Estranhos Prazeres

13/02/2008 | Categoria: Críticas

Thriller sci-fi obscuro, que esconde premissa inteligente, influenciou muita coisa boa no gênero

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

Há alguns filmes cujo sucesso, ou falta dele, é um verdadeiro enigma. O thriller sci-fi “Estranhos Prazeres” (Strange Days, EUA, 1995) se encaixa perfeitamente no segundo caso. Elaborado a partir de uma premissa inteligente, com ótima trilha sonora, boas atuações e uma cinematografia arrojada, o longa-metragem dirigido por Kathryn Bigelow foi um fracasso de bilheteria nos EUA e, apesar de ter influenciado produções vindouras do mesmo filão – inclusive “Matrix” – jamais alcançou boa repercussão, nem mesmo entre os ciclos de cinéfilos especializados em redescobrir boas obras que passaram em branco pelos cinemas.

O nome por trás de “Estranhos Prazeres” é o do diretor e produtor James Cameron. Ele escreveu o roteiro do longa-metragem inspirado nos levantes populares de 1992, em Los Angeles. Para quem não lembra, multidões de afro-americanos destruíram lojas e realizaram saques na cidade norte-americana, depois da divulgação de uma fita de vídeo que mostrava policiais da cidade espancando um jovem negro. Cameron elaborou uma versão ficcional do caso, misturou-a aos então populares relatos sobre o bug do milênio (esperava-se uma pane generalizada de computadores na virada de 1999 para 2000, o que acabou não acontecendo) e criou uma autêntica narrativa cyberpunk.

No filme, Lenny (Ralph Fiennes) é um ex-policial que ganha a vida vendendo uma nova droga proibida por lei: pequenos discos digitais contendo gravações das ondas cerebrais de pessoas passando por experiências radicais. Acoplados a um aparelho especial, os tais discos fazem os usuários sentir todas as sensações e emoções de quem viveu aquela situação real. A trama é disparada depois que Lenny recebe um disco que contém imagens potencialmente explosivas. Ele passa a ser perseguido, e ainda tem que lidar com a ex-namorada por quem é apaixonado (Juliette Lewis) e com o roqueiro violento que está saindo com ela (Michael Wincott). Para resolver o caso, Lenny conta apenas com a ajuda de dois amigos, um detetive (Tom Sizemore) e uma agente de segurança (Angela Bassettt).

Embora recorra a clichês do gênero, especialmente no terceiro ato, “Estranhos Prazeres” se beneficia do excelente elenco e do trabalho minucioso na área visual. A fotografia é sensacional, com destaque para as seqüências subjetivas, em que a câmera – um aparelho construído especialmente para o filme – assume o ponto de vista de quem está usando o disco-droga. Também é ótima a ambientação futurista-distópica, reembalada de “Blade Runner” (1982) e que influenciou decisivamente thrillers futuristas como “Minority Report” e “Matrix”. Por fim, a trilha sonora, com canções de Tricky e PJ Harvey (cantada no filme por Juliette Lewis), é outro destaque.

Nunca lançado em DVD no Brasil, o filme está disponível nos Estados Unidos em uma versão mais longa, com mais nudez e violência, do que aquela exibida originalmente nos cinemas. A qualidade de imagem (widescreen 2.35:1 anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1) é boa. Os extras incluem um par de cenas cortadas e comentário em áudio com a diretora.

– Estranhos Prazeres (Strange Days, EUA, 1995)
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Ralph Fiennes, Angela Bassett, Juliette Lewis, Tom Sizemore
Duração: 145 minutos

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