênese de “Dumbo” (EUA, 2941), longa-metragem que promoveria as pazes entre Walt e a audiência e, de quebra, daria ao estúdio um dos personagens mais queridos pela criançada.

Ao contrário dos três lançamentos pioneiros da Disney no campo do longa-metragem animado, “Dumbo” não foi um projeto acalentado por anos a fio. Ele foi feito sem qualquer ambição artística. O grande produtor conheceu a história do bebê elefante ridicularizado por causa de suas enormes orelhas ao comprar um livro infantil em 1939. Sem pensar muito, Walt Disney entregou o projeto à equipe de animadores da casa e lhes deu liberdade total, desde que trabalhassem com um orçamento mínimo. Para poder fazer o filme com apenas US$ 800 mil, os desenhistas decidiram pintar as paisagens com aquarela (guache e óleo eram mais bonitos e criavam ilusão maior de profundidade, mas encareciam o produto final) e encurtar a duração para pouco mais de uma hora. Acabaram criando um dos maiores clássicos Disney.

A história é mais do que simples – é um fiapo de trama quase inexistente. Estabelecida dentro de um circo, narra o nascimento de Dumbo, bebê-elefante gozado por todo mundo por causa das orelhas gigantescas. Afastado da mãe e intimidado por causa das insistentes gozações, o animal só consegue dar a volta por cima graças a um rato tagarela, claramente inspirado no grilo falante de “Pinóquio”. Na verdade, trata-se de uma variação da fábula do patinho feio, elaborando o tema do preconceito através de seqüências longas e graciosas, quase como híbridos de números de balé com gags mudas ao estilo de Charles Chaplin. Há um punhado de números musicais coreografados com energia e humor, incluindo um delirante número surrealista em que elefantes cor-de-rosa dançam loucamente através do espaço.

Uma das maiores sacadas do filme foi investir maciçamente na linguagem corporal. Além de ser adorável, o elefantinho Dumbo não fala uma única palavra, comunicando os sentimentos – tristeza, medo, felicidade – unicamente através dos olhos e dos movimentos do corpo. Graças a isso, a narrativa se torna puramente cinematográfica, como prova a bela seqüência inicial, em que uma cegonha vestida de carteiro faz visitas ao circo e “entrega” os filhos dos animais que vivem por lá. Também se tornou famosa a cena de Dumbo com os corvos, ponto de virada importante para a história e que promove a idéia de que pessoas podem admitir um erro sem serem melodramáticas e sem humilhação. Curto e com conteúdo de apelo universal, “Dumbo” é um filme perfeito para crianças, e que os adultos vão aprender a admirar graças a qualidade cinematográfica da narrativa.

Há duas versões de “Dumbo” em DVD, ambas com boa qualidade de imagem (full 1.33:1) e áudio (Dolby Digital 5.1). A primeira, de capa azul, traz extras com potencial para agradar adultos e crianças. Os primeiros vão curtir um pequeno documentário (14 minutos) sobre a importância do filme e mais dois curtas da Disney que serviram de inspiração para a criação do longa (com, respectivamente, 6 e 8 minutos). As crianças vão curtir os curtas, duas canções para cantar junto, um vídeo musical e um jogo interativo. O único problema é que esse material extra não tem legendas em português – e é bastante estranho ter que ver um documentário dublado. O problema das legendas não existe na segunda versão, de capa amarela, e que inclui um punhado de featurettes históricos sobre o processo de produção do filme.

– Dumbo (EUA, 1941)
Direção: Ben Sharpsteen
Animação
Duração: 64 minutos

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