Era do Gelo, A

25/09/2003 | Categoria: Críticas

Animação co-dirigida por brasileiro une proposta educativa a história envolvente e desenhos de alto nível

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

O avanço tecnológico ocorrido no setor de animação está sendo acompanhado por textos inteligentes e bem-humorados. O desenho animado “A Era do Gelo” (Ice Age, EUA, 2002) é um dos exemplos mais recentes dessa afirmação – embora não seja exatamente o melhor. A película, co-dirigida por um brasileiro, vai além da animação de criaturas digitais feita com competência. É um filme gracioso, educativo e, em certos momentos, também muito engraçado.

A produção, que marca a estréia da firma norte-americana Blue Sky no setor de longas de animação, era um tremendo risco para a Fox, companhia que entrou como associada nos custos da obra. Nos quatro anos de trabalho duro, o roteiro foi reescrito diversas vezes e o processo de animação computadorizada em três dimensões ganhou grande complexidade. O esforço acabou recompensado: “A Era do Gelo” conseguiu a maior bilheteria de estréia de um longa em março, arrecadando US$ 46 milhões apenas nos EUA – isso numa época em que as crianças, maior público-alvo, estão na escola.

“A Era do Gelo” segue os passos de “Shrek” e “Monstros S/A”, dois peso-pesados da animação digital que fizeram enorme sucesso em 2001. É, portanto, um filme capaz de agradar a gente de todas as idades. O enredo gira em torno de cinco personagens: o grupo formado pelo rabugento mamute Manfred (voz de Diogo Vilela), pela preguiça desastrada e falante Sid (Tadeu Melo) e pelo traiçoeiro tigre dentes-de-sabre Diego (Márcio Garcia) se une para enfrentar uma viagem dura por paisagens congeladas e levar um bebê até a tribo de humanos a que pertence.

O quinto personagem abre o filme e é um dos animais mais engraçados que já surgiram no cinema digital: o esquilo Scrat passa todo o tempo às voltas com uma noz e acaba sendo personificado no roteiro como o verdadeiro responsável pela chegada do frio glacial que cobriu o planeta, há 20 mil anos. Nos cinemas, a aparição do esquilo na tela era saudada com palmas pelas crianças. Muitos adultos também vão às gargalhadas com as peripécias do minúsculo roedor.

O casamento entre tecnologia e criatividade alcança um ótimo nível em “A Era do Gelo”. A animação em 3D procura um diferencial importante e aposta num estilo menos realista, francamente lúdico, mais próximo aos bonecos de massa de “Fuga das Galinhas” do que ao realismo gráfico de “Shrek”. O trabalho visual impressiona sobretudo porque a maior parte do filme captura de forma enérgica as superfícies translúcidas e o caledoscópio de cores que o cenário gelado é capaz de gerar. Fogo, fumaça e líquidos também são mostrados num nível que beira a perfeição.

O roteiro, por sua vez, tem uma proposta educativa curiosa, de certa forma ausente nas produções atuais. Ele fala aos pirralhos diretamente sobre a pré-história, inclusive apontando soluções curiosas para a extinção de algumas espécies. Para os adultos, referências visuais a filmes como “Jornada nas Estrelas” e “Clube da Luta” podem ser um trunfo a mais. Esse recurso, porém, depõe contra o longa, já que foi explorado fartamente em produções como “Shrek”. Da mesma forma, a construção das personalidades dos protagonistas segue os clichês desse tipo de filme. Mesmo assim, “A Era do Gelo” é capaz de divertir e encantar.

– A Era do Gelo (Ice Age, EUA, 2002)
Direção: Chris Wedge e Carlos Saldanha
Elenco: Dennis Leary, John Leguizamo (vozes originais); Diogo Villela, Márcio Garcia, (vozes na versão dublada)
Duração: 115 minutos

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