Exterminador do Futuro 3

05/01/2004 | Categoria: Críticas

Filme perfeito para testar a potência sonora do home theater, terceiro exemplar da franquia repete roteiro do segundo

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

A premissa da franquia “Terminator” é, talvez, a melhor idéia que já saiu da mente do cineasta James Cameron. Uma afirmação dessas, a respeito de um homem que concebeu e realizou filmes como “O Segredo do Abismo” e “True Lies”, pode parecer exagerada – e o inevitável assunto “Titanic” nem teria vindo à tona ainda. Mas é fato. O primeiro exemplar de “O Exterminador do Futuro” permanece como uma das mais engenhosas fantasias de ficção científica a ser produzida na década de 1980.

Para quem não conhece, a premissa é a seguinte: no futuro, computadores super-inteligentes iniciam uma guerra aberta contra a raça humana. A resistência dos homens é liderada por um norte-americano, John Connor, que impõe derrotas seguidas aos seres artificiais. Assim, na tentativa de impedir essas derrotas, as máquinas enviam um ciborgue sofisticado ao passado, com a intenção de exterminar a mãe de rapaz (ou o próprio).

Os dois primeiros filmes da franquia foram grandes sucessos. O primeiro tomou emprestado da literatura de sci-fi e estabeleceu, para o cinema, regras sobre o tratamento apocalíptico a respeito dos perigos da tecnologia. Essas regras seriam, inclusive, copiadas à exaustão em outra franquia milionária, “Matrix”. Já o segundo teve a idéia inteligente de recontar a primeira história, invertendo o papel do andróide, que passava de vilão a herói. De quebra, o filme nº 2 ainda apresentou ao mundo efeitos digitais de amplitude inédita até então, como um robô de metal líquido.

Todo esse preâmbulo serve para situar o leitor/espectador a respeito do terceiro exemplar da série, “O Exterminador do Futuro 3: Rebelião das Máquinas” (Terminator 3: Rise of the Machines, EUA, 2003). O longa-metragem tem atores jovens de certo respeito, efeitos especiais de excelente qualidade e longas seqüência de aventura alucinada e barulhenta, perfeitas para jovens que desconhecem os dois primeiros filmes. Já aqueles que os conhecem podem descrever a obra com uma palavra: decepção.

Basicamente, o problema com “O Exterminador do Futuro 3” é a falta de boas idéias. O filme simplesmente repete o longa anterior, com pequenas variações e um upgrade completo de efeitos visuais e sonoros. Repare na sinopse: John Connor (Nick Stahl) aguarda o dia do juízo final com apreensão, quando uma versão turbinada de andróide (Kristanna Loken) surge para matá-lo. Novamente, os humanos enviam o andróide T-800 (Arnold Schwarzenegger) para protegê-lo.

Algumas das variações: Connor vive como um mendigo, para evitar que as máquinas possam localizá-lo; e os roteiristas providenciaram um interesse amoroso (Claire Danes) para o rapaz. A exterminadora é uma mulher (gatíssima, por sinal). Ela possui a capacidade de criar armas de poder destruidor incomparável apenas manipulando os elementos químicos que compõem seu corpo. Tudo isso fornece o material necessário para que Hollywood entregue o arrasa-quarteirão padrão de sempre.

Nada de errado com gostar de um filme assim, desde que se saiba que ele já foi feito centenas de vezes antes. Espectadores que gostam de explorar a capacidade do subwoofer vão gostar particularmente da seqüência em que a exterminadora dirige um guindaste com o T-800 pendurado na ponta. O caminhão, claro, destrói uns quinze quarteirões e ameaça furar os tímpanos de qualquer ouvinte. A produção dos efeitos especiais é de tirar o chapéu, e o ritmo de filme parece, conveniente, com uma montanha-russa que só anda para baixo: velocidade no limite, o tempo inteiro.

O maior mérito desse filme parece ser mesmo o final inteligente, único sopro de originalidade que aparece no roteiro. E ele ainda cumpre a função de preparar o terreno para a produção de uma quarta seqüência. Tomara que, da próxima vez, James Cameron retome o controle da franquia (ele não participou da produção deste filme) e restaure o saudável hábito de adicionar idéias interessantes ao roteiro. Do contrário, os futuros “Terminator” não passarão de veículos de luxo para espetáculos de destruição de carros e casas, algo que Hollywood já transformou em rotina.

– O Exterminador do Futuro 3: Rebelião das Máquinas (Terminator 3: Rise of the Machines, EUA, 2003)
Direção: Jonathan Mostow
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Nick Stahl, Claire Danes, Kristanna Loken
Duração: 104 minutos

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