Fugitivo, O

10/07/2008 | Categoria: Críticas

Aventura em ritmo de thriller, assinada por Andrew Davis, privilegia a ação física e acaba diluindo um pouco a tensão

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Um famoso cirurgião de Chicago (EUA) é condenado à morte sob a acusação de ter assassinado a esposa para herdar uma herança milionária. Ele consegue escapar, mas retorna à cidade para tentar descobrir o paradeiro do verdadeiro assassino, de que possui apenas uma pista – tem apenas um braço. Enquanto isso, é caçado por um obstinado agente federal. O enredo básico de “O Fugitivo” (The Fugitive, EUA, 1993) caberia muito bem numa produção de Alfred Hitchcock. Ao invés de criar tensão e suspense a partir do jogo de gato e rato, porém, o operário Andrew Davis preferiu priorizar as longas seqüências de ação, gerando uma aventura em ritmo de thriller que conta com elenco em grande forma e algumas cenas interessantes, embora deixe no ar o cheiro de potencial desperdiçado.

A idéia original do longa-metragem vem de uma série de TV que fez bastante sucesso nos anos 1960. Durante quatro temporadas, a saga desesperada do médico que fazia de tudo para encontrar o matador da mulher, enquanto era procurado pelo FBI, capturou a atenção de milhares de espectadores, durante 120 episódios. O roteiro de Jeb Stuart e David Twohy mantém os nomes dos principais personagens, bem como o conceito fundamental que move a trama, mas reelabora toda a motivação do crime misterioso, encaixando na história um subtexto ambicioso que critica a indústria farmacêutica. Curiosamente, esse subtexto dilui parte da força do velho seriado, que era exatamente a sensação de absurdo rondando a cabeça do protagonista, duplamente desesperado por não entender as razões do crime e da perseguido de que é vítima.

Por outro lado, o trabalho de Andrew Davis se beneficia bastante do ótimo elenco, liderado por Harrison Ford (no papel do cirurgião injustiçado) e com Tommy Lee Jones (o agente federal obsessivo) em estado de graça. Este último, por sinal, ganhou o Globo e Ouro e o Oscar de ator coadjuvante pela atuação, calcado em um olhar fixo de gelar os ossos e numa expressão rígida capaz de meter medo em fantasma. Os coadjuvantes acompanham a química dos protagonistas, e incluem uma ponta interessante da futura estrela Julianne Moore, como uma médica que desconfia das andanças de Harrison Ford dentro do hospital geral da metrópole norte-americana. Se o elemento humano agrada, os efeitos especiais não. Confira, por exemplo, o momento em que o fugitivo salta de um abismo – um boneco de pano muito mal feito deve ter sido usado na cena, já que ele dobra a coluna em ângulos impossíveis durante a queda.

Por outro lado, a seqüência mais lembrada do filme é bem caprichada. Trata-se da fuga do Dr. Richard Kimble, que consegue escapar das garras da lei após um acidente espetacular. Na ocasião, o ônibus responsável pelo transporte de um grupo de prisioneiros condenados à morte para uma penitenciária de segurança máxima cai de uma ribanceira e é atropelado por um trem. Para filmar a cena, Andrew Davis descarrilou um trem de verdade. A eficiente montagem da cena é acompanhada por uma edição de som cavernosa, repleta de ruídos que pulam de cada cantinho da sala. É um daqueles momentos cinematográficos capazes de testar as caixas de som de qualquer home theater. Não por acaso, a citada seqüência foi escolhida para apresentar aos críticos pernambucanos o sistema de som de última geração utilizado nos cinemas Multiplex Recife, em 1998, quando da inauguração do complexo.

O DVD nacional, que leva o selo da Warner, não tem boa qualidade. A trilha de áudio (Dolby Digital 5.1) não compromete, mas o enquadramento não está na proporção correta, tendo sido mutilado com cortes laterais para caber numa proporção de tela cheia (1.33:1, 4:3).

– O Fugitivo (The Fugitive, EUA, 1993)
Direção: Andrew Davis
Elenco: Harrison Ford, Tommy Lee Jones, Joe Pantoliano, Sela Ward
Duração: 130 minutos

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