Harry Potter e a Pedra Filosofal

17/11/2010 | Categoria: Críticas

Aventura infanto-juvenil tem bons personagens e efeitos de primeira, mas parece longa demais

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

“Harry Potter e a Pedra Filosofal” (Harry Potter & The Philosopher’s Stone, EUA, 2001) foi um verdadeiro fenômeno mundial. O sucesso extraordinário da série de livros protagonizados pelo bruxo mirim garantiu à franquia cinematográfica um público garantido. Por isso, a série já nasceu rica, esmerada em reproduzir os ambientes góticos e requintados que os livros de J.K. Rowling sugerem. Dessa forma, o filme é uma superprodução.

O primeiro capítulo da saga cinematográfica do bruxo-mirim possui visual arrebatador e efeitos especiais de tirar o fôlego, capazes de agradar a fãs de todas as idades. Infelizmente, o lançamento quase simultâneo da trilogia “O Senhor dos Anéis”, com universo também povoado de magos e criaturas fantásticas, foi ainda mais longe, empalidecendo um pouco os méritos de “Harry Potter”. Ainda assim, como os dois públicos são diferentes (os filmes de Peter Jackson destinam-se a um público mais velho), a série inglesa funciona bem.

Na realidade, a obra do irregular diretor Chris Columbus (que fez o interessante “O Homem Bicentenário”) assusta o espectador antes mesmo dele entrar na sala para assisti-la. O megasucesso dos livros que inspiraram o protagonista – 110 milhões de cópias vendidas em 46 países – garantiram uma ansiosa espera dos milhões de fãs ao redor do mundo. Por isso, a gigantesca campanha de marketing bolada pelos estúdios Warner ostentou números impressionantes. Só para se ter uma idéia, o patrocínio da Coca-Cola, sozinho, pagou os custos dos US$ 150 milhões da produção, com folga.

Tudo isso poderia comprometer a continuidade da série, se “Harry Potter e a Pedra Fisosofal” não respeitasse fielmente o universo dos livros de J.K. Rowling. Nesse ponto, o cineasta não brincou em serviço. Usou a autora como consultora em tempo integral e pediu sua aprovação em cada detalhe. Dessa maneira, ficou livre para ousar em outras áreas, como na edição: deixou a obra com 2h33, o que poderia assustar as crianças menores. Os ingleses apostam que não, porque o filme é daquela estirpe que gruda na cadeira. As aventuras do livro foram resumidas, mas nenhuma ação foi retirada, o que garante a fidelidade que o público espera.

Além disso, Columbus conseguiu um raro equilíbrio visual. As imagens são góticas e imponentes, mas nunca a ponto de meter medo. A computação gráfica, utilizada para criar personagens digitais e na famosa seqüência do jogo de quadribol (esporte que mistura beisebol, hóquei e futebol americano, disputado pelos bruxos em vassouras voadoras), funciona com eficiência. O elenco inteiro também acerta no tom.

Aliás, esse talvez seja o grande mérito do longa. O trio principal de garotos (Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint) está muito bem, especialmente o ruivo Grint, contraponto cômico muito interessante. Já os atores adultos encarnam os personagens com charme e competência. Para completar, os longos corredores e as escadas movediças da locação principal, a escola de magia Hogwart, compõem um cenário que, por si só, é quase um personagem orgânico, vivo. “Harry Potter e a Pedra Filosofal” abre bem a trilogia.

O DVD duplo do filme é muito bem produzido, levando em consideração o público infanto-juvenil a que se destina. Nada de documentários longos ou explicações detalhadas sobre efeitos especiais; há apenas um documentário-padrão e muitos, muitos jogos, que transformam o segundo disco numa experiência interativa, embora meio chata para adultos. As imagens em tela cheia (com cortes laterais) também são um ponto fraco. Mas o som imponente (Solby Digital 5.1) garante a diversão. A edição de quatro discos inclui uma versão mais longa do filme (com corte widescreen) e dois discos de extras, incluindo desta vez um documentário longo sobre a produção.

– Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Philosoferl Stone, EUA, 2001)
Direção: Chris Columbus
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Alan Rickman, Rupert Grint
Duração: 153 minutos

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