Hitman – Assassino 47

16/04/2008 | Categoria: Críticas

Um amálgama esparrento de violência gráfica, mulheres semi-nuas e clichês de produções de ação, sem qualquer traço de originalidade ou criatividade. Soa como uma versão infanto-juvenil da série “Bourne”

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★☆☆☆☆

Filmes baseados em personagens de videogame são apostas de retorno financeiro garantido para os grandes estúdios. A razão é simples: são produções baratas, de baixo orçamento, com diretores e atores pouco conhecidos, cujo público-alvo é formado por jovens na faixa dos 16 anos – exatamente a audiência que lota os cinemas nos Estados Unidos. “Hitman – Assassino 47” (EUA/França, 2007) leva à telona um ícone de uma das séries de jogos eletrônicos mais populares do planeta. É mais um amálgama esparrento de violência gráfica, mulheres semi-nuas e clichês de produções de ação, sem qualquer traço de originalidade ou criatividade. Soa como uma versão infanto-juvenil da série “Bourne”, só que sem a inteligência dos filmes protagonizados por Matt Damon.

Hitman, o personagem, é figurinha carimbada por viciados em Playstation 3, o console de jogos eletrônicos da Sony que cativa nove entre dez adeptos de videogames. Ele é um assassino sem nome, conhecido apenas pelo número 47 tatuado num código de barras na nuca. O sujeito é oriundo de uma organização secreta que coopta crianças órfãs e, através de treinamento duro e lavagem cerebral, as transforma em máquinas de matar sem emoções. Nosso amigo 47 é a mais letal de todas as máquinas. O personagem, que maneja pistolas e facões com perícia ímpar, já havia estrelado quatro jogos de sucesso até o instante em que o longa-metragem entrou em produção.

Há pequenas diferenças entre o filme e o game. No segundo, os assassinos da organização sofrem mutações genéticas para que se tornem mais inteligentes, rápidos e poderosos, algo não mencionado no longa. A história de “Hitman – Assassino 47”, aliás, é um apanhado de títulos de ação anteriores. O personagem em si lembra bastante o protagonista semi-mecânico de “RoboCop” (1987), pois começa a sentir vestígios de humanidade através de flashes de memórias que insistem em aparecer de tempos em tempos. Embora este detalhe não esgarce a eficiência assustadora que demonstra na hora de quebrar o pau, este processo de humanização vai ser acelerado por uma traição.

Nosso protagonista é contratado para um trabalho na Rússia. Cumpre o prometido e mata o alvo, mas termina virando alvo de uma caçada humana, detonada por um traidor cuja identidade passa a ser alvo de investigação pelo matador. Enquanto tenta descobrir que lhe passou a perna, ele é perseguido por um inspetor da Interpol (Dougray Scott) e por um corrupto chefão da KGB (Robert Knepper). No processo, se envolve com uma prostituta gostosona (Olga Kurilenko) e termina apaixonado, detalhe que aumenta ainda mais o mencionado processo de humanização. Além dos já citados “RoboCop” e “Bourne”, há outras influências óbvias, como a série “Duro de Matar” (o protagonista é obrigado a enfrentar uma batalha correndo descalço).

O maior dentre os muitos defeitos da produção é o roteiro insosso, que mantém o espectador o tempo inteiro no escuro, muito mais para esconder a falta de uma história consistente do que para criar mistério e suspense – tanto que, no final, a quantidade de perguntas sem respostas é enorme. O diretor francês Xavier Gens, afastado da montagem depois que a Fox achou que o filme estava ficando violento demais, alonga as seqüências de ação até não mais poder, na tentativa de esconder a fragilidade do enredo, e enxerta música estridente e efeitos sonoros bombásticos que não poderiam faltar, numa produção feita sob medida para fanáticos por jogos eletrônicos.

Toda a ação é coreografada com base em montanhas de clichês, desde as poses friamente acrobáticas do protagonista com duas pistolas automáticas (“Matrix”) até a edição estroboscópica, que joga com a velocidade da projeção (ora em câmera lenta, ora em cortes ultra-rápidos) para fragmentar a narrativa. Há nudez gratuita e interpretações caricatas ao extremo – preste atenção na cena em que Hitman decide tirar um cochilo dentro do carro com a gata Olga Kurilenko a tiracolo, e confira como os atores fazem tremenda força para não gargalhar, tamanha a mediocridade do texto que são obrigados a recitar. Péssimo filme.

O DVD da Fox Filmes contém o filme com boa qualidade de imagem (widescreen anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1). Não há extras no disco.

- Hitman – Assassino 47 (EUA/França, 2007)
Direção: Xavier Gens
Elenco: Timothy Oliphant, Dougray Scott, Olga Kurilenko, Robert Knepper
Duração: 100 minutos

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Um comentário
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  1. amo esse filme e principalmente o personagem!!!!

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