Floresta, A

29/11/2006 | Categoria: Críticas

Terceiro trabalho de Lucky McKee tem atmosfera sinistra, mas apenas recicla idéias de velhos filmes de horror

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

Um rígido internato para garotas, instalado no meio de uma longínqua e sinistra floresta onde pessoas desaparecem e lendas de bruxas são contadas como verdades. A mera idéia de que pais possam colocar filhos para estudar num ambiente do gênero já tira bastante da credibilidade de “A Floresta” (The Woods, EUA, 2006), uma excêntrica mistura do etéreo “Piquenique na Montanha Misteriosa” (1975) com a série “Evil Dead”, de Sam Raimi. Realismo, contudo, não é exatamente aquilo que o diretor Lucky McKee deseja atingir. Meter medo na platéia é tudo o que importa, mesmo que seja através de uma reciclagem sem cerimônia de velhas idéias.

Lançado diretor no mercado caseiro de vídeo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, “A Floresta” ficou famoso por ter o título original registrado antes de “A Vila”, de M. Night Shyamalan, obrigando o famoso diretor de “O Sexto Sentido” a alterar o nome original da obra. A produção de US$ 12 milhões, contudo, não arrancou. Fez carreira pífia em festivais de cinema fantástico mundo afora, de forma que os estúdios Sony acabaram preferindo não lançá-lo nos cinemas. A estratégia era atrair os fanáticos por filmes de horror, que se organizam em comunidades on-line onde a propaganda boca-a-boca é a alma do negócio.

Via de regra, a terceira obra assinada por Lucky McKee parece uma colagem de elementos pinçados de filmes melhores e mais originais. A referência mais importante, sem dúvida, é “A Morte do Demônio” (1981), primeiro exemplar da franquia “Evil Dead” – e a participação pequena mas importante do ator Bruce Campbell, protagonista do filme de Raimi, deixa explícita a homenagem. De “Piquenique na Montanha Misteriosa”, vem a sexualidade reprimida de um grupo de adolescentes submetidas a uma rotina de pesadas privações. Há ainda conexões com “Suspiria” (1977), de Dario Argento (o tema “bruxaria”) e “A Bruxa de Blair” (1999). Originalidade não é o forte de McKee.

Por si só, esses detalhes não interferem na qualidade geral de “A Floresta”. E a produção tem pontos positivos, como a bem cuidada fotografia em tom verde-musgo de John Leonetti e a trilha sonora curiosa, que alterna trechos orquestrados com discrição e boas canções dos anos 1960 (o filme não diz explicitamente, mas sugere que a ação é ambientada nesta época). Direção de atores, porém, não é o forte de McKee. Todo o elenco parece inseguro; as atrizes mais experientes caminham como robôs pela escola, e as mais jovens conversam gritando. Tudo isso enfatiza ainda mais a atmosfera bizarra, não-realista, algo reforçado pelas seqüências com efeitos especiais, editadas de modo veloz para esconder os defeitos.

No entanto, o que realmente incomoda é a ausência absoluta de realismo na história. Cena após cena, o filme segue mergulhando em um ambiente onírico, e a platéia jamais sente que aquelas situações poderiam de fato estar ocorrendo em algum lugar. Este sentimento de artificialidade contribui bastante para diluir os sustos e evitar qualquer tipo de empatia entre personagens e platéia, o que é muito ruim. No final, “A Floresta” acaba sem assustar ninguém. E não há nada pior do que ver filme de horror sem ficar com medo.

O lançamento brasileiro do DVD é da Sony. O disco é simples, contendo apenas o filme, sem extras e com boa qualidade de imagem (widescreen anamórfica) e som (Dolby Digital 5.1).

– A Floresta (The Woods, EUA, 2006)
Direção: Lucky McKee
Elenco: Agnes Bruckner, Patricia Clarkson, Rachel Nichols, Bruce Campbell
Duração: 91 minutos

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