Homem de Família, Um

07/01/2004 | Categoria: Críticas

Comédia romântica é um gênero ingrato, mas se você está apaixonado, pode ser divertir demais…

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

A abertura do filme já dá a deixa do que virá a seguir. Quase em desespero, uma Tea Leoni de cabelão chora no aeroporto e pede para que o noivo, um jovem e promissor executivo chamado Jack Campbell (Nicolas Cage), não viaje para Londres, onde deveria fazer um estágio de um ano. Mas ele não dá muita bola para o apelo da namorada e vai. Corte para a cena seguinte: um Cage fanfarrão está na cama com uma dessas garotas de aluguel, alguns anos depois. A elipse deixa claro que o relacionamento do casal dera errado em algum ponto. Aonde, exatamente, é o que vamos descobrir nas próximas duas horas.

O maior defeito de “Um Homem de Família” está nas últimas palavras do parágrafo anterior. A duração de 127 minutos para uma comédia romântica é quase proibitiva. Afinal de contas, hoje em dia, um dos artigos mais raros que podem existir é uma comédia romântica em que o espectador precise de algum esforço para adivinhar o final, certo? E uma das piores coisas do universo, pelo menos para sujeitos que gostam de pensar, aindaque somente de vez em quando, é encarar mais de duas horas no cinema diante de um filme que já se sabe como vai acabar.

De qualquer forma, “Um Homem de Família” começa a se revelar uma surpresa interessante já no argumento. OK, é dezembro, época de Natal em Nova Iorque, uma conjunção de local e data mais clichês de Hollywood para uma comédia romântica. Vamos dar outra chance ao diretor Brett Ratner e ver se ele aproveita. Campbell entra numa loja de conveniência, impede um assalto e depois sai contando vantagem ao assaltante – um Don Cheadle que aparece pouco, mas rouba as cenas. Ele vai se revelar uma espécie de anjo que joga o personagem de Cage num verdadeiro inferno (?) no dia seguinte.

De manhã, Jack Campbell acorda numa cidade-satélite de Nova Iorque, ao lado da velha namorada. Ela agora tem cabelos curtos e está mais linda do que nunca (é verdade, Tea Leoni até perdeu a cara de chata). Mas ele descobre, horrorizado e numa seqüência hilariante, que transformou-se no pai de dois guris lindinhos e num entediado vendedor de pneus que trabalha na loja do pai da mulher. Daí para a frente, a história é previsível: Jack tenta voltar ao velho estilo de vida, enquanto precisa aprender a se virar com a nova família.

Segundo maior problema do filme: o período de adaptação de Jack à nova vida é longo demais. Quando finalmente Cage começa a curtir a nova esposa, já se vão mais de 1h30 e está na hora de o filme acabar. Como a gente já sabe o final… bom, o negócio é aproveitar a idéia bacana, as interpretações interessantes de Cage (meio canastra, mas charmoso) e de Leoni (finalmente!), as tiradas bem sacadas do roteiro e, principalmente, as cenas de rachar o bico em que a filha esperta de Campbell, convencida de que o pai verdadeiro foi abduzido por um disco voador, tenta ensinar o intruso a viver no novo lar. Se você for um homem (ou mulher) de família, vai se convencer rapidinho que uma criança é a coisa mais legal que se pode ser (ou ter). Ah, o DVD tem documentário e entrevistas com os atores.

– Um Homem de Família (Family Man, EUA, 2000)
Direção:Brett Ratner
Elenco: Nicolas Cage, Tea Leoni, Don Cheadle, Jeremy Piven
Duração: 127 minutos

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