Harry Potter e a Câmara Secreta

17/11/2010 | Categoria: Críticas

Segunda aventura do bruxinho inglês tem bons momentos, mas perde para a anterior

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Uma das principais críticas negativas que o primeiro filme da franquia “Harry Potter” recebeu dizia respeito à longa duração. Muita gente acreditava que manter a atenção de uma criança durante 153 minutos era uma tarefa difícil, por mais carismático que fosse o personagem na tela. É uma surpresa, portanto, constatar que o segundo filme, “Harry Potter e a Câmara Secreta” (Harry Potter and the Chamber of Secrets, EUA, 2002), seja oito minutos mais longo.

De fato, a adaptação do segundo livro da escritora J.K Rowling mantém a fórmula vencedora do filme de 2001, o que inclui a duração. O filme explora muito bem a linda arquitetura gótica das locações do Castelo de Hogwarts, desenvolve um pouco melhor os três personagens principais (além do próprio Harry, os aspirantes a bruxo Hermione Granger e Rony Weasley, melhores amigos do protagonista) e apresenta aos poucos novos personagens e criaturas fantásticas.

Em “A Câmara Secreta”, ganham espaço na narrativa um novo professor de Arte das Trevas, Gilderoy Lockhart (Kenneth Branagh), e um elfo, Dobby (personagem digital). O primeiro é uma evidente crítica às celebridades hollywoodianas: atrapalhado, bobalhão e medroso, ainda assim Lockhart aproveita a fama para construir uma caricatura de si mesmo como sujeito charmoso, destemido e inteligente. Já Dobby é uma boa criação dos técnicos de efeitos especiais, mas vira mero rascunho quando comparado ao Gollum de “O Senhor dos Anéis”.

Dobby, por sinal, dispara a narrativa da trama. É ele quem visita a casa de Harry durante as férias e tenta avisá-lo sobre uma conspiração que ocorre em Hogwarts para atingi-lo. Ao chegar na escola, alunos começam a aparecer misteriosamente petrificados. A proeza é atribuída a um lendário monstro que habitaria uma câmara secreta da escola, um local cuja existência jamais foi comprovada. Harry e os seus amigos, suspeitos de provocarem os incidentes, resolvem investigá-los.

Dessa maneira, a estrutura básica do filme obedece à risca a lição do primeiro filme, dividindo a trama em três partes bem distintas. A primeira focaliza ambientes fora de Hogwarts (em especial a casa da maldosa família adotiva do bruxinho), capricha nas cenas cômicas com efeitos especiais (o surgimento de Dobby e um engraçado vôo num carro alado) e apresenta os novos personagens (Lockhart e o já citado elfo).

Num segundo momento, o trio principal se concentra nas investigações do mistério. O final traz um inevitável confronto entre Harry e o espírito do poderoso bruxo-fantasma Voldemort, que em cada capítulo tenta se materializar fisicamente de modo diferente. Com essa estrutura e uma direção tão eficiente quanto burocrática, Chris Columbus entrega ao público um filme que lembra um bolo de chocolate: tem um gosto familiar, mas todo mundo gosta.

Numa comparação direta, “A Pedra Filosofal” continua melhor porque provoca no espectador a sensação de encantamento, por estar vendo pela primeira vez os cenários e personagens tão acalentados em livro. A surpresa, é claro, desaparece no segundo filme, e com ela vai junto boa parte do charme.

Em “A Câmera Secreta”, o espectador assiste nitidamente à evolução física dos atores que encabeçam o elenco (repare como Daniel Radcliffe, o Harry do filme, fica mais alto e bochechudo à medida que a ação transcorre), e esse é um bônus extra. Por outro lado, há de se lamentar os efeitos especiais fracos, como o tal monstro lendário que assola Hogwarts.

O DVD duplo tem uma quantidade anormal de material extra. O disco 1 traz o filme (com um lamentável corte de imagens lateral para encher a tela da TV, o que mutila os enquadramentos originais) e os trailers. O disco 2 traz 19 cenas deletadas, um documentário (17 minutos), uma entrevista com J.K. Rowling (16 minutos), jogos eletrônicos para se jogar com o controle remoto e vários segmentos com entrevistas dos atores. Já a edição quádrupla tem um disco com uma versão mais longa do filme, e outro com um documentário de bastidores.

– Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, EUA, 2002)
Direção: Chris Columbus
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Alan Rickman, Rupert Grint
Duração: 161 minutos

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