Fantástica Fábrica de Chocolate, A (1971)

10/02/2005 | Categoria: Críticas

Filme mescla elementos sombrios e hipercoloridos em fábula moderna para crianças

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

Quando você vê a reação que toma conta de uma criança, quando ela assiste a um filme como “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (Willy Wonka & The Chocolate Factory, EUA, 1971), a primeira questão que vem à mente diz respeito à mistura de medo e fascínio que os pequenos não conseguem disfarçar. É difícil, talvez impossível, explicar porque algo do gênero acontece. Por que até os garotos mais novos gostam de sentir medo? O fato é que existe um elemento sombrio em quase todas as histórias infantis clássicas, de Peter Pan às fábulas de Hans Christian Andersen, que o longa-metragem de Mel Stuart captura perfeitamente.

A história de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, um dos filmes mais repetidos na tradicional Sessão da Tarde, que embalava as tardes globais de todo mundo que foi criança na década de 1980, é muito conhecida. O personagem principal é Charlie (Peter Ostrum), um loirinho pobre, que sustenta uma família inteira entregando jornais e ralando como gente grande. Quando o excêntrico milionário Willy Wonka (Gene Wilder) lança um concurso que premiará cinco meninos com uma visita à sua misteriosa fábrica de chocolates, Charlie passa a sonhar com o bilhete dourado que, escondido dentro de um doce da fábrica, servirá como passaporte para o mundo mágico de Wonka.

Lógico que Charlie encontra o bilhete dourado. Não sem uma boa dose de suspense, é claro. Toda a primeira parte do filme se dedica a mostram como o menino é gente boa, ingênuo e prestativo. Ele tem um avô, Joe (Jack Albertson), que vive deitando em uma cama, adoentado, mas faz um esforço especial para levantar e acompanhar Charlie à fábrica, junto com quatro outros pirralhos e seus pais. Há ainda um alemão sinistro, um sujeito de capa preta e óculos escuros que aborda todos os ganhadores do concurso, e cuja identidade é mantida em segredo durante todo o filme.

A visita à fábrica, evidentemente, ocupa a maior parte do enredo e reserva um monte de surpresas para os garotos. Algumas são luminosas (um rio de chocolate que corre dentro da fábrica), outras sinistras (um dos garotos cai dentro do rio e é sugado por uma espécie de tubo de laboratório gigante, galinhas são decepadas). Mas nada é tão impactante no filme quanto a visão dos Oompas Loompas, os operários responsáveis pela fabricação do delicioso chocolate de Willy Wonka. São excêntricos anões de pele laranja e cabelos verdes, que cantam canções excêntricas enquanto trabalham no chocolate. Sinistro, e fascinante!

O filme funciona muito bem, mesmo décadas após ser produzido, para as crianças. De alguma forma, “A Fantástica Fábrica de Chocolate” funciona como uma fábula moderna sobre o bom e o mau – as crianças visitantes recebem prêmios e castigos que variam, de acordo com o comportamento que têm durante a visita. O filme tem visual luminoso, hipercolorido, responsável por uma boa parcela do encantamento que atinge aos meninos que vêem o filme. “A Fantástica Fábrica de Chocolate” não funciona muito bem para adultos, pois o personagem de Willy Wonka é um enigma jamais explicado, mas aqueles que souberem ver filmes infantis com o espírito adequado serão recompensados.

A Warner lançou uma versão robusta do filme em DVD. Além de um comentário em áudio que reúne os cinco atores que interpretam as crianças (agora, obviamente, todos são adultos), existe um bom documentário de 30 minutos, intitulado “Pura Imaginação”. Infelizmente, os extras não têm legendas no Brasil. O pior é que os brasileiros ganharam apenas a versão com tela cheia, que corta as laterais das imagens. Pelo menos o áudio Dolby Digital 5.1 foi mantido.

– A Fantástica Fábrica de Chocolate (Willy Wonka & The Chocolate Factory, EUA, 1971)
Direção: Mel Stuart
Elenco: Gene Wilder, Peter Ostrum, Jack Albertson, Roy Kinnear
Duração: 110 minutos

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