Friends – 6ª Temporada

29/08/2004 | Categoria: Críticas

Série interrompe progressão dramática dos personagens e cai no lugar comum

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Como analisar uma temporada inteira de uma série de TV? O sexto ano de “Friends”, por exemplo, possui 23 episódios mais ou menos independentes entre si. Ao todo, o pacote de quatro discos tem 569 minutos, praticamente dez horas de piadas ininterruptas, uma atrás da outra. É a qualidade individual dessas gags que importa? Ou a condução firme dos conflitos gerados dentro da narrativa da série, como um todo, deve ser levada mais em conta? O caso desta sexta temporada de “friends” é pouco comum, porque os dois critérios levam a análises muito distintas.

Do ponto de vista das piadas, a qualidade homogênea da série é pouco questionável. “Friends” é bacana do começo ao fim; mesmo no sexto ano, quando a repetição incessante dos três cenários básicos da trama começa a incomodar de maneira mais evidente, o seriado mantém a qualidade. O problema aparece quando a gente coloca o sexto ano dentro do contexto geral da série, que já teve grandes momentos (especialmente a segunda temporada, na minha opinião a melhor de todas).

Nesse pacote, fica clara a falta de inspiração dos produtores da série. Em anos anteriores, era possível encontrar uma mínima vontade de ousar. Isso ficava evidente com o uso relativamente de constante de cenários diferentes (uma casa de praia, o interior de um táxi) ou o aparecimento de personagens que duravam alguns capítulos na trama, geralmente como namorado de algum dos seis protagonistas (o caso mais notório é o do ator Tom Selleck, que fez o papel de Richard, dentista quarentão que sai com Monica, durante vários episódios). Dessa vez, esses suspiros de originalidade praticamente não existem. Quase 95% das cenas se passam exclusivamente no café Central Perk ou nos apartamentos de Monica e Chandler, que permanecem igualzinhos.

Ao contrário. Vista no contexto dos seis anos de seriado, a sexta temporada mantém os amigos Ross (David Schwimmer), Joey (Matt LeBlanc), Rachel (Jennifer Aniston), Phoebe (Lisa Kudrow), Monica (Courtney Cox Arquette) e Chandler (Matthew Perry) no piloto automático. Do ponto de vista dramático, o sexto ano da série poderia ser eliminado sem nenhum problema da história da série. O vigésimo-terceiro episódio termina praticamente no mesmo lugar onde o primeiro começou: Ross e Rachel não se acertam, Joey e Phoebe continuam sendo utilizados como contrapontos cômicos, e Monica e Chandler estão no princípio de uma vida de casal cheia de pequenos conflitos.

De fato, o ponto central desta sexta temporada é exatamente a relação dos dois últimos. Chandler é o único personagem que progride um pouco em relação aos anos anteriores, uma vez que é ele o homem confrontado com o dilema básico do homem adulto yuppie: casar ou não casar? Todos os demais, incluindo Monica, passam toda a temporada sem nenhuma progressão como personagens. Ross e Rachel viveram isso entre o segundo e o quinto ano, como casal e como indivíduos; até mesmo o adorável bobão Joey teve seus momentos. Mas o fã de “Friends” pode, se quiser, eliminar a sexta temporada da lista de compras de DVD. Se pular da quinta para a sétima caixa, não vai sentir grande diferença.

Nem mesmo os extras do pacote são atraentes. Há apenas três comentários em áudio dos produtores (todos sem legendas), um jogo de trívia, um pequeno segmento com erros de gravação e uma espécie de apresentação prévia da sétima temporada. A trilha de áudio tem formato Dolby Digital 5.0 e a imagem é fullscreen 4×3, o corte original da série.

– Friends – 6ª Temporada
Elenco: Courtney Cox Arquette, Matthew Perry, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, David Schwimmer, Jennifer Aniston
Duração: 569 minutos

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