Festa do Monstro Maluco, A

04/07/2007 | Categoria: Críticas

Animação obscura de 1969 promove encontro lendário de monstros em filme cheio de humor e música

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

Você já imaginou o que aconteceria num só filme que conseguisse reunir todos os monstros mais lendários do cinema? Não precisa imaginar, porque este longa-metragem existe. Trata-se da a animação em stop motion “A Festa do Monstro Maluco” (Mad Monster Party?, EUA, 1969), um delírio cômico-musical que teve pouco sucesso na época do lançamento original, mas depois influenciou muitos cineastas de prestígio. Todos os grandes vilões sobrenaturais que assolaram as telas de projeção no século XX estão lá: Drácula, Frankenstein, o lobisomem, a múmia, o corcunda de Notre Dame, o homem invisível, Dr. Jekyll e Mr. Hyde e, de quebra, alguns outros menos votados.

Dirigido por Jules Bass e roteirizado por um dos humoristas mais quentes da revista Mad, Harvey Kurtzman (em parceria com Len Korobkin), “A Festa do Monstro Maluco” teve uma razão nada artística para fazer água nas bilheterias. É que o filme foi o terceiro exemplar de um pacote de animações infanto-juvenis com bonecos, produzido na segunda metade dos anos 1960 pelo pequeno estúdio Embassy. A má administração fez com que os produtores gastassem a maior parte da grana com o primeiro título, “A Rena do Nariz Vermelho” (1964). Com isso, os outros dois filmes foram arremessados nos cinemas sem uma estratégia de marketing, sendo recebidos pelo público com desinteresse.

Sorte de Tim Burton, que viu o filme na televisão quando era criança e ganhou uma influência decisiva na carreira. É difícil imaginar produções como “A Noiva-Cadáver” e a refilmagem de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, ou mesmo “Ed Wood”, sem a existência prévia do alucinado filme de Jules Bass. Construído com um visual extravagante e com uma animação quadro-a-quadro de qualidade espetacular, o filme faz um coquetel de gêneros cheio de originalidade e bom-humor, mesclando sátira com trechos musicais e piadas impagáveis. Um filme certamente à frente de seu tempo, e que vai agradar em cheio aos fãs dos antigos filmes de monstro da Universal.

O enredo é bem simples: após uma descoberta sensacional, o Barão de Frankenstein (voz e rosto de Boris Karloff) decide convocar uma convenção com os monstros mais famosos do planeta. O encontro, que se dará na sinistra ilha do Caribe onde o líder dos monstrengos vive com a linda ajudante Francesa e alguns serviçais, tem o objetivo de servir de palco para uma troca de guarda no comando do clã dos seres monstruosos, pois o Barão pretende anunciar a aposentadoria e passar o cetro para o sobrinho atrapalhado Felix, um aprendiz de farmacêutico. O problema é que os outros monstros não gostam nada da idéia, e farão de tudo para impedir o rapaz ingênuo de ganhar a liderança do grupo.

“A Festa do Monstro Maluco” é um daqueles longas-metragens que dispensa a exigência de lógica, pois o grande lance é curtir as grandes sacadas do roteiro, que tiram sarro com as principais características de cada monstro. O que dizer, por exemplo, da brilhante seqüência em que o Drácula tenta atacar Felix no meio da floresta? Ou da hilariante seqüência musical com uma banda de rock formada por caveiras? E quanto ao clímax, que traz de surpresa outra fera conhecidíssima dos filmes do gênero, atirando toda a trama de cabeça para baixo? Para finalizar, convém não perder a deliciosa cena final, com uma citação impagável do encerramento lendário de “Quanto Mais Quente Melhor”, de Billy Wilder. Uma grande comédia para gente de todas as idades.

O filme está disponível no Brasil em DVD com o selo da Works Editora. Não há extras, mas o disco traz o filme com qualidade decente de imagem (fullscreen 1.37:1, formato original) e áudio (Dolby Digital 2.0). Há dublagem em português.

– A Festa do Monstro Maluco (Mad Monster Party?, EUA, 1969)
Direção: Jules Bass
Animação
Duração: 94 minutos

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