Estranhos, Os
22/11/2008 | Categoria: Críticas |
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Estréia de Bryan Bertino na direção quer apenas manter o espectador com os nervos em frangalhos durante toda a projeção, e alcança o objetivo com louvor
Por: Rodrigo Carreiro
NOTA DO EDITOR: 




O casal chega à luxuosa e isolada casa de campo dos pais dele, após uma festa, na maior tristeza. O plano original de James (Scott Speedman) era proporcionar a Kristen (Liv Tyler) a madrugada mais romântica da vida dela. Ao recusar o pedido de casamento feito pelo namorado, porém, ela estragou tudo. Não demora muito, porém, para que os dois se vejam obrigados a enxugar as lágrimas para enfrentar uma estranhíssima e apavorante tentativa de invasão, feita por desconhecidos que usam máscaras sinistras. Com esta premissa enxuta, “Os Estranhos” (The Strangers, EUA, 2008) não tem pretensão maior do que simplesmente manter o espectador com os nervos em frangalhos, em estado de tensão absoluta, durante toda a projeção. E o objetivo é alcançado com louvor.
Para a estréia cinematográfica, o diretor e roteirista Bryan Bertino escreveu uma história baseada num episódio ocorrido durante a infância. Certa vez, durante a noite, a família dele foi surpreendida com batidas à porta de um estranho, que perguntava sobre uma pessoa que não morava lá. No dia seguinte, os Bertino descobriram que outra casa na vizinhança havia sido invadida e assaltada. Tomando como ponto de partida apenas as batidas inesperadas na porta de casa, Bryan escreveu um roteiro inteiramente ficcional (sim, os letreiros que abrem o filme são mentirosos) para um filme pequeno em todos os sentidos. A história se passa quase toda numa só locação (a mansão luxuosa de campo de uma família de classe média), e o elenco tem apenas dois atores e um punhado de figurantes.
“Os Estranhos” se propõe apenas a contar apenas a história de um casal assediado de madrugada por estranhos que usam sinistras máscaras. Não há nenhum subtexto, o diretor não tenta passar nenhuma mensagem, nada disso. Nem mesmo a composição consistente dos personagens é importante. Se Bryan Bertino dedica o primeiro ato a apresentar o casal em situação de conflito, isso ocorre apenas para permitir maior empatia do público com os dois. Afinal, eles são pessoas comuns, igualzinho ao pessoal do lado de cá da tela. Ele não passa de um cara apaixonado que acaba de sofrer a pior desilusão de sua vida. E o pior é que ela gosta dele. Apenas está confusa. Acha que é jovem demais para dar um passo tão importante quanto casar.
A partir da primeira pancada na porta da casa de campo, porém, o que se vê na tela é uma história simples, quase corriqueira, mas contada de uma forma que garante tensão permanente. A maior virtude do longa-metragem é a decupagem (a escolha dos ângulos de câmera), criteriosa planejada pelo diretor. Seguindo à risca a definição de suspense dada pelo mestre Alfred Hitchcock, o cineasta estreante trata de posicionar a câmera sempre numa posição que permita à platéia saber um pouco mais do que os dois personagens principais. Este é o segredo da tensão que faz o espectador fincar os dedos na poltrona e não largar nunca. Nós sabemos coisas que eles – o casal – não sabem. Hitchcock dizia que esta era a maneira mais eficiente de criar suspense, pois quando a platéia fica na mesma posição dos personagens, apenas toma sustos, um recurso que perde força quando utilizado em excesso.
Outra técnica utilizada pelo diretor para causar desconforto na platéia é a mobilidade da câmera. Ela nunca está fixa. Move-se sem parar, de modo lento, praticamente imperceptível, quase sempre lateralmente. Não é uma técnica utilizada de modo gratuito. O movimento incessante contribui para que a platéia permaneça com a sensação de quebra de estabilidade. Nós percebemos inconscientemente que algo está errado, ainda que não saibamos nomear o que é. Além disso, o uso de música diegética (ou seja, cuja fonte de origem está dentro do quadro) é criativa, embora crie emoções distintas para os personagens e para a platéia – enquanto desorienta e assusta os primeiros, agrega ainda mais tensão e angústia para os últimos, por causa da expectativa do susto.
Numa época em que o gênero de horror está dominado por imagens de violência explícita e por clichês narrativos que se propagam como erva daninha, o surgimento de um filme como “Os Estranhos”, que investe todos os recursos na criação de uma atmosfera e a sustenta com o uso inteligente de recursos simples e eficientes, deve sempre ser saudado como dado positivo. Infelizmente, o sucesso alcançado nas bilheterias norte-americanas, onde o filme fez surpreendentes US$ 52 milhões, depois de gastar o magro orçamento de U$ 9 milhões, acabou dando sinal verde para a produção de uma desnecessária continuação. Mas essa já é outra história.
- Os Estranhos (The Strangers, EUA, 2008)
Direção: Bryan Bertino
Elenco: Liv Tyler, Scott Speedman, Glenn Howerton
Duração: 85 minutos


(17 voto(s), média de 3,59 em 5)


Mas segundo relatos em fóruns da net. “Os Estranhos” seria um remake, pra não dizer cópia, de um filme fime frances, chamado ELES (FRANÇA / 2006), Lançado pela distribuidora Europa Filmes.
Vi o DVD de ELES, ontem, na Americans da 7 de Setembro.
E a sinopsie é muito parecida:
“Clémentine e Lucas são franceses que vivem em Bucareste, na Romênia. Ela dá aula de francês, ele é escritor. O casal mora numa enorme e velha casa afastada do centro da cidade.Um local calmo e tranqüilo, até que certa noite Clémentine ouve um barulho no andar de baixo da casa. Assustada, ela acorda o marido. Eles estão atacando furiosamente e querem apenas brincar e apavorar.”
Link: http://www.videolar.com/ProdutoDVD.asp?productid=120141
mas o que poucos entenderam é que: não saber a identidade dos assasinos, deixa todos com a sensação de que nada pôde ser feito e nem poderá!
Laranja Mecanica já mostrava a violência gratúita e o que é mais angustiante, SEM MOTIVO ALGUM, assim como mostra esse filme, psicopatas não precisam de um motivo pra matar e sim da situação…
Rodrigo eu não vi o filme “Eles” qual é o melhor?
abraços
Desculpem a viajem!!
Qto ao final achei inteligentemente vago! Um acerto! plausível e inesperado, muito bom.
Qto as atitudes dos mocinhos, alguém aí que os chamaram de estúpidos já esteve em uma situação ao menos parecida??? Eu enfrento situações de alta tensão e posso dizer, de cada 10 decisões que tomamos ao menos nove poderiam ser bem melhores após 1 hora do ocorrido…
E pessoal… pq esse desejo tão grande de ter o filme sempre explicado por uma reviravolta (as vezes bem idiota) no final? A coisas desconhecidas no mundo sabiam…
Filme bom de suspense… a chave mestra, a escuridão, Os outros, e vários outros que tem um contexto e não simplesmente assuta quem assite.
Quando vi o trailer do filme, achei-o muito interessante e o começo do filme mostra-se realmente promissor. Mas para tudo aí, infelizmente… O roteiro trilha pelos clichês mais terríveis que me fizeram sair da trama e não mais entrar no clima de tensão, passando a achar tudo risível. E talvez seja mesmo…
Os mocinhos são estúpidos e cometem os erros mais triviais. Os vilões são quase deuses, com dons de onisciência e onipresença! Não era para serem deliquentes “normais”?
Destaque para a parte sonora do filme que consegue se utilizar de recursos simples, como uma vitrola “engasgada”, para fazer os nervos fritarem de tensão.